Atentado na magistratura

Juiz federal do Paraná tem carro atingido por tiros em atentado

A Polícia Federal investiga um atentado sofrido, na noite de quinta-feira (28/2), pelo juiz federal criminal Jail Benites de Azambuja de Cutiriba. Dois homens em uma motocicleta atiraram contra o carro da Polícia Federal, usado pelo juiz. Seis tiros foram disparados contra o veículo por uma pistola 9 mm.

As balas atingiram o capô e o vidro do motorista. O juiz não sofreu ferimentos. Ele estava em casa. O muro de sua casa também foi atingido.

Em nota divulgada nesta sexta-feira (29/2), a Ajufe (Associação dos Juízes Federais do Brasil) pede que o caso seja apurado junto ao Conselho Nacional de Justiça e Conselho da Justiça Federal. A associação também pediu ao Tribunal Regional Federal da 4ª Região que sejam adotadas as providências necessárias à segurança do juiz.

A associação ressalta que ocorrências como essas são freqüentes e frisa a gravidade da ofensiva contra os profissionais que atuam contra o crime organizado.

Em entrevista à Agência Estado, o juiz disse que o atentado pode estar relacionado a um processo na área criminal, envolvendo tráfico de drogas e contrabando. “A Polícia Federal trabalha com essa hipótese", ressaltou.

A região de Umuarama é rota para contrabandistas e traficantes, que vêm do Paraguai a caminho de São Paulo e Rio de Janeiro. O juiz disse, ainda, que “ameaças são comuns na profissão que escolheu”. No entanto, em razão da gravidade do atentado, ele requisitou os policiais federais para as investigações.

A nota da Ajufe faz um apelo à Câmara dos Deputados para que o Projeto de Lei 2.057/07 tenha tramitação urgente. O projeto é iniciativa da associação e prevê o um plano com medidas processuais e administrativas para a segurança e assistência dos juízes, em situação de risco.

O presidente nacional OAB, Cezar Britto, também repudiou o episódio. “Essas tentativas de assassinato não conseguirão pôr fim à atividade da Justiça. Elas servem apenas para despertar a indignação da população em relação à delinqüência organizada”.

Também foi encaminhado ofício à presidente do TRF da 4ª Região para que sejam adotadas todas as providências à segurança de Benites Azambuja e à apuração dos autores desse atentado. O procurador-geral da República também será informado sobre o episódio.

Leia a nota da Ajufe

Nota da Ajufe

A Associação dos Juízes Federais do Brasil (Ajufe) e a Associação Paranaense dos Juízes Federais alertam para a gravidade do atentado ocorrido na noite de quinta-feira (28/2) na cidade de Umuarama (PR).

Dois homens em um motocicleta efetuaram seis disparos, de pistola 9 milímetros, contra o carro da Justiça Federal utilizado pelo juiz federal criminal Jail Benites de Azambuja. Os disparos poderiam ter sido feitos quando ele e o agente de segurança saiam do veículo, o que leva à hipótese de uma tentativa de intimidar não apenas o magistrado, mas a própria Justiça Federal.

A Polícia Federal investiga o atentado e reforça, desde ontem, a segurança do juiz Benites de Azambuja. A Ajufe solicitou que as apurações sejam acompanhadas pelo Conselho Nacional de Justiça e Conselho da Justiça Federal e requereu ao Tribunal Regional Federal da 4ª Região que sejam adotadas as providências necessárias à segurança do magistrado.

Esse atentado ganha contornos mais graves em razão dos recentes episódios em que novamente a situação de segurança de juízes federais com atuação em varas federais criminais é colocada em xeque. Em decorrência da atuação contra o crime organizados, esses juízes, com freqüência cada vez maior, vêm recebendo ameaças de morte e muitos deles vivem sob escolta policial permanente.

Por esta razão, a Ajufe e a Apajufe reforçam o apelo à Câmara dos Deputados para que o Projeto de Lei 2.057/07 tenha tramitação urgente naquela Casa. De iniciativa da Associação dos Juízes Federais do Brasil, o referido projeto prevê o estabelecimento de um plano com medidas processuais e administrativas para a segurança e assistência dos juízes que se encontram em situação de risco.

Atentados como o que ocorreu em Umuarama servem de alerta para que as instituições do Estado estejam preparadas não apenas para enfrentar as organizações criminosas, mas também para preservar a integridade física daqueles que estão na linha de frente do combate ao crime organizado.

Walter Nunes da Silva Júnior

Presidente da Ajufe

Friedmann Anderson Wendpap

Presidente da Apajufe


3 comentários




A seção de comentários deste texto foi encerrada em 8/03/2008.
3/03/2008 15:15futuka (Consultor)Quanto maior é a 'cadeia da criminalidade' em q...
Quanto maior é a 'cadeia da criminalidade' em que atua profissionalmente um magistrado, maior são os RISCOS que indicam trazer a sua integridade,, assim a tendência natural é de que possívelmente haja um crescimento dimensionado em razão dos grandes índices da violência por todo o nosso país!.. e continua aumentando, por favor alguém informe as autoridades
1/03/2008 01:33A (Funcionário público)"Ainda existem juízes em Berlim!" Nesta sema...
"Ainda existem juízes em Berlim!" Nesta semana o jornal valor econômico fez uma matéria sobre a onda de atentados contra juízes federais, em retaliação as ações da Pol. Fed. que são realizadas com apoio da just. fed. que emite os mandados de prisão e apreensão. Estes atentados são uma ameaça a democracia, pois tem como intenção desestabilizar a magistratura. Por outro lado, refletem que há no país juízes corajosos e honestos que no dia a dia de seu trabalho acabam desarticulando quadrilhas, que só estão reagindo em razão do trabalho sério de magistrados como Dr. Jail e Dr. Odilon. Parabéns pelo trabalho e que as autoridades competentes votem as leis necessárias para estes juízes terem segurança e tranquilidade em seu trabalho.
29/02/2008 19:02ruialex (Advogado Autônomo - Administrativa)Lamentável que no Brasil as coisas estejam cami...
Lamentável que no Brasil as coisas estejam caminhando por ai, mas recentemente alertamos para esse perigo no episódio entre policiais e juiz no Rio de Janeiro, pois ficam querendo a cabeça dos policiais e ai não se sabe se esse tipo de ocorrência está vinculado à criminalidade organizada ou a simples desafetos que imaginando que não vai dar nada para juiz, parte para a ignorância. Infelizmente, a postura de episódios envolvendo juízes têm, talvez, provocado que situações lamentáveis como essa ocorram.