O que está por trás das críticas à criação de escolas

4/11/2007 18:35Lidia (Outros)Márcio Chaer, Uma Nação não se faz com 15,9%...
Márcio Chaer, Uma Nação não se faz com 15,9% (resultado do Exame 133). O Exame da Ordem é revelador do quanto o Estado tem falhado numa das suas funções essenciais: a Educação. A educação é a pedra fundamental na formação de uma nação. Guarda a responsabilidade de formar um cidadão ético e capaz de cultuar a moralidade a fim de preservar e garantir a manutenção dos direitos fundamentais prescritos na Carta Magna. Os direitos básicos têm sido negligenciados e em especial à educação; contudo não por falta de amparo legal. Ousaria dizer que o “status” de ser humano, sujeito de direitos e deveres ainda não permeia o inconsciente coletivo. É algo relativamente novo. Foi “ontem”, 1988 que a nossa Carta Magna adotou o princípio da igualdade. A educação sempre se destinou aos nobres e poderosos. Se o sonho de muitos ainda é conseguir uma vaga na escola para seus filhos, como exigir uma educação justa e de qualidade? A instituição de ensino se torna um instrumento de suma importância à educação e sendo o “longa manus” do Estado deve assegurar a todos este direito, qual seja, o da educação conforme estabelece a Constituição Federal no seu Art. 205, “A educação, direito de todos e dever do Estado e da família, será promovida e incentivada com a colaboração da sociedade, visando ao pleno desenvolvimento da pessoa, seu preparo para o exercício da cidadania e sua qualificação para o trabalho”. Há uma interdependência e importância da instituição de ensino na formação de um sujeito ético e capaz de exercer a cidadania por completo. A instituição de ensino atua como um veículo à educação e como viabilizadora da garantia dos direitos fundamentais. Nesse sentido se faz necessário que ela se mantenha íntegra e sempre disposta a observar os direitos fundamentais a fim de que possamos presenciar uma sociedade digna a todos.
2/10/2007 11:53Mario Vitor Suarez Lojo (Professor)A notícia é velha. Não importa se foram 2% ou 2...
A notícia é velha. Não importa se foram 2% ou 25% de aprovados, qualquer número abaixo de 50% é inaceitável. A prova da OAB cobra a matéria que deveria ter sido ensinada durante o curso universitário. Vale lembrar ainda que muitos desses poucos aprovados ainda foram fazer cursos preparatórios de 2 ou 3 meses na véspera da prova. Sem isso, o resultado seria muito pior. Imagina se fosse publicado um ranking dos cursinhos. As faculdades fechariam as portas. A notícia do MEC pode ter erros, mas não dá para esconder que o ensino universitário está muito ruim. Os professores são mal remunerados, os alunos ingressam nas faculdades sem estímulo para pesquisa e estudo. Durante o curso os alunos vão sendo aprovados nas disciplinas sem o conhecimento mínimo. O governo sempre soube que algumas instituições de ensino não deveriam estar abertas, mas a força do capital ... Enfim, é muito difícil para todos. Não existe um culpado. São todos culpados pelo resultado: governo - universidades – professores – alunos. E o pior, o curso de direito é o único que apresenta esse tipo de controle (quase transparente). Imaginem as demais carreiras, como, medicina, engenharia, ... Uma sentença de mérito, em tese, admite a possibilidade de rescisão, mas erros de engenharia (ex.: Palace II) ou da medicina não permitem uma segunda chance.
2/10/2007 11:51Bira (Industrial)A enxurrada de alunos no mercado de trabalho é ...
A enxurrada de alunos no mercado de trabalho é criminosa. No caso da eletronica, tecnicos ficaram obsoletos pela quantidade de novos engenheiros a cada ano. Óbvio, o patamar salarial desabou e sequer paga o valor mensal do curso. Com cotas, degringolou.
1/10/2007 06:58Reinaldo Del Dotore (Estudante de Direito)Sr Marcio, 1) É descabido qualquer elogio a ...
Sr Marcio, 1) É descabido qualquer elogio a uma universidade, seja ela qual for, que tenha aprovado 14% de seus egressos no exame da OAB. O fato de o número absoluto de aprovados ser considerável é decorrência da enorme quantidade de candidatos oriundos daquela IES. Este fato parece é tão óbvio que incomoda bastante ficarmos reiterando-o. 2) A proliferação de cursos de Direito guarda, sim, relação com a má qualidade. Este processo (mercantilização do ensino superior) já ocorreu, além de outras profissões, com a odontologia, curso no qual me formei há mais de 20 anos em universidade pública, e sou testemunha dos resultados nefastos do processo. 3) Não me parece relevante se a IES "A" aprovou 14%, 5% ou 20% na OAB. Estamos falando, neste caso, da diferença entre o ruim, o péssimo, e o pior.
