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Ranking das escolas

USP tem melhor aproveitamento mas Unip aprova mais

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No duelo imaginário que as grandes redes de ensino disputam com as escolas tradicionais de direito todos os lados têm motivos para comemorar. Enquanto diplomados de escolas como USP e PUC continuam insuperáveis em termos de eficiência, as novas escolas de direito, como as da rede Unip e da FMU, operando em escala industrial, conseguem colocar cada vez mais profissionais no mercado de trabalho da advocacia. A USP consegue aprovar 7 em cada dez de seus alunos no Exame de Ordem, a Unip, com uma legião de candidatos, conseguiu aprovar cerca de 1.400 de seus quase 9 mil alunos que participaram dos mesmos Exames de Ordem.

Com base nos resultados dos Exames de Ordem 131º (fevereiro de 2007) e 132º (junho de 2007) da OAB-SP, a Consultor Jurídico elaborou o ranking das escolas de Direito que tiveram alunos na disputa. Ou melhor, dois rankings: em um, as escolas foram classificadas de acordo com o índice de aprovação alcançado; no outro, a classificação foi feita de acordo com número absoluto de alunos aprovados. Para o ranking por índice de aproveitamento, que expressa a relação entre o número de alunos da escola que fizeram as provas e o número de alunos aprovados, foram consideradas as 119 escolas que inscreveram, pelo menos, 20 candidatos nas provas. Para o ranking por número absoluto de alunos aprovados foram elencadas as 273 faculdades representadas no Exame. Trata-se de ranking não oficial, sem reconhecimento da seccional paulista da Ordem.

Os dois Exames, feitos em fevereiro e em junho de 2007, tiveram, somados, a participação de 46.376 candidatos, representando 273 faculdades de Direito. No total, foram aprovados 10.978 candidatos, o que corresponde a um índice geral de 23,67% de aprovação. Destes números já salta um fato espantoso: a advocacia São Paulo recebeu, neste ano um novo contingente de quase 11 mil novos advogados.


Uma ressalva deve ser feita: ao somar os candidatos de duas edições do Exame de Ordem, cria-se uma distorção, pois grande parte dos concorrentes fez as duas provas. Assim, em vez de duas pessoas, tem-se a mesma pessoa contada duas vezes. A OAB não divulga o número de candidatos que está fazendo o exame pela primeira vez, ou dos que estão repetindo a prova.

Em termos de eficiência, o melhor investimento continua sendo passar no vestibular de uma escola tradicional, de preferência a vetusta escola do Largo São Francisco da Universidade de São Paulo. Nada menos que 74% dos alunos da USP que entraram nos dois Exames de Ordem, conseguiram aprovação. Em segundo lugar, aparece a PUC-SP, com 68% seguida pela Facamp de Campinas (61%), Unesp de Franca (60%) e o Mackenzie (59%).

Eficiência

No outro ranking, que classifica as escolas que mais aprovaram candidatos, em números absolutos, os campeões são a FMU, a Unip São Paulo, cada uma delas com cerca de 650 alunos aprovados. Diante dos 4.173 alunos inscritos pela Unip no Exame de Ordem, seu baixo índice de aprovação — apenas 14% — se torna irrelevante. Quando se consideram as varias unidades da rede Unip, isto fica ainda mais claro. A Unip participou do Exame da OAB com 8.854 alunos, representando 18 unidades de ensino espalhadas por todo o país, e conseguiu a aprovação de 1.435.

A USP, com sua excepcional qualidade — que começa a ser garantida no dia do vestibular, quando os melhores alunos são selecionados pra ocupar seus bancos escolares — aprovou 366 alunos no Exame de Ordem, o que equivale a 3% do total de aprovados. A Unip, com sua legião de candidatos aprovou 13% do total de aprovados. Uma ironia: todos os formandos da USP são egressos dos melhores colégios privados, enquanto os matriculados em faculdades particulares são, predominantemente, egressos das maltratadas escolas públicas.

