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Extradição sem revisão

Para advogados, decisão de Monaco favorece Cacciola

Os advogados italianos de Salvatore Cacciola informaram à família do ex-banqueiro no final da manhã desta quarta-feira (19/9) que a defesa obteve uma primeira vitória no processo de extradição. Poucos minutos antes, o juiz da corte de Mônaco teria negado um requerimento do representante consular brasileiro para reformular o processo de extradição.

Cacciola foi preso em função de um pedido de prisão preventiva de 1999, expedido pela 6ª Vara Federal Criminal. Acontece que um novo pedido de prisão foi feito, na terça-feira (18/9), pela 5ª Vara Federal, o que reforçaria o processo de extradição. AS informações são da jornalista Eliane Trindade, em reportagem publicada no portal Terra, nesta quarta-feira (19/9).

Segundo os advogados de Cacciola, a Justiça de Mônaco teria decidido analisar o processo a partir da documentação já apresentada anteriormente. "Os advogados italianos estão comemorando esta decisão como uma primeira derrota do Brasil no caso", diz Carlos Ely Eluf, advogado brasileiro de Cacciola, logo depois de receber um telefonema de Fabrizio, filho mais velho do ex-banqueiro condenado a 13 anos de prisão por gestão fraudulenta.

Histórico

O ex-dono do Banco Marka foi envolvido em um escândalo em janeiro de 1999, quando o real sofreu uma maxidesvalorização em relação ao dólar: o Banco Central elevou o teto da cotação do dólar de R$ 1,22 para R$ 1,32.

Com muitas dívidas assumidas em dólar, Cacciola teria pedido ajuda ao então presidente do BC, Francisco Lopes, que vendeu dólares ao bancos Marka e FonteCindam por um preço abaixo do mercado. A operação teria resultado num prejuízo de R$ 1,5 bilhão aos cofres públicos. Na época do episódio, Francisco Lopes alegou que o dinheiro foi emprestado ao Marka e ao FonteCindam para evitar uma crise que abalaria todo o sistema financeiro nacional.

Em 2005, a juíza Ana Paula Vieira de Carvalho, da 6ª Vara Federal Criminal do Rio de Janeiro, condenou Francisco Lopes a dez anos de prisão por peculato, crime em que um funcionário público usa o cargo para apropriar-se de dinheiro ou beneficiar outros ilegalmente. Na mesma sentença, foram condenados Cacciola e os diretores do Banco Central Tereza Grossi, Cláudio Mauch e Demósthenes Madureira de Pinho Neto, além de Luiz Antonio Gonçalves e Roberto Stenfeld, do FonteCindam.

Revista Consultor Jurídico, 19 de setembro de 2007, 22h25

Comentários de leitores

6 comentários

A extradição de Cacciola para o Brasil está atr...

Diaz (Contabilista)

A extradição de Cacciola para o Brasil está atrapalhando o sono de muita gente com mãos sujas e rabo preso com o estelionato de colarinho branco. A “grande imprensa” não faz alarde, mas o tucanato tem bons motivos para se preocupar com o recurso da “delação premiada” tão valorizada por ele a cada CPI usada para golpear o atual governo. FHC, em particular, deve se preocupar pois em seu governo o caso Marka/Fonte Cindam foi abafado, o principal acusado fugiu pela porta da frente e não ficou esclarecido o vazamento de informação privilegiada sob responsabilidade de altos funcionários do Banco Central e Ministério da Fazenda. O escândalo Marka/Fonte Cindam envolveu muita política, corrupção e um rombo de 1,6 bilhões de reais aos cofres públicos. Muito dinheiro para que apenas um homem pudesse operar sem pagar polpudos pedágios a detentores de cargos chaves no então governo FHC. Ironicamente o estelionatário Salvatore pode nos salvar da mediocridade servil de colunistas e comentaristas das indústrias de comunicação, preocupadas que estão em construir o próximo mensalão. A chamada oposição não resistirá unida caso Cacciola comece a revelar os bastidores de um dos maiores assaltos aos cofres públicos promovido por figurões do setor privado com ajuda de elementos de confiança dos paladinos da moralidade tucana.

Prezado HAMMER: você tem toda razão. tudo indic...

Edusco (Advogado Autônomo - Civil)

Prezado HAMMER: você tem toda razão. tudo indica que o caso Cacciola foi plantado estrategicamente pelo (des)Governo Lula para ajudar a esfriar mais rápido a pizza senatorial do Calhordeiros. Ou por acaso alguem acredita em coincidência: menos de uma semana depois do vexame no senado a mídia ressucita este "affair" ! Francamente, o mais carcástico é que o mesmo ministro que expulsou os atletas cubanos "a mando" de Fidel, tem como prêmio uma viagem ao mega-cassino de Mônaco. Nem Dias Gomes, em seus melhores tempos de novelas na Globo, não escrevia uma rede de intrigas melhor engendrada que o atual cenário político federal. Parece que o Stephen King está de olho nos direitos autorais deste pantagruélico contexto e negocia direto com o "chefão" uma mega-produção cinematográfica de fazer inveja a Erasmo de Rotterdam e seu histórico "Elogio da Loucura". Palmas, de novo, para o chefão do mensalão, campeão de audiência popular !

Estou admirado da quietude do governo italiano ...

Dijalma Lacerda (Advogado Sócio de Escritório - Civil)

Estou admirado da quietude do governo italiano até agora. Afinal de contas o homem é cidadão italiano, residente e domiciliado na Itália ! Será que a Itália vai deixar um cidadão seu ser extraditado assim, sem falar um "a" ? Sinceramente? Duvido !

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