30/09/2007 10:50Rodrigo Assis (Advogado Associado a Escritório)Não entendi o que quer dizer "a arrancada do en...
Não entendi o que quer dizer "a arrancada do ensino privado no Brasil de hoje." Enaltecer números absolutos ao invés dos níveis de aprovação é, na melhor das hipóteses, uma inocência à prova de balas. Só pra constar: e os tantos alunos da UNIP que pagaram o mesmo valor da mensalidade e não conseguiram passar no exame de ordem? O que dizer deles e para eles? Quer dizer que mais de 70 por cento dos alunos da UNIP são "burros" e que devem se contentar com sua própria ignorância? Não vejo nenhuma arrancada do ensino privado que não seja em direção ao lucro indiscriminado e irresponsável, sem qualquer respeito ao ensino e ao dever de ensinar a que se propõem as universidades quando os alunos assinam seus contratos.
29/09/2007 02:19Paulo (Advogado Associado a Escritório)Outra coisa: no mundo todo, as faculdades de di...
Outra coisa: no mundo todo, as faculdades de direito estão se internacionalizando. Preocupam-se com o intercâmbio de alunos com faculdades estrangeiras e com o estudo comparado do direito de outros países. No Brasil, há uma tendência no sentido contrário. As faculdades de direito no Brasil, que há 50 ou 60 anos eram antenadas com o que acontecia no exterior, estão se "ensimesmando". Mesmo nos cursos de pós-graduação, a preocupação é quase sempre com o direito nacional e com o que se produz dentro do país. As faculdades se preocupam demais em ensinar as leis brasileiras e preparar os alunos para o Exame de Ordem e outras provas que esquecem que o resto do mundo está se comunicando. E o Brasil vai ficando defasado em relação ao resto do mundo. Mesmo as faculdades de vocação mais internacional, como USP e FGV, acabam negligenciando muita da produção jurídica e intelectual estrangeira. O mundo está evoluindo e o Brasil, pra variar, está ficando pra trás. E o que o MEC vai fazer? Vai colocar panos quentes, instaurando "processos administrativos" contra as faculdades que não melhorarem o curso. O circo continua, e tudo vai terminar em pizza mais uma vez.
29/09/2007 02:18Paulo (Advogado Associado a Escritório)Pessoal, sejamos honestos. Os cursos jurídicos ...
Pessoal, sejamos honestos. Os cursos jurídicos no Brasil (e, aliás, não só os jurídicos) são, no geral, uma porcaria. A China, o México, a Rússia e a Índia, outros "países em desenvolvimento", conseguem ter universidades mais bem colocadas nos rankings internacionais do que o Brasil. De acordo com o Exame da OAB e com outros rankings, a melhor escola de direito é a da USP. E isso apesar de todos os entraves burocráticos que dificultam o seu funcionamento. A segunda melhor, de acordo com esses rankings, é a PUC-SP. E a PUC-SP está afogada em dívidas, conforme se divulga nos jornais. As faculdades federais, então, têm restrições orçamentárias seríssimas e mesmo assim conseguem ficar no topo nos seus respectivos estados. Isso significa que as outras faculdades brasileiras são tão medíocres que, mesmo sem as dificuldades enfrentadas pela USP, pela PUC e pelas federais, não conseguem fazer um curso melhor. Ou será que conseguem, mas simplesmente não querem? A culpa da qualidade lamentável, é claro, não é só das faculdades. A maior parte dos brasileiros termina o colegial sem estar adequadamente alfabetizada. E as vagas nas faculdades são tantas que até mesmo o mais despreparado dos alunos consegue passar em um curso. Não dá pra esperar que a faculdade faça milagres e supra a formação que o aluno nunca teve durante a sua vida toda.
27/09/2007 12:32drnakatani (Advogado Assalariado)Prezado colega, Djalma Lacerda, concordo em par...
Prezado colega, Djalma Lacerda, concordo em parte com o comentário do colega. E digo em parte, pois não posso concordar como fato de creditarmos a falta de humanidade dos operadores de direito, à qualidade duvidosa do ensino atualmente prestado pela maioria da Instituições de Ensino, entendo que melhor seria se creditássemos tal falta de humanidade, a falta de educação, de civilismo, de identidade pela qual passa o povo brasileiro, pois de um povo sem educação (em todos os sentidos) somente pode ser considerado desumano.
