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6 janeiro 2008

Pleno poder

Servidores pensam ser dotados de qualidades sobre-humanas

Por Leonardo Castro

A pompa monárquica exibida por certos servidores públicos é algo comum. Em alguns casos bem freqüentes, não há sequer o direito de conversa com os quase deuses. Revestidos pelo ego inflado, alguns membros do Poder Público pensam ser dotados de qualidades sobre-humanas. Pobres de nós, os indignos, quando precisamos dos serviços do Reino, sofremos humilhações e temos que engolir, afinal, a cultura nacional nutre a divindade a ocupantes de alguns cargos. Nessa seara, não há um só brasileiro que não tenha uma história para contar.

O poder é do povo. Para que seja possível a vida em sociedade, regras devem ser estabelecidas e cumpridas. Então, surge o Estado, representante do poder popular, fazendo valer o que foi instituído pela vontade comum. Através do poder que lhe foi conferido, o servidor público, enquanto cumpridor do dever legal, faz o papel de autoridade. Não o é, apenas está, momentaneamente. A partir da conclusão do serviço, o poder popular não mais lhe pertence. Só o terá de novo quando houver interesse social.

Cabe a nós, detentores desse poder, controlá-lo de forma plena. Rasguemos essa procuração imaginária que certos agentes públicos pensam possuir. Atos pessoais são de inteira responsabilidade daquele que os protagoniza, e não representam, de forma alguma, a vontade do povo. Independentemente de qual seja a fonte geradora, vaidade ou mau caráter, que assuma os frutos do seu ataque de autoridade quando esta não lhe é outorgada.

O autoritarismo deve ser combatido. Não há servidor público que goze de poder. Ele apenas o exerce em defesa do interesse popular. Não há espaço para imperadores em um Estado Democrático. Se ultrapassar os limites que lhe são impostos, que pague o preço por usurpar algo que não lhe compete. É hora de dar um basta na República do “você sabe quem com está falando?”.

Leonardo Castro é servidor da Defensoria Pública de Rondônia

Revista Consultor Jurídico, 6 de janeiro de 2008

Comentários

Comentários de leitores: 12 comentários

7/01/2008 18:02 Marcelo Augusto Pedromônico (Advogado Associado a Escritório - Empresarial)
Que me perdoem os poucos bons servidores, mas s...
Que me perdoem os poucos bons servidores, mas são tão poucos que não nos lembramos deles... mas existem... Pior, são os que nem sequer são servidores, e que estão ali sem passar por concurso público e sem qualquer merecimento, pelo contrário. São pessoas que não possuem condição técnica, extremamente simplórias, mas que representam a maioria, se não me engano. Isso se torna muito pior nas prefeituras, por exemplo. O problema é tão grave que servidores concursados, chefes de seção, não podem requerer afastamento dos incompetentes, sob pena de ser repreendido por secretários, vereadores ou prefeitos. É uma humilhação para o cidadão decente, uma vergonha para um Brasileiro - com "B" maiúsculo.
7/01/2008 17:01 Fernanda (Serventuário)
De fato, o autor tem razão. Existem servidores,...
De fato, o autor tem razão. Existem servidores, e não são poucos, que procedem da forma descrita. Contudo, como em TODAS as carreiras, tem o outro lado. Existem, sim, bons servidores, cientes dos seus deveres, que trabalham além do horário sem receber qualquer remuneração por isso, e ainda precisam aturar as atitudes grosseiras de alguns causídicos (ressalvando aqueles que sabem advogar com urbanidade e respeito), motivadas, muitas vezes, pelo total despreparo técnico do referido profissional. Não é demais frisar que, se alguém se sente prejudicado por determinado servidor público, existem os meios legais para que o mesmo seja devidamente punido. Prezado Leonardo, dê nomes àqueles que o desrespeitam. Não generalize a atitude dos mesmos como “regra geral” da categoria. Ou tornar-se-ão válidas aquelas velhas frases de efeito: “advogado não presta”, “político é tudo igual” (com as quais eu, expressamente, NÃO CONCORDO) e assim por diante.
7/01/2008 08:34 ERocha (Publicitário)
Que tal acabar com a estabilidade?? Seria o pri...
Que tal acabar com a estabilidade?? Seria o primeiro passo para os Deuses sentirem-se humanos.

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