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Pensão vitalícia

Pensão para ex-governador não é imoral, diz Gilmar Mendes

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A criação de pensões especiais para ex-chefes do Poder Executivo não fere o princípio da moralidade pública, de acordo com o ministro Gilmar Mendes, vice-presidente do Supremo Tribunal Federal. Para ele, a inconstitucionalidade da lei proposta por Zeca do PT, que garantia pensão vitalícia a ex-governadores de Mato Grosso do Sul, está no fato de ter violado o princípio da divisão de poderes.

Segundo o ministro, a Emenda à Constituição do estado foi aprovada pela Assembléia Legislativa sem a participação do Poder Executivo. Por isso, é inconstitucional. Mas Gilmar Mendes defendeu que, obedecidos os trâmites regulares, a criação de pensões para ex-chefes do Poder Executivo nada tem de irregular. “Muito refleti sobre o tema e, hoje, estou convencido de que nosso sistema constitucional permite a criação de pensões especiais como esta de que estamos tratando.”

Em seu voto, o ministro discorda da interpretação da ministra Cármen Lúcia, relatora, de que a norma fere o princípio da moralidade e da impessoalidade. “O princípio da moralidade não pode servir, isoladamente, de parâmetro de controle em abstrato da constitucionalidade dos atos normativos emanados do legislador democrático”, diz Gilmar Mendes.

O ministro também diverge do argumento de que houve desrespeito ao princípio da igualdade. Para Cármen Lúcia, a pensão pretendida “desiguala não apenas os cidadãos que se submetem ao regime geral da previdência como também os que provêm cargos públicos de provimento transitório por eleição ou comissionamento”.

Gilmar Mendes diz que os chefes do Executivo de fato merecem certas garantias. “A própria eleição, em regime democrático e num sistema de votação direta e universal, torna o representante do governo um cidadão distinto dos demais”, defende. Segundo ele, se partirmos do pressuposto de que o sistema exige tratamento desigual diante de situações desiguais, o princípio da igualdade pode ser descartado.

O resultado

O Supremo Tribunal Federal derrubou a pensão vitalícia para ex-governadores de Mato Grosso do Sul. Por dez votos a um, os ministros acolheram a Ação Direta de Inconstitucionalidade apresentada pelo Conselho Federal da OAB contra a pensão ao ex-governador do estado Zeca do PT. A aposentadoria para os ex-dirigentes foi promulgada pela Assembléia Legislativa no apagar das luzes da administração Zeca do PT em Mato Grosso do Sul. Além de vitalícia, a pensão era extensiva aos herdeiros em caso de morte.

Leia o voto de Gilmar Mendes

AÇÃO DIRETA DE INCONSTITUCIONALIDADE 3.853-2 MATO GROSSO DO SUL

RELATORA: MIN. CÁRMEN LÚCIA

REQUERENTE(S): CONSELHO FEDERAL DA ORDEM DOS ADVOGADOS DO BRASIL

ADVOGADO(A/S): MARCELO ROCHA DE MELLO MARTINS

REQUERIDO(A/S): ASSEMBLÉIA LEGISLATIVA DO ESTADO DE MATO GROSSO DO SUL

VOTO-VISTA

O SENHOR MINISTRO GILMAR MENDES:

Discute-se na presente ação direta de inconstitucionalidade se o legislador constituinte dos Estados-membros pode instituir subsídio mensal e vitalício a ser concedido àqueles que exerceram mandato como Chefe do Poder Executivo local.

O objeto da ação é o art. 29-A, caput e §§ 1º, 2º e 3º do Ato das Disposições Constitucionais Gerais e Transitórias da Constituição de Mato Grosso do Sul, introduzido pela Emenda Constitucional n° 35, de 20 de dezembro de 2006, o qual possui o seguinte teor:

“Art. 29-A – Cessada a investidura no cargo de Governador do Estado, quem o tiver exercido em caráter permanente, fará jus a um subsídio, mensal e vitalício, igual ao percebido pelo Chefe do Poder Executivo.

§ 1º - O recebimento do subsídio é restrito ao exercente de mandato integral e não poderá ser cumulativo com a remuneração de cargo eletivo ou de livre nomeação federal, estadual ou municipal.

§ 2º - Em caso de falecimento do beneficiário o cônjuge supérstite receberá a metade do subsídio, aplicando a mesma a inacumulabilidade prevista no parágrafo anterior.

§ 3º - O subsídio poderá ser retirado pelo voto de 2/3 da Assembléia Legislativa em caso de provada indignidade do beneficiário, pela prática de ato grave no exercício de mandato eletivo ou cargo de livre nomeação.”

 é repórter da revista Consultor Jurídico

Revista Consultor Jurídico, 12 de setembro de 2007, 22h05

Comentários de leitores

16 comentários

Cumprir Promessas de Campanha. O STF já decidi...

Trunfim (Escrivão)

Cumprir Promessas de Campanha. O STF já decidiu que o mandato é do partido. E eleitos estão sendo cassados. Entretanto, tenho certeza que o rigor da Justiça contra políticos deve ser maior no sentido de obrigá-los a comprir os chamados "planos de governo (mesmo simples promessas)". Todos os Políticos se dizem trabalhadores, do lado dos pobres, dizem que também são simples "pessoas iguais a você". Principalmente os politicos do PT. Então é um absurdo esta pensão vitalícia do sr. ZECA DO PT (veja que apelido tão popular. Todos os politicos assim que assumem o cargo, para cumprir as suas promessas e atender as justas reivindicações populares, são unânimes: acionam a tropa de choque e a cavalaria.

Pois é Sr. Ministro... Imoral é pagar pensao v...

antonio costa17 (Contabilista)

Pois é Sr. Ministro... Imoral é pagar pensao vitalía para Aposentados que contribuiram toda a sua vida para um Fundo de Pensao como o AERUS da Varig, ora justificado incorretamente pela secretaria de previdencia complementar que assim como a ANAC, trata-se de mais um orgao governamental criado para dependurar os protegidos do governo, que nada fazem e recebem mensalmentes seus elevadíssimos salarios de Direito adquiridos, embora nao consigam justificar a eficácia de sua existencia.

Para combater a detida reflexão do ministro ...

darthsithious (Outros)

Para combater a detida reflexão do ministro basta fazer que tenhamos em mente que vivemos em um estado democrático ou seja os representantes são eleitos para governarem para o bem do povo e não para se locupletarem E,do ponto de vista do povo esta pensão é sim uma imoralidade porque desvinculada da realidade brasileira onde faltam recursos,ou são desviados para custear um estado extremamente onerado.Atenção a todos os juízes devem parar de julgar sem ter um compromisso com a realidade se não nós caímos na seguinte falácia: Poderíamos julgar baseados numa realidade de daqui a uns trezentos anos (considerando os avanços da genética,religião,medicina etc) o que talvez seja justiça da sociedade daqui a uns trezentos anos não o é hoje bem como não o seria se pudéssemos voltar no tempo e aplicar o nosso direito de hoje a sociedades que nos precederam seria uma incompatibilidade gritante.E para finalizar deveria ser requisito fundamental para qualquer juiz em qualquer grau de jurisdição possuir como qualidade a empatia ou seja a capacidade de colocar-se na situação do outro.Ao fazer essa experiência comigo mesmo tanto pensando em ser um ex-governador como sendo um entre muitos aposentados que recebem proventos aviltantes sinto que não me sentiria bem ao receber a citada pensão.E se eu sujeito médio do Direito posso fazer essa elucubração quanto mais um juiz da Suprema Corte!

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