27/09/2007 12:03Lucas Hildebrand (Advogado Sócio de Escritório)Comentário de LH: Vai ter que ser escrito ou...
Comentário de LH: Vai ter que ser escrito outro editorial do ConJur (em nome próprio e no interesse de outrem) para explicar essa.
26/09/2007 20:13LHS (Advogado Sócio de Escritório - Criminal)Ora, colegas, o MEC deve ter perdido o juízo. ...
Ora, colegas, o MEC deve ter perdido o juízo. Onde já se viu, incluir a UNIP na "lista negra" dos cursos de direito??? http://noticias.uol.com.br/educacao/ultnot/ult105u5889.jhtm http://download.uol.com.br/educacao/89_faculdade_direito.xls
26/09/2007 13:06Lucas Hildebrand (Advogado Sócio de Escritório)Apesar de concordar em grande parte com os come...
Apesar de concordar em grande parte com os comentários do leitor Recel, ao menos no âmbito de meu conhecimento (São Paulo), a qualidade dos professores das faculdades privadas não é melhor que a das públicas. E nem se diga que os grandes nomes das públicas não aparecem para dar aula, pois, pela minha experiência, não é bem isso que ocorre. Para exemplificar, na USP, quem dá (ou dava) aula de Introdução ao Estudo do Direito é o Prof. Titular Tércio S. Ferraz Jr., enquanto que os seminários são conduzidos por professores doutores! E eles vão dar aula sim! Quanto às bibliotecas, também não acredito na superioridade das instituições particulares. Não se trata, assim, de um problema restrito ao corpo discente, apesar de o corpo discente ser o maior problema por culpa dos processos seletivos de fachada e do baixo nível de exigência dentro do próprio curso.
26/09/2007 12:39Ramiro. (Advogado Autônomo)Imparcialmente tenho de concordar com parte da ...
Imparcialmente tenho de concordar com parte da opinião do Prof. Armando do Prado. E com o Colega George, no que diz respeito à falácia privatista, e eu estudo numa faculdade privada. Antes de estudar direito sempre estudei em públicas, e nas públicas, em outra área, pressionados pelo MEC por estarem formando poucos alunos para o número de vagas, os diretores respondiam que não era o número de alunos que daria prestígio à Instituição, mas sim a qualidade intelectual e profissional, a capacidade dos diplomados que fariam reconhecer a Instituição. Há uma macrobia docente de direito que diz quanto de Juízes, Promotores e Delegados serem em certas faculdades a quase totalidade dos docentes. Não descem, em sala de aula, do alto de sua Tribuna, mantém o olhar de cima para baixo do cargo na sala de aula, formam advogados medrosos. Dr. Djalma Lacerda tem razão profunda em suas colocações. Quem não tiver uma profunda formação em filosofia do direito nunca vai entender o direito na sua dinâmica de ciência dedutiva. Agora para arrepiar o Prof. Armando do Prado, foi o Governo Petista que deu a sucessão de tiros no pé. Pode não se gostar do Paulo Renato, mas foi o único ministro da educação que arrochou em cima dos escolões de terceiro grau, endurecendo regras. Assumiu o PT, afrouxaram as regras, exige-se menos contigente de Mestres e Doutores. A propósito não faltam mestres e doutores em ciências ditas naturais que não encontram emprego e tentam o direito, e as faculdades públicas? Só vestibular! Como quem já passou pelo mestrado e doutorado não vai ter paciência para vestibular, vão para as privadas. É um fenômeno novo? Não sei. O que sei é que as públicas jogam no colo dos colegios de terceiro grau gente que deveria permanecer nelas.
26/09/2007 12:36Recel (Servidor)Cursei Direito em três faculdades: duas partic...
Cursei Direito em três faculdades: duas particulares e uma pública (na qual me formei). Constatei o seguinte: as faculdades privadas contam com uma infra-estrutura sensacional e com professores maravilhosos. Mas o corpo discente é sofrível. Os alunos não querem absolutamente nada com o curso. Em uma das universidades - uma famosa no Rio pela quantidade de campi e pela falta de critério no exame de admissão - fiz quatro matérias com quatro professores de primeira linha. Uma delas hoje é uma das maiores especialistas na área que lecionava. No final das contas, a situação resume-se no seguinte: a infra-estrutura está lá, a biblioteca (maravilhosa!) está lá, os professores estão lá - aproveita quem quer. E a maioria não queria. Na universidade pública, encontrei exatamente o contrário. Professores medianos, desinteressados, muitas vezes desatualizados. A biblioteca dá pena. Mas os alunos... Quanta diferença! Mais me impressionou o fato de que eles sabiam muito - mesmo que o professor não desse o conteúdo. Os alunos se reuniam e estudavam sozinhos! Aliás, a universidade ficou em 1o lugar no Brasil no Enade, exame que avalia o aluno. Daí já dá para perceber a qualidade da gurizada. Mesmo enfrentando a pouca infra-estrutura, a escassez de livros, as greves quase anuais, a falta de professores esses alunos conseguem ter sucesso porque aproveitam o seu potencial e exigem o mesmo da universidade (ainda que nem sempre sejam atendidos). É questão de dar valor ao que se tem.
