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1 outubro 2007

Narrativa histórica

Livro relata como a fuga da família real mudou a história do Brasil

Resultado de uma investigação jornalística de dez anos, o livro 1808, do jornalista Laurentino Gomes, relata como a fuga da família real portuguesa mudou a história do Brasil e de Portugal. “É uma síntese histórica que brilha pela limpidez das explicações e pelo interesse de projetar o passado no presente” definiu a historiadora Mary Del Priore em resenha publicada na revista Veja.

O livro 1808 — Como uma rainha louca, um príncipe medroso e uma corte corrupta enganaram Napoleão e mudaram a História de Portugal e do Brasil, é um relato detalhado de uma parte fundamental da história brasileira. A obra mostra, em tom jornalístico, as razões e as conseqüências da fuga da família real portuguesa para o Brasil em 1807 e 1808.

Inspirada em uma pauta da revista Veja de 1997, a obra trata das razões que levaram a transferência da corte e suas conseqüências na História do Brasil e de Portugal. É dividida em 28 capítulos, com um total de 42 páginas. Dois cadernos-cor mostram 36 ilustrações de cronistas e pintores da época, como Debret, Rugendas, Henderson e Chamberlain.

Inclui ainda um mapa da viagem de D. João e uma “linha do tempo”, mostrando os principais acontecimentos no Brasil e no mundo entre a Revolução Francesa e a Independência brasileira.

Segundo o autor, o livro tem dois objetivos principais. O primeiro é resgatar a história da corte portuguesa no Brasil do relativo esquecimento a que foi confinada e tentar devolver seus protagonistas à dimensão mais correta possível dos papéis que desempenharam duzentos anos atrás. O segundo objetivo do livro, segundo ele, é tornar esse pedaço da história brasileira mais acessível para leitores interessados nos acontecimentos do passado, mas que não estão dispostos a decifrar a rebuscada linguagem dos livros acadêmicos.

O livro também mostra que, ao mesmo tempo em que a chegada da Corte Portuguesa trouxe a criação do Supremo Tribunal Federal, a abertura dos portos, o início das importações e outros benefícios, alguns dos problemas brasileiros que julgamos tão atuais —, como corrupção, criminalidade, clientelismo, ineficiência na administração pública e desigualdade social — já estavam todos aqui em 1808 ou também chegaram junto com a Corte.

De acordo com o autor, se D. João e a família real não tivessem fugido de Portugal para o Rio de Janeiro, o Brasil não existiria como é hoje. “Provavelmente teria se pulverizado em pequenas repúblicas, como aconteceu com a América espanhola. Seria uma constelação de países irrelevantes na América do Sul, cuja liderança caberia à Argentina. D. João, portanto, criou o Brasil independente e gigantes que temos hoje, com todas as suas virtudes e defeitos”, enfatiza Laurentino Gomes.

A obra exigiu dez anos de pesquisas, nos quais o autor leu ou consultou mais de 150 livros e obras de referências em locais tão diferentes quanto a Biblioteca Nacional da Ajuda, em Lisboa, a Biblioteca Thomas Jefferson do Congresso Americano, em Washington, e a Biblioteca Mindlin, em São Paulo.

O autor

Laurentino Gomes é jornalista, formado pela Universidade Federal do Paraná com pós-graduação em Administração pela Universidade de São Paulo e cursos nas universidades de Cambridge, na Inglaterra, e Vanderbilt, nos Estados Unidos.

Tem 30 anos de experiência como repórter e editor de alguns dos principais jornais e revistas brasileiros. Trabalhou oito anos no jornal O Estado de S. Paulo e 15 anos na revista Veja. Atualmente dirige uma unidade da Editora Abril responsável pela publicação de 23 títulos.

Ficha técnica:

Livro: 1808 — Como uma rainha louca, um príncipe medroso e uma corte corrupta enganaram Napoleão e mudaram a História de Portugal e do Brasil.

Autor: Laurentino Gomes

Páginas: 420

Editora: Planeta

Preço: R$ 39,90

Revista Consultor Jurídico, 1º de outubro de 2007

Comentários

Comentários de leitores: 3 comentários

2/10/2007 18:04 Lucas Janusckiewicz Coletta (Advogado Autônomo)
Sempre criticas ao periodo monarquico brasileir...
Sempre criticas ao periodo monarquico brasileiro, no entanto, os ditos "historiadores" esquecem de comparar um regime republicano com um estado monarquista: e mais barato manter a Rainha da Inglaterra do que um presidente operario no Poder, sem contar que os principes e os reis sao ensinados desde cedo a governar para o povo, do qual este soberano e seu tutor das quais ele tem que prestar conta perante a Deus sobre seus atos; agora manter um presidente sem nenhuma cultura no poder, nao pode sair boa coisa. Uma rainha louca e um principe medroso nao poderia fazer os estragos que fizeram a napoleao, pois se esquece tambem que nos brasileiros anexamos a Guiana Francesa ao nosso territorio, onde a Franca nos pagou uma boa quantia. Por que nenhum estoriador (com e mesmo)escreve este fato. A historia da Franca se escreve antes da Revolucao francesa quando ela ainda existia e depois foi destruiada pelos revolucionarios, assim tambem e o Brasil, o brasil do periodo monarquico, onde eramos umas das potencias mundiais e hoja, uma republica cheia de impostos e corrupta. Na monarquia nao foi assim, tirando Dom Pedro I que era macon e favorecia sua laia que vem corrompedo o Brasil ate hoje. Foi com a Imperatriz Leopoldina que o Brasil teve sua primeira governante mulher, esta sim que decretou nossa independencia, uma mulher preparada para governar e que morreu de desgosto, mas deixou um grande imperador como D. Pedro II, cujo o bom trabalho ressoa ate hoje.
2/10/2007 13:22 JRXF (Assessor Técnico)
Creio impossível que a chegada da família real ...
Creio impossível que a chegada da família real tenha resultado na criação do STF... Afinal, sequer Estado o Brasil ainda era, quanto mais Federal. Sugiro retificação do texto.
2/10/2007 11:36 A.G. Moreira (Consultor)
Quem não conhece a ( real) história do Brasil, ...
Quem não conhece a ( real) história do Brasil, não pode ( por absoluto desconhecimento ) relatar a história de Portugal !!!

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