Consultor Jurídico

Artigos

Você leu 1 de 5 notícias liberadas no mês.
Faça seu CADASTRO GRATUITO e tenha acesso ilimitado.

Questão de segurança

Analista criminal é figura estratégica na gestão pública

Por 

O presente texto é um resumo do seminário apresentado pelo autor durante o Fórum Internacional de Gabinetes de Gestão Integrada (GGI´s), realizado em 22 de novembro de 2007, na cidade de São Luis (MA). A análise criminal é a principal ferramenta para produção de conhecimento voltada para a gestão da segurança pública.

Na atualidade, o valor agregado pela Tecnologia da Informação (TI) possibilita ao gestor público realizar a tomada de suas decisões a luz de uma atividade científica, que ajuda a formular soluções e trilhar os caminhos mais seguros a serem implantados pela sociedade. Este esforço tem por objetivo garantir um convívio social mais pacífico e uma sociedade com mecanismos mais eficazes no enfrentamento das questões relativas ao crime, criminalidade e questões conexas.

A palavras-chave keywords abrange os significados de criminalidade, análise criminal, gestão pública tecnologia da Informação. Nos dias atuais, quando falamos em produção de conhecimento para gestão, particularmente no tocante à gestão da segurança pública, nos reportamos quase que automaticamente às ferramentas de TI e às facilidades que elas trouxeram para a produção do conhecimento moderno.

Conforme nos ensina o clássico “A Arte da Guerra” de Sun Tzu, ao nos encontrarmos na difícil posição de tomadores de decisões, precisamos ter em conta que as ações de gestão devem ser pautadas por uma produção de conhecimento que norteie as ações de médio prazo (táticas) formulando uma crescente de ações para as atividades de longo prazo (estratégicas).

“Estratégia sem tática é a rota mais lenta para a vitória e a tática sem estratégia é apenas um ruído que se ouve antes da derrota.”(Sun Tzu). As ações operacionais (curto prazo), as ações táticas (médio prazo) e as ações estratégicas (longo prazo) orientadas, seqüenciadas, articuladas e formalizadas, compõem o conjunto de medidas que estruturam o planejamento organizacional. Com base nesse planejamento é que o gestor deve avaliar, promover e orientar suas decisões de curto, médio e longo prazo.

Finalmente, em que consiste a posição do tomador de decisão? Segundo o professor Filipe , gestão ou administração é um processo dinâmico de tomar decisões sobre a utilização de recursos, para possibilitar a realização de objetivos.

É ainda o processo de conjugar recursos humanos e materiais de forma a atingir fins desejados, através de uma organização. Já a organização é uma combinação de esforços individuais que tem por finalidade realizar propósitos coletivos. Dito isso, é possível concluir que o tomador de decisões é o operador maior de um sistema organizacional, que no caso da segurança pública, trata da gestão do referido setor.

Ao tratar-se do ciclo da produção de conhecimento — atividade universal que é operada nas diversas sociedades humanas — pode-se, de forma didática, dividir essa atividade em quatro fases básicas: (i) coleta de dados; (ii) colagem e avaliação dos dados coletados (organização dos dados); (iii) processamento dos dados (análise); (iv) disseminação do conhecimento.

A Análise Criminal (AC) com suas três vertentes é talvez o maior vetor de produção de conhecimento específico para a gestão da segurança pública. Ela possui a missão de revelar com clareza as características do crime, criminalidade e questões conexas. Dentre as vertentes da AC temos: (i) AC estratégica definida como ACE; (ii) AC Tática como ACT; (iii) AC Administrativa como ACA.

Ao tratarmos da AC como ferramenta da gestão não é possível deixar de citar a técnica do georeferenciamento e mapeamento da criminalidade. Todos os focos da AC utilizam essa ferramenta constantemente na produção de conhecimento para seus clientes gestores ou operadores. A utilização de mapas através dessa técnica possibilita agregar valores de variáveis oriundas de diversas fontes, possibilitando uma análise variada capaz de orientar visualmente os gestores quanto aos problemas do crime, criminalidade e questões conexas

O analista criminal, nas suas atividades de produção de conhecimento, deve buscar padrões e tendências criminais que, depois de identificados, constarão em seus relatórios de análise. Esses documentos, por sua vez, devem periodicamente ser difundidos para seus respectivos clientes. O que entendemos por padrões criminais?

Os padrões criminais são as características identificáveis que se repetem em dois, ou mais, eventos criminais, em uma determinada série histórica, e que vincule, em tese, diversos eventos criminais entre si. Ao tratarmos do estudo dos padrões devemos ter em conta que o analista criminal não deve utilizar puramente o raciocínio jurídico para definição da sua tipologia criminal. Para o analista criminal o foco do comportamento humano é mais importante do que o enquadramento jurídico do fato.

  • Página:
  • 1
  • 2
  • 3

 é agente de Polícia Federal, especialista em Gestão da Segurança Pública e Defesa Social. É também pesquisador integrante do Núcleo de Estudos em Defesa Segurança e Ordem Pública do Centro Universitário do Distrito Federal (UNIDF).

Revista Consultor Jurídico, 12 de fevereiro de 2008, 0h01

Comentários de leitores

3 comentários

Muito bom o artigo sobre a análise criminal, ma...

E.Clever (Jornalista)

Muito bom o artigo sobre a análise criminal, mas melhor ainda é ler críticas bem articuladas e consistentes como a do Fausto Mefistófeles.Isto contribui para não termos uma visão estreita à respeito do tema em debate. Muito bom !!!!

Se ao menos diminuisse a "SPREE" dos ratos de B...

Vitor M. (Advogado Associado a Escritório)

Se ao menos diminuisse a "SPREE" dos ratos de Brasília já estava de bom tamanho.

Com o máximo respeito ao articulista, cuida-se,...

Leitor1 (Outros)

Com o máximo respeito ao articulista, cuida-se, aparentemente, de simples expansão da teoria da Broken Windows e de seus critérios de avaliação da eficiência policial. Ao final, chegará à conclusão de que nas periferias ocorrem mais crimes contra o patrimônio (dado que, frente às cifras negras mais elevadas e correspondente assimetria informacional, os crimes cometidos nos bairros nobres não são noticiados à Autoridade Policial); e que determinados 'estamentos' são potencialmentos mais selecionados. Não é à toda que Loïq Wacquant vem revelando que - guiados por tais 'critérios' - as autoridades nova iorquinas têm aumentando a segregação racial e critérios fundados na 'aparência' do suspeito, para as detenções. Há muito a criminologia tem conhecimento da falência desse modelo 'científico' para compreensão do crime. Os 'mapas de densidade' crimonológica possuem grau diminuto de correspondência ao real. Quando muito, retratam os supostos crimes noticiados pelas pessoas. Não abrangem os delitos 'não comunicados' (seja por receio; comiseração ou cumplicidade das demais pessoas; seja por descrença no aparato estatal; seja pelo trauma da vítima, como no estupro, etc.). Também não leva em conta a elevada 'cifra negra', correspondente a certos ilícitos. Pelos exemplos (key words), vê-se que o 'mapa' não abrangeria delitos financeiros, não é?

Comentários encerrados em 20/02/2008.
A seção de comentários de cada texto é encerrada 7 dias após a data da sua publicação.