26/09/2007 11:29Armando do Prado (Professor)Escolas é bondade do autor. Trata-se de idústri...
Escolas é bondade do autor. Trata-se de idústrias de adestrar bacharéis. Vide as indáustrias das UNI's da vida. Com professores despreparados, muitos sem mestrado, quanto mais doutorado; juízes e promotores dando aulas centrados em experiências próprias, etc.
26/09/2007 11:28gsantos (Serventuário)Novamente a falácia articulada em defesa das gi...
Novamente a falácia articulada em defesa das gigantes universidades privadas. Quer dizer que o conteúdo praticamente não varia entre a UNIP e a SanFran? Chequem as grades curriculares, e verão que não é bem assim. Aliás, nem de longe a UNIP oferece um curso de conteúdo comparável ao da Faculdade de Direito da USP, pois, como o próprio diretor daquela alegou, preocupam-se mais com o mercado. Outro ponto: Uma faculdade que aprova 14% de seus alunos no exame da Ordem está apta a formar juristas e operadores do direito? O fato desses 14% representarem milhares de alunos, dado o batalhão de discentes da instituição, não legitima sua qualidade, pelo contrário, mostra que essa Universidade é mercantilista e não está nem aí pro futuro dos alunos. Cursos privados como esse não tem o menor compromisso com o interesse público, de modo que sua preocupação é a mesma de qualquer empresa privada, qual seja, a obtenção de lucro - e o fazem se aproveitando da lacuna do poder público na oferta de vagas, cooptando alunos pobres ou de classe média baixa através da ilusão do diploma acadêmico. Não se preocupam se em cada 100, só 14 poderão exercer a profissão (contanto que os 100 paguem a mensalidade religiosamente). Não há igualdade entre os cursos, caro articulista, o Exame da Ordem é só um teste, que não tem o condão de transformar pessoas de fraca formação acadêmica em bons profissionais. Sem ele, seria pior, mas o Exame não garante qualidade, se o aluno sai da UNIP, faz um cursinho pré-OAB, decora o suficiente pra passar na prova e, depois, se vê no mercado sem a menor noção humanista, zetética, que deveria ter também adquirido na Academia (além da simples dogmática).
26/09/2007 11:23Dijalma Lacerda (Advogado Sócio de Escritório - Civil) O que colabora igualmente, pelo menos em pa...
O que colabora igualmente, pelo menos em parte, para essa panacéia toda que vai desabrochar no mau preparo de nossos filhos e netos, é que as faculdades (e estou falando especificamente das de Direito, já que as outras eu não conheço)hoje formam, e muito mal a maioria delas, bacharéis em direito, e não mais, como outrora, também em ciências sociais. Pode até ser que nas qrades curriculares conste algumas matérias atinentes a ciências sociais, porém a prática tem demonstrado que ensinadas insuficientemente. Não podemos nos esquecer que tivemos 17 presidentes da república advogados,e hoje, bem, hoje os senhores bem sabem. O mau preparo de nossos bacharéis bems demonstra, com sobras, a total falta de humanismo, e isto se deve à desatenção das faculdades. O pior é que a OAB tem discordado da aprovação de inúmeros cursos de direito,as assim mesmo o MEC os tem aprovado. É complicado, não é ?
26/09/2007 11:09LHS (Advogado Sócio de Escritório - Criminal)Pois bem. E o que está por trás dessa militânci...
Pois bem. E o que está por trás dessa militância apaixonada do Conjur em favor das universidades particulares? Será que veremos uma UniConjur num futuro próximo?
26/09/2007 10:55João pirão (Outro)Uma Coisa que se deveria pensar é o quê se proc...
