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5 agosto 2008
Erros de projeto
Sites dos tribunais de Justiça ainda não são eficientes
A internet hoje é uma realidade e aos poucos vai se tornando uma tecnologia invisível e universal. Cada vez mais ela deixa de ser uma ferramenta para ser parte do dia a dia das pessoas através de seus sites e serviços online. Neste artigo pretendo apresentar de maneira sintética alguns aspectos importantes em projetos web, mostrando alguns erros e acertos dos sites dos Tribunais de Justiça Estaduais.
1. A internet hoje no Brasil
De acordo com o site Internauta Brasil, hoje somos mais de 40 milhões de brasileiros conectados, o que representa um crescimento de cerca de 30% em apenas seis meses. Não é difícil imaginar a diversidade de pessoas que atualmente tem acesso à internet: usuários avançados, medianos e iniciantes; pessoas com necessidades especiais e de todos os níveis de escolaridade. E o que estas pessoas buscam na grande rede? Entretenimento, comunicação e, principalmente, informação.
A internet está se tornando a principal fonte de informação do mundo e diariamente milhares de novos sites são publicados e se tornam disponíveis a todos os internautas através de ferramentas de busca como o Google. A quantidade de informação é tão grande, e a qualidade tão discutível, que se torna cada vez mais difícil para o usuário encontrar nas buscas informações realmente relevantes e confiáveis.
Por outro lado, com nossas vidas cada vez mais corridas, não é mais possível perder tempo procurando uma informação relevante em um site confuso. John Maeda, designer gráfico e cientista do MIT, diz em seu livro As Leis da Simplicidade (2007) que as pessoas amam os designs que podem tornar suas vidas mais simples. Ou seja, o que mais se espera de um serviço on-line é que ele torne uma determinada tarefa mais simples.
Portanto, temos cada vez mais usuários com diferentes perfis que buscam informações relevantes de maneira rápida, simples e eficiente. É dentro deste contexto que qualquer site ou deve ser desenvolvido. Obviamente, portais de órgãos e serviços públicos devem ter esta idéia como principal objetivo, incluindo, aqui, o Poder Judiciário.
2. Relevância do conteúdo e confiabilidade
De acordo com uma pesquisa da empresa inglesa Netcraft, a internet atingiu em junho de 2008 a marca de 172.338.726 sites publicados. Em meio a este verdadeiro mar de informação, um dos maiores desafios para o usuário é encontrar o que realmente pretende e ter a certeza de que aquele conteúdo é confiável. Sites como os dos Tribunais de Justiça, que disponibilizam dados tão importantes como andamento de processos, jurisprudência e outros, devem garantir que estas informações estejam sempre corretas e facilmente encontradas.
Segundo os operadores jurídicos, quem acessa o site de um TJ procura: 1) acompanhar o andamento de um processo; 2) consultar jurisprudência; 3) informações sobre plantões e horários; 4) regimento interno.
Informações sobre concursos também são muito procuradas por pessoas interessadas em ingressar no funcionalismo público. Valores de custas processuais é outro conteúdo que merece ter o acesso facilitado. O site do TJ-CE, por exemplo, disponibiliza o link Custas processuais em sua página principal.
Em nossa sociedade ocidental, estamos acostumados a ler a páginas da esquerda para a direita e de cima para baixo. Transferindo isto para os sites, as informações mais destacadas estarão sempre no topo e na coluna da esquerda da página. É por este motivo que a identificação de um site está sempre no canto superior esquerdo e os menus (lista de links para as diversas seções de um site) em uma barra horizontal no topo, ou em uma barra vertical do lado esquerdo.
O ideal, então, é que as informações mais relevantes para o usuário estejam logo abaixo do topo das páginas principais dos sites e que, pelo menos, sejam visíveis sem que o usuário precise usar a barra de rolagem do navegador.
Entretanto, muitos dos sites acabam priorizando notícias que pouco interessam ao público em geral. Por exemplo, o site do TJ-AP, que é muito bom em informações, destina uma área destacada para imagens meramente ilustrativas cujos links apenas recarregam a página e não direcionam para alguma matéria importante. Não está adequado.
Destacar informações relevantes é algo importantíssimo, mas não se pode esquecer de garantir que elas sejam confiáveis. Quando um advogado consulta o andamento de processo através da internet, faz isso para ganhar tempo e poder adiantar seus próximos passos. No entanto, nem todos os sites disponibilizam despachos completos e com todas as informações necessárias.
Em alguns sistemas, como no do TJ-RJ, a disponibilização dos despachos ocorre em tempo real, mesmo que ainda não tenha sido publicado no Diário Oficial. Posteriormente, o próprio sistema informa assim que o despacho é publicado oficialmente. Para os advogados isso é um ganho de tempo. Em outros Tribunais, no entanto, não se informa a data da publicação, o que pode confundir o advogado com relação aos prazos, com evidente prejuízo.
Felipe Santos é designer gráfico, especialista em webdesign pela PUC-PR, especializando em Design de Interação pela FISAM e designer do Portal Educacional da Positivo Infomática.
Revista Consultor Jurídico, 5 de agosto de 2008
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Comentários
Comentários de leitores: 2 comentários
POLUIÇÃO VISUAL Vários dos sites são muito...
E o site do TJSP/PRODESP, dentre os tribunais, ...
A seção de comentários deste texto foi encerrada em 13/08/2008.