NotÃcias
21 setembro 2007
Esquema polÃtico
Eduardo Azeredo encabeçará Inquérito do mensalão mineiro
Nos próximos dias, o procurador-geral da República, Antonio Fernando de Souza, vai protocolar no Supremo Tribunal Federal uma denúncia contra o esquema já popularizado como mensalão mineiro. O documento deve ficar pronto até o final do mês. No Inquérito do mensalão, a lista era encabeçada pelo ex-ministro e ex-deputado do PT José Dirceu. Já, no esquema mineiro, o senador tucano Eduardo Azeredo encabeçará a lista, informa o O Estado de S. Paulo.
Segundo relatório da PolÃcia Federal, cuja Ãntegra foi divulgada pela revista Consultor JurÃdico, Azeredo é apontado como mentor e principal beneficiário do esquema de arrecadação ilegal de recursos nas eleições de 1998, quando ele disputou — e perdeu para Itamar Franco — a reeleição ao governo de Minas.
O relatório relaciona 36 envolvidos, entre os quais o atual ministro das Relações Institucionais e então vice-governador, Walfrido Mares Guia, o publicitário Duda Mendonça e o empresário Marcos Valério, também operador do mensalão montado no governo Lula a partir de 2003. A inclusão ou não de Mares Guia na denúncia ainda depende da análise de alguns documentos de defesa.
A lista inclui, ainda, os coordenadores da campanha de Azeredo, dirigentes de estatais mineiras e executivos de empresas, sobretudo empreiteiras, que tinham negócios com o governo e fizeram grandes doações sigilosas.
Segundo o relatório da PF, a coligação de Azeredo, que tinha como vice o ex-deputado Clésio Andrade, do PFL (atual DEM), promoveu um derrame de dinheiro ilegal na campanha, por meio de caixa 2. A coligação só declarou à Justiça Eleitoral R$ 8,55 milhões, dos mais de R$ 80 milhões gastos na campanha, sem contar os R$ 20 milhões que ficou devendo.
Do total gasto, conforme perÃcia contábil realizada pelo Instituto Nacional de CriminalÃstica (INC), R$ 10,8 milhões foram doados a mais de 170 candidatos de 19 partidos. A diversidade de beneficiários levou a PF a designar o escândalo de mensalão mineiro, em vez de tucano.
Em número de candidatos beneficiados com recursos do mensalão mineiro, o PT ficou em primeiro lugar, com 35 nomes, mais que a soma de PSDB (13) e PFL (14). Até para o PMDB, partido de Itamar, a coligação mandou R$ 200 mil para cooptar a candidatura de Antônio do Vale a deputado. Entre os candidatos tucanos, o segundo mais aquinhoado foi o atual governador, Aécio Neves, que recebeu R$ 110 mil. Uma vez eleito deputado federal, Aécio veio a se tornar presidente da Câmara.
A denúncia do procurador incluirá instituições financeiras que contribuÃram e ajudaram a lavar o caixa 2, que teria sido formado com dinheiro desviado de órgãos públicos e doações clandestinas de fornecedores do governo de Minas.
Na primeira fase, serão denunciados apenas os envolvidos no planejamento e operação do esquema - por corrupção ativa e passiva, lavagem de dinheiro, formação de quadrilha, falsidade ideológica, crimes financeiros e crimes eleitorais.
Com 172 páginas, o relatório é assinado pelo delegado Luiz Flávio Zampronha e está sendo analisado por Souza há quase dois meses. Segundo a perÃcia, o dinheiro veio na maior parte dos cofres públicos de Minas, tanto da administração direta como indireta, sobretudo de cinco estatais: Copasa, Bemge, Cemig e Fundação Duprat. O restante foi doado clandestinamente por grandes empresas prestadoras de serviço do Estado.
Azeredo disse que tem a expectativa de receber do procurador-geral o mesmo tratamento dispensado ao presidente Lula, na denúncia do mensalão.
Revista Consultor JurÃdico, 21 de setembro de 2007
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Comentários de leitores: 17 comentários
Faço outra pergunta, bira, qual a diferença do ...
Segundo a Folha, são mensaleiros diferentes e a...
Para complementar: Certa vez fui apresentado a ...
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