Uma Coisa que se deveria pensar é o quê se procura na formação acadêmica: qualidade ou quantidade? Com relação ao Direito acho mais pertinente ditar as pautas o MEC e não a OAB, já que a OAB possui sua ferramenta para crivar os seus profissionais. Ainda mais, em um pais em que quase ninguem sabe seus próprios direitos e que muitas vezes não conseguem solução jurídica a seus problemas acho bom que se criem mais escolas, pois se não passarem na OAB pelo menos terão conhecimentos mínimos para não se deixarem "passar a perna" nesse mundo. E seriam também valiosos à iniciativa privada e a outras instituições. Essa tentativa deveria ser extensiva a outras profissões, como a medicina, de maneira de acabar com tantas crises que afetam a nossa população por caprichos corporativistas. Outra coisa a se fazer juz, é que muitos profissionais se formam a expensas do estado, se favorecem dos direitos universais que o estado deve oferecer, se especializam com bolsas oriundas do estado, mas preferem oferecer sua maior mística de serviço à iniciativa privada, em detrimento dos seus serviços nas redes públicas, seja de ensino, saúde, etc. Não quero dizer que se tem que comportar como monges nas suas profissões, mas se deveria diminuir o número de mercenários nessas profissões. Claro é que a rede pública, pelo geral, não oferece bons salários, mas é certo que muitos dos profissionais que trabalham nos dois lados não querem largar seu emprego público. Pensemos nisso, depois criticaremos com mais razão...
26/09/2007 10:31Lucas Hildebrand (Advogado Sócio de Escritório)Provocação? O artigo do diretor do Conjur mu...
Provocação? O artigo do diretor do Conjur muito habilmente tenta racionalizar a posteriori uma reportagem anterior que traduziu escancarada falta de seriedade jornalística. Não ocorreu uma provocação, mas sim pura propaganda dos cursos particulares que aprovaram um grande número de candidatos no Exame da OAB. Também hábil (retoricamente) a linha de raciocínio porque tenta deslegitimar a crítica reputando-a elitista e protecionista. Necessário, assim, que algo seja dito, ainda que a opinião contrária venha publicada nos rodapés das "verdadeiras" notícias deste veículo de (in?)formação. É preciso deixar claro que os críticos (ouso falar em nome de pelo menos alguns deles) não estão preocupados com concorrência. Sabem eles que a verdadeira concorrência é constituída apenas pelos bons profissionais e tais profissionais são em minoria provenientes das instituições privadas de cunho mercantilista. Repito: os 10.000 aprovados no Exame da OAB não possuem a mesma capacidade de sustentar uma carreira jurídica digna. Quem sai das faculdades mais concorridas certamente, de modo geral, tem mais capacidade. O problema da educação deve ser resolvido com educação, e não creio que uma universidade que aplique o vestibular que essas escolas privadas aplicam esteja realmente preocupada com uma sólida formação. A preocupação das coordenações dessas instituições com a melhoria dos índices de aprovação é inteiramente ligada com o marketing que a divulgação dos índices pode gerar, ainda que, sob o ângulo estrito da estatística, tais índices não sejam positivos (e eis a razão de ser da reportagem anterior). Em nome do debate sério e aberto, gostaria que o Conjur abrisse espaço de um artigo para uma voz divergente.
26/09/2007 10:10EduardoMartins (Outros)Não sei em SP, mas no Rio em qualquer esquina a...
Não sei em SP, mas no Rio em qualquer esquina acha-se faculdades de direito e, se até as tradicionais estão sofrendo com a deterioração na sua qualidade de ensino, imagine a qualidade das demais. O resultado é uma massificação de advogados em todos os lugares e com péssima formação. Some-se a isso, o fato de muitos se "prostituírem" aceitando salários muito abaixo do que deveriam receber e cobrando honorários inferiores em mais de 1/3 a tabela mínima da OAB, dificultando uma renda digna para a classe. Se você encontra alguém que te cobra 1000 pelo divórcio, pq pagar 3.800 que a tabela estipula como mínimo e que o outro te cobrou? Tá difícil trabalhar. O mesmo ocorre nos escritórios, a maioria da classe recebe 800 por mês sem direito de participação (prometidos e nunca pagos), essa é a dura realidade do mercado de trabalho. Muito por culpa dessa vulgarização da advocacia ocorrida nos últimos anos. Sim, eu sou contra essa abertura desenfreada de faculdades em toda e qualquer esquina ao mesmo tempo que apoio firmemente o exame da OAB. Só fico chateado de não se poder aplicar aos que se formaram e não o fizeram antes dele existir, pois tenho certeza que seria excelente para ajudar a "limpar" o mercado de péssimos profissionais.

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