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Briga comercial é embrulhada com ideologia por jornalistas

Os dados, contra si mesmo (reprodução) - por Mino CartaEstá em cartaz em alguns espaços da imprensa brasileira uma epopéia retumbante: o grande combate entre o bem e o mal. Do lado do ‘bem’ estão o delegado da Polícia Federal, Protógenes Queiroz; o juiz Fausto De Sanctis; pessoas afastadas dos seus ofícios, como o ex-delegado Paulo Lacerda, o ex-juiz Walter Maierovitch, o ex-advogado Dalmo Dallari e um magote de fundamentalistas perdidos pela Internet. Do lado do ‘mal’ estão o presidente do Supremo Tribunal Federal, colegas seus; o juiz Ali Mazloum; setores do governo e do Congresso; a Rede Globo, a Editora Abril e, entre outros, este site. [À esquerda, o quadro Os Dados, Contra Si Mesmo do artista Mino Carta]

A bandeira dos benzistas, dizem eles, é a eliminação da corrupção de colarinho branco no país. Ao que se depreende da insistente pregação, isso acontecerá se o banqueiro Daniel Dantas for retirado de circulação. Sempre segundo os neo-idealistas, isso não aconteceu até agora porque Daniel Dantas é “o dono do Brasil”. Ou seja: por meios pérfidos ele tem sob seu comando a turma do mal — o que explica seu continuado sucesso nos negócios, na política, na imprensa e no Judiciário.

Spy X Spy

O criador desse enredo chama-se Luís Roberto Demarco, um homem de habilidades múltiplas. Ele tem atuado como roteirista da Polícia Federal, redator de ações subscritas pelo Ministério Público, pela Comissão de Finanças da Câmara dos Deputados; e de textos publicados por seus parceiros na imprensa. Ex-sócio do Opportunity, Demarco vende tecnologia e antídoto para anular os venenos de Dantas a seus concorrentes e adversários.

Outra característica de Demarco é o apoio decidido que dá a jornalistas de marca, cujas carreiras afunilaram e, apesar do talento e do passado, já não encontram tantas oportunidades no mercado. Segundo Paulo Henrique Amorim, juntos, eles criaram a Organização Não Governamental “Brasil Limpo” para amparar profissionais da imprensa que queiram escrever para eles.

Essa luta do bem contra o mal, na vida real, é uma guerra entre grupos econômicos, claro. O troféu da disputa é uma fatia do mercado brasileiro de telefonia avaliada em 30 bilhões de reais por ano. As regras são do tipo vale-tudo.

Imagens invertidas

Pode ser que Demarco e seus parceiros Mino Carta, Paulo Henrique Amorim, Luís Nassif e outros menos freqüentes tenham virado aríetes contra Dantas por razões humanistas. Por idealismo. Ao menos no caso do juiz De Sanctis, essa ressalva é fundamental. Ele e a legião de pessoas que o admiram sinceramente também querem tirar Dantas de circulação por motivos bem diferentes dos que movem os missionários de Demarco. Por isso é essencial tentar entender algumas coincidências e por que o grupo minocarthista resolveu dedicar-se em regime de exclusividade a essa cruzada.

A revista Carta Capital, de Mino Carta, fez um acordo de apoio financeiro com o empresário que se tornaria em seguida presidente do Consórcio Telemar — Carlos Jereissati. Ele foi acusado, em 1998, pelo ex-ministro da Infra-estrutura Luiz Carlos Mendonça de Barros de ser chefe de uma telegangue que comprou do governo a mais capilar das operadoras de telefonia do país com dinheiro do próprio governo. Mendonça de Barros perdeu o emprego com a divulgação de um grampo clandestino. O grampo flagrou confidências e inconfidências de metade do governo FHC, inclusive do presidente da República.

Nos cerca de dez anos que durou a disputa, Jereissati e Dantas se bateram pelo mesmo prêmio. Jereissati ganhou a parada fazendo dobradinha com Sérgio Andrade, um dos donos da Andrade Gutierrez, apontado como o maior doador de fundos para a campanha presidencial de Lula em 2006.

A justiça de primeira instância já condenou o colunista Diogo Mainardi duas vezes por ter afirmado que Mino Carta era subordinado a Jereissati na tarefa de fulminar Dantas. Na verdade, o empresário apenas apoiou financeiramente a revista com um contrato de patrocínio publicitário de dois anos que acabou não sendo cumprido totalmente. Os dois parceiros, donos de gênios fortes, acabaram se desentendendo. É quando entra em ação Luís Roberto Demarco.


Márcio Chaer é diretor da revista Consultor Jurídico

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29/12/2008 23:28Roberval Taylor (Consultor)Esse Ramiro se diz estudante de direito. Devia ...
Esse Ramiro se diz estudante de direito. Devia estudare mais e mais. Um dia, quem sabe, aprende alguma coisa.
29/12/2008 18:33Luiz Fernando (Estudante de Direito)RAMIRO, ESCREVA UM LIVRO. VAI, NÓS TE APOIAMOS....
RAMIRO, ESCREVA UM LIVRO. VAI, NÓS TE APOIAMOS. AQUI A COISA TEM QUE SER RÁPIDA, COMENTÁRIOS CURTOS E OBJETIVOS. UM LIVRO FARÁ MUITO BEM - E TALVEZ ATÉ ACABE VENDENDO BEM (juro que compro um - ler é outra coisa).
27/12/2008 21:04Ramiro (Estudante de Direito)por fim ao comentarista Ticão, a quem sempre re...
por fim ao comentarista Ticão, a quem sempre respeitei, há dois pontos interessantes que você pode considerar. Já comparou a Reforma da Previdência do Lula com a do Pinochet? Nas duas militares ficaram de fora, com todos os benefícios. Segundo, já leu alguma coisa sobre o REUNI, e já teve o trabalho de pegar um demonstrativo de uma S/A da Educação apresentado à CVM, e verificar o valor das cotas de capital declaradas antes da adesão ao PROUNI, e o salto de mais que quadruplicar o valor das cotas depois de aderir ao PROUNI? E que nos EUA a maior S/A da Educação que usou de fórmulas aqui beneficiadas pelo Governo Lula, nos EUA estão sofrendo sucessivas condenações multi milionárias em Tribunais Federais dos EUA? Stalim, Pinochet, e afins, os tenho como as duas pontas de uma mesma ferradura. Quando era mais novo desprezava Reagan, anos depois compreendi como ele quebrou a URSS vencendo a corrida tecnológica, do mesmo modo que considerava Gilmar Mendes deplorável no STF, até que este se mostrou um garantista, no sentido de garantir os preceitos constitucionais, e trouxe inovações tais que o debate das audiências públicas sobre células tronco e sobre aborto de anencéfalos no STF estão ultrapassando em importância, pela qualidade, as discussões no Congresso de mensalões e afins. No entanto defendo até a morte o sistema representativo, pois o Congresso é a exata expressão da média do nosso povo. Inclusive quando o Senado parece ter medo de dar parecer final, mesmo declarando inepto, um pedido de impeachment de um Procurador-Geral da República, pois sabe que a história continua na CIDH-OEA. O Senado sabe que muitos mais documentos que no Senado estão na CIDH-OEA. Documentos com protocolo do MPF inclusive, não dá para escamotear.