O que leva à conclusão de que no mercado de trabalho do Direito de São Paulo haverá cada vez mais alunos da Unip e das grandes redes de ensino. E aqui não há de se falar mais de qualidade do ensino diferenciado entre as ditas escolas tradicionais e as redes industriais de ensino: o Exame de Ordem, reconhecido por sua complexidade e dificuldade, iguala a todos. Com a carteira na mão, os advogados tendem a ser cada vez mais iguais, e o certificado de origem passa a contar cada vez menos.

Aulas de Direito

O diretor da Faculdade de Direito da USP, João Grandino Rodas vê o crescimento da oferta de mão de obra no mercado com pragmatismo: “O aumento da concorrência é bom para os que precisam dos serviços de um advogado que passam a ter mais opções”, afirma. O lado negativo dessa mudança, de acordo com o Grandino Rodas, é que os honorários vão cair de forma tão grande, que pode comprometer a qualidade do serviço prestado.

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 é diretor de redação da revista Consultor Jurídico

 é repórter da revista Consultor Jurídico

Revista Consultor Jurídico, 20 de setembro de 2007, 13h06

Comentários de leitores

28 comentários

Prezados colegas, em que pese as informações co...

drnakatani (Advogado Assalariado)

Prezados colegas, em que pese as informações contidas no post, não posso deixar de consignar que não concordo com a linha seguida por este editorial. Friso tal indignação pois sob a ótica de meu simplório ponto de vista, tal matéria somente servi para evidenciar ainda mais a disputa, rídicula diga-se de passagem, de qual Instituição de ensino é melhor ou pior que outra. Novamente sob o ponto de vista de simplório causídico, o êxito profissional somente pode ser alcançado através de muita dedidação, esforço e empenho desempenhado por cada um de nós independemente de havermos nos formado na Faculdade de Direito do Largo São Francisco, PUC, MACK, ou na UNIP, UNIBAN, UNIFIEO ou qualquer outra, afinal para exercermos a profissão, nos submetemos e fomos aprovados em um mesmo Exame de Ordem. E quanto a qualidade no ensino jurídico, ou a falta da mesma, somente resta lembar o dito popular : " quem não tem competência, que não se estabeleça", não é mesmo.

Diante dos dados fornecidos pelo Conjur e de to...

Tucunduva (Professor Universitário)

Diante dos dados fornecidos pelo Conjur e de todos os comentários até agora, apenas gostaria de um pequeno e breve comentário. A Universidade de Mogi das Cruzes, Campus São Paulo ainda não formou nenhuma turma, os alunos mais adiantados estão no 8º semestre, e portanto ainda não teve nenhum candidato no exame da Ordem dos Advogados do Brasil. Sendo assim, desnecessário comentar que seria impossível existirem 67 inscritos. Nem mais se comente. Ruy Cardozo de Mello Tucunduva Sº Gestor do Curso de Direito UMC - campus São Paulo - Villa-Lobos

1) O relato do professor Alexandre é gravíssimo...

Reinaldo Del Dotore (Estudante de Direito)

1) O relato do professor Alexandre é gravíssimo! O CONJUR, em respeito a seus (fiéis) leitores, deveria, sim, independentemente do trabalho que fosse necessário, elucidar esta questão. A alternativa, não menos correta, seria a publicação de um "erramos". 2) Abstraído o acima exposto, insisto no seguinte ponto: como justificar o tratamento dado, pelo CONJUR, aos números da UNIP? (Adianto que, para esta questão, é irrelevante se a UNIP teve índice de 14%, 20% ou 25%.) O fato é que o CONJUR inverteu a lógica dos números. É o mesmo que uma equipe de futebol perder um jogo por 12 a zero e, na manhã seguinte, um jornal enaltecer a defesa desse mesmo time, por ter ela conseguido salvar um gol no finalzinho do jogo.

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