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Intimidação e má-fé

Para Folha, Universal mal disfarça seus interesses comerciais

[Editorial do jornal Folha de S. Paulo desta terça-feira (19/2)]

Bispos da Igreja Universal do Reino de Deus desencadeiam, contra os jornais Extra, O Globo, A Tarde e esta Folha, uma campanha movida pelo sectarismo, pela má-fé e por claro intuito de intimidação.

Em dezembro, a Folha publicou reportagem da jornalista Elvira Lobato descrevendo as milionárias atividades do bispo Edir Macedo. Logo surgiram, nos mais diversos lugares do país, ações judiciais movidas por adeptos da Igreja Universal que se diziam ofendidos pelo teor da reportagem.

Na maioria das petições à Justiça, a mesma terminologia, os mesmos argumentos e situações se repetiam numa ladainha postiça. O movimento tinha tudo de orquestrado a partir da cúpula da igreja, inspirando-se mais nos interesses econômicos do seu líder do que no direito legítimo dos fiéis a serem respeitados em suas crenças.

Magistrados notaram rapidamente o primarismo dessa milagrosa multiplicação das petições, condenando a Igreja Universal por litigância de má-fé. Prosseguem, entretanto, as investidas da organização.

Não contentes em submeter a repórter Elvira Lobato a uma impraticável seqüência de depoimentos nos mais inacessíveis recantos do país, os bispos se valeram da rede de televisão que possuem para expor a pessoa da jornalista, no afã de criar constrangimentos ao exercício de sua atividade profissional.

É ponto de honra desta Folha sempre ter repelido o preconceito religioso. A liberdade para todo tipo de crença é um patrimônio da cultura nacional e um direito consagrado na Constituição. A pretexto de exercê-lo, porém, os tartufos que comandam essa facção religiosa mal disfarçam o fundamentalismo comercial que os move. Trata-se de enriquecimento rápido e suspeito e de impedir que a opinião pública saiba mais sobre os fatos.

Não é a liberdade para esta ou aquela fé religiosa que está sob ataque, mas a liberdade de expressão e o direito dos cidadãos à verdade.

Revista Consultor Jurídico, 19 de fevereiro de 2008, 11h44

Comentários de leitores

37 comentários

Penso que agora, depois das sabias decisões dos...

Adhemar Guedes (Estudante de Direito)

Penso que agora, depois das sabias decisões dos magistrados em extinguir os processos sem o julgamento do mérito, pela inexistência de interesse processual, bem como a ilegitimidade, os fiéis irão abrir os olhos e deixar de ser ludibriados e manipulados (pelo menos nesse caso Folha X Universal) pelos expert na arte de dominar a mente dos fracos.

Meu caro amigo gringo, não-autóctone, dogmático...

Mauro (Professor)

Meu caro amigo gringo, não-autóctone, dogmático Richard. Os 35000 atribuem a si a prerrogativa de possuir a Verdade do mesmo modo que a Igreja Católica e milhares de outras religiões cristãs, não-cristãs, orientais etc. Acaso já viste algum líder religioso dizer que não tinha certeza se sua doutrina era verdadeira? Eu nunca vi. E, além disso, dentre esses 35000 existem muitos que possuem corpo doutrinário e litúrgico semelhantes, senão iguais, sendo suas diferenças apenas no âmbito histórico. Exemplo; considero a Igreja Católica e a Igreja Ortodoxa muito semelhantes em vários aspectos sendo o grande cisma, um fato histórico, a principal diferença entre elas. Eu não confundo fatos históricos, você é que confunde o que é relativismo. Basicamente é bem diferente de subjetivismo e significa que todo conhecimento humano é relativo e do ponto de vista ético, bem e mal variam segundo os tempos e as sociedades, podendo ou não haver progresso nessas mudanças. Assim sendo, se você, um dogmático de carteirinha, é contra o relativismo, então, você é favorável a escravidão, pois há 200 anos não era considerada um crime. Entretanto, devido ao fato de que o conhecimento humano precisa aumentar, e os valores éticos evoluem conforme as épocas, a escravidão, que era uma atividade plenamente legal, sendo o Brasil o último país do mundo a deixar de praticá-la, tornou-se um crime. Você também é favorável a ditadura, pois segundo a rigidez do seu dogmatismo ela não deveria ter sido abolida. Você é favorável também a inquisição e a venda de indulgências, pois estas também não são relativas aos tempos e épocas específicas. E quanto ao PT, ao contrário do que você pensa, não estou nem aí para eles. Apenas os citei como exemplo.

Meu caro amigo Mauro, autóctone e relativista...

Richard Smith (Consultor)

Meu caro amigo Mauro, autóctone e relativista: Os milhões de "papas" propiciaram o surgimento de mais de 35.000 (trinta e cinco mil) seitas e denominações diferentes, cda uma se dizendo diretamente orientada pelo Espírito Santo, e portanto, possuidora da Verdade. Isso é um fato. Depois o amigo diz que a Pedro não foi dada primazia e prerrogativa nenhuma, afirmação que contraria a Escritura. Isso também é um fato. No mais, o amigo expõe todo o seu relativismo ao distorcer fatos históricos. Mal-comparando e pedindo excusas pela grosseria é como se você dissesse: "Fulano, em determinada época, poderia ser considerado viado, mas hoje, é somente uma pessoa liberal" Tem cabimento? Quanto ao PT, o caro amigo também está errado. A sua formação reunindo pessoas de diversas correntes, porém sob uma roupagem "filosófica" totalmente nova, o leninismo de cariz gramsciano foi uma coisa total mente nova, não resultando de nenhuma cisão como as observadas anteriormente. Neste diapasão, para que lutero pudesse ser considerado "autêntico", seria preciso que tivesse recebido uma "nova" revelação, como maomé ou o delirante e linchado joseph smith. Um abraço a você.

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