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13 novembro 2007

Direitos autorais

Donos de cinemas contestam poderes do Ecad no Senado

Por Maria Fernanda Erdelyi

“O Ecad tem um poder de dar inveja a Hugo Chávez, sem controle estatal”, afirmou nesta quarta-feira, no Senado, Ricardo Leite, presidente Federação Nacional das Empresas Exibidoras Cinematográficas (Feneec). “Estão querendo minimizar o valor da música no país”, rebateu Glória Braga, a superintendente executiva do Ecad — Escritório Central de Arrecadação e Distribuição de Direitos Autorais.

Esse foi o tom da audiência pública na Comissão de Educação, Cultura e Esporte do Senado, que discutiu os métodos do Ecad na gestão dos direitos autorais e a cobrança dos direitos no caso das músicas tocadas em filmes no cinema.

Ricardo Leite disparou contra o monopólio e os valores cobrados pelo Ecad, além de reclamar da falta de fiscalização sobre a entidade. Para Glória Braga, os compositores, assim como os diretores, têm direitos autorais. Segundo ela, os diretores e argumentistas recebem 47% da bilheteria por filme exibido. Cabe então, ao Ecad, cobrar dos exibidores 2,5% pelos direitos autorais dos compositores.

A cobrança de direitos autorais por músicas inseridas em filmes é alvo de embates entre o Ecad e os exibidores também no Judiciário. O Ecad tem obtido liminares na Justiça para penhorar bens dos exibidores e até impedir a exibição de filmes. Ricardo Leite argumenta que as salas exibem filmes, não música. E que os exibidores serão levados à extinção se coagidos a acatar os valores “unilaterais e elevados” impostos pelo Ecad. Ele defende uma revisão da lei de direito de autor para excluir a cobrança.

Essas entre outras questões motivaram três senadores — Flexa Ribeiro (PSDB-PA), Flávio Arns (PT-PR) e Raimundo Colombo (DEM-SC) — a requisitar a audiência pública. Marcada para as 10 horas desta terça-feira (13/11), a reunião começou com uma hora de atraso e contou com a presença de meia dúzia de senadores. Mais de 10 parlamentares assinaram a lista e deixaram a comissão. Apenas um participou dos debates.

Em entrevista à Consultor Jurídico, publicada neste domingo (11/11), Glória explicou como é feita a distribuição dos direitos autorais. “Suponhamos que o faturamento de um show seja de R$ 10 mil e que o Ecad recolha 10%, que são R$ 1 mil. Desse valor, 18% ficam com o Ecad e 7% com as associações. Ou seja, descontamos 25%. Logo, o líquido desse show é de R$ 750 em direitos autorais.”

De acordo com o advogado Nehemias Gueiros Jr., especializado em Direito Autoral e convidado para a audiência pública no Senado, os detentores de direitos autorais não estão satisfeitos com a atuação do Ecad. O advogado reconhece a importância do Ecad na garantia dos direitos autorais, mas chama a atenção para considerada agressividade na cobrança — depois de três boletos em aberto, o Ecad procura o Judiciário. Também criticou o monopólio na arrecadação e a falta de fiscalização sobre a entidade.

A diretora da Associação Brasileira de Direito Autoral (Abda), Maria Cecília Garreta Prats, saiu em defesa do Ecad. “O Ecad só arrecada e distribui. Quem negocia são as associações, que também fiscalizam”, disse. O Ecad é administrado por 10 associações de música e representa todos os titulares de obras musicais — autores, interpretes, músicos, entre outros.

“O autor não pode deixar de ser remunerado. Nem que sua música seja tocada numa festa beneficente”, defende Maria Cecília. Para ela, a atuação do Ecad e a cobrança pelos direitos autorais é uma forma de preservar a cultura do país. Esta foi a primeira de outras audiências públicas que devem tratar do tema na Comissão Educação, Cultura e Esporte do Senado. A comissão vem discutindo e amadurecendo projetos que tratam da cobrança de direitos autorais.

Maria Fernanda Erdelyi é correspondente da Revista Consultor Jurídico em Brasília.

Revista Consultor Jurídico, 13 de novembro de 2007

Comentários

Comentários de leitores: 13 comentários

15/11/2007 00:20 Cris (Advogado Autônomo)
Possivelmente exista muita fraude no Ecad! Fui...
Possivelmente exista muita fraude no Ecad! Fui participante da comissão de formatura de minha turma e ficou ao meu cargo contatar com o Ecad, já que era a tesoureira. Liguei para o Ecad e eles apenas perguntaram o número de formandos, que eram 30 no total. Com tal informação a atendente me disse o valor de + ou - R$ 200,00 (duzentos reais) não lembro ao certo. O Ecad mandou para o meu e-mail o doc para pagamento, e EM NENHUM MOMENTO, ATÉ HOJE, JÁ PASSAODOS MAIS DE DOIS MESES DA FORMATURA, estes não me pediram a lista das músicas que foram tocadas. Quando contatei com o Ecad eu perguntei se teria de mandar a lista com as músicas, e eles disseram que não era necessário... Como assim? Eles advinham por "telepatia" quais as músicas tocadas, e depois disso distribuem os valores aos artistas???? Me poupem... Onde foi parar tal valor se não foi para os artistas que produziram as músicas?????
14/11/2007 17:12 Roberto Lopes Ferigato (Outros)
A CPI do Ecad de 1995 pra quem lembra foi muito...
A CPI do Ecad de 1995 pra quem lembra foi muito clara e objetiva, acatando as várias denúncias formalizadas por depoentes e por diversos artistas, propondo ao Ministério Público o indiciamento das pessoas físicas e jurídicas por formação de cartel e abuso do poder econômico e por montarem esquema de arrecadação e distribuição de direitos autorais conexos voltado apenas para beneficiar os artistas estrangeiros, subeditores e editores,acreditem!(até agora ninguém foi punido) e estas pessoas físicas e jurídicas continuam no monopólio.Sou compositor de trilhas sonoras à 10 anos e não conheço ninguém que recebeu royalties das execuções cinematográficas, na minha opinião acho que temos que negociar diretamente com os produtores e não encarecer os ingressos, mesmo porque eu não acredito em arrecadar direito autoral sem os respectivos roteiros musicais ( planilhas de repertório), isso é jogar dinheiro fora é propina, temos o exemplo das casas noturnas bares etc que o empresário paga ao Ecad mas os compositores nada recebem com o cinema querem fazer o mesmo, não se iludam eles não querem remunerar os autores querem apenas arrecadar sem o comprovante de repertório tornando impossível a aferição e a reivindicação dos nossos direitos. O problema dos Brasileiros é o esquecimento a impunidade.
14/11/2007 12:03 Musiko (Outros)
É preciso ensinar a Dr. Maria Cecilia, que o EC...
É preciso ensinar a Dr. Maria Cecilia, que o ECAD não "só arrecada e distribui" como ela diz, mas também cria problemas fictícios na hora da distribuição, apenas para engordar o tal "valores retidos para análise". As'incríveis análises' duram anos. Seria bom o Ecad explicar tb o que é 'reserva técnica' dos valores arrecadados. São muitos milhões de reais reservados ninguém sabe pra quê ou pra quem.

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