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29 outubro 2007

Cantada no deserto

Beduíno é condenado a pagar 46 camelos por paquerar mulher

Um beduíno da península do Sinai — que fica entre Egito e Israel — foi condenado a pagar 40 camelos por ter paquerado uma mulher pertencente a outra tribo. Os juízes locais haviam ordenado que o homem tivesse a língua cortada, mas a punição foi trocada pelo pagamento de mais seis camelos depois de uma negociação de três horas. A informação é do jornal Akbar al-Yom na edição de sábado (27/7) e repercutida pelas agências de notícias.

Ele vive no sul da península, onde vigoram leis especiais impostas pelos próprios beduínos. Como a cantada foi dada no momento em que ele dirigia o seu carro, o homem também terá que se desfazer do veículo. A moça trabalhava em uma fazenda quando o homem, ao vê-la, lançou uma série de elogios aos seus atributos físicos.

O beduíno terá que pagar os 46 camelos ou o equivalente a seu valor, calculado em 80 mil libras egípcias (mais de R$ 25 mil). Um dos animais terá de ser “original”, denominação dada a uma raça de camelo veloz. Os advogados da ofendida alegaram que a pena deveria ser contada pelas horas de trabalho perdidas. Durante o tempo que levou para apresentar queixa, o gado pelo qual é responsável ficou abandonado.

Já a defesa argumentou que o homem nunca manifestou qualquer interesse genuíno pela mulher. Se realmente quisesse, teria pedido a moça em namoro antes de fazer qualquer comentário indecoroso. O pedido de namoro não é um processo fácil. Segundo as leis beduínas, o pretendente tem de comunicar as suas intenções a um intermediário, que as passa à mulher. Somente aí ela que decide se aceita o homem em namoro.

Revista Consultor Jurídico, 29 de outubro de 2007

Comentários

Comentários de leitores: 12 comentários

1/11/2007 05:48 Celso Pereira da Silva (Advogado Autônomo)
Terá que desfazer do carro e pagar o equivalent...
Terá que desfazer do carro e pagar o equivalente a 40 camelos. É parece que - lá - a pena desproporcional facilita indenização.
31/10/2007 12:52 Freire (Advogado Autônomo)
Caro Dr. Vitor. Foi com satisfação que fiz a le...
Caro Dr. Vitor. Foi com satisfação que fiz a leitura de seu comentário. Confesso que apartes como o seu nos anima, quer pela seriedade, quer pela elegância das suas palavras. Tenho que reconhecer que as notícias são, na sua grande maioria, sérias e procedentes. O que me deixa perplexo às vezes, é a forma dos comentários, a linguagem usada etc. Agradeço a manifestação do ilustre colega, pela lhaneza e altura do debate. De resto, como bem colocado " cá entre nós, há necessidade de se comentar uma notícia dessas com seriedade?
31/10/2007 12:14 Vitor M. (Advogado Associado a Escritório)
Dr. Freire, o Senhor se engana. Os comentários,...
Dr. Freire, o Senhor se engana. Os comentários, normalmente, acompanham a seriedade da notícia. vejo, diariamente, uma série de comentários sérios e relevantes. Talvez, se o Sr. pesquisar um pouco mais pelo site também os verá, sem falar que, ironia nem semrpe é sinônimo de falta de seriedade. Agora, cá entre nós, há necessidade de se comentar uma notícia dessas com seriedade?

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