Notícias
30 março 2007
Apagão aéreo
Controladores suspendem greve e aeroportos voltam a operar
Os controladores de vôo resolveram suspender a greve que paralisou todos os aeroportos do país, na noite desta sexta-feira (30/3). A decisão de suspender o movimento ocorreu depois de uma reunião dos grevistas com o ministro do planejamento Paulo Bernardo, conforme informou em entrevista coletiva à imprensa o ministro da Comunicação, Franklin Martins, em Brasília, nos primeiros minutos do sábado.
A iniciativa de negociar com os grevistas partiu do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que se encontra em viagem oficial nos Estados Unidos. Na reunião, segundo Martins, ficou acertado que os controladores de vôo terão um encontro com o presidente na terça-feira (3/4), em que serão discutidas suas reivindicações. Eles pedem o pagamento de uma gratificação extra, a criação de um plano de carreira da categoria e a desmilitarização do controle aéreo. Logo após a reunião, os controladores de vôo que estavam amotinados no Cindacta-1 abandonaram o prédio e retomaram suas atividades. Aguarda-se a normalização dos vôos no país, suspensos no início da noite, para as próximas horas.
Descontrole total
Na noite de sexta-feira a Infraero informou a suspensão do tráfego em todos os 49 aeroportos comerciais no território nacional enquanto os controladores de vôo estivessem amotinados. Cerca de 260 controladores do Cindacta-1 (Centro Integrado de Defesa Aérea e Controle do Tráfego Aéreo), em Brasília, se aquartelaram nesta sexta-feira (30/3) para protestar contra alegadas más condições de trabalho. Eles reivindicam a desmilitarização do setor, gratificação emergencial, criação de uma carreira de Estado e melhoria nos equipamentos.
O Comando da Aeronáutica determinou a prisão de 18 grevistas. Durante o vôo para os Estados Unidos, o presidente Lula determinou que a prisão fosse abortada.
As reivindicações salariais dos controladores é´um nó dificil de desatar dentro das negociações entre a corporação e as autoridades. Por causa da hierarquia militar, um aumento no salário dos controladores, que são sargentos, criaria um efeito cascata nos rendimentos dos superiores. Para se libertarem desta cadeia hierárquica, eles exigem a desmilitarização da carreira. A Aeronáutica, por seu lado, resiste a abrir mão do setor, que considera estratégico. O Brasil é um dos poucos países que tem o tráfego aéreo controlado por militares.
O governo ameaça contratar controladores estrangeiros. Em casos de emergência, a legislação permite a contratação sem concurso público. O sindicato dos aeronautas afirma que a decisão não surtiria efeito imediato. O tempo de adaptação é de no mínimo dois meses. A entidade ainda diz que o governo ignorou as conclusões propostas pelo Grupo de Trabalho criado depois do acidente do vôo 1907 da Gol.
O choque de um Boeing da empresa aérea Gol com um jato executivo particular em 29 de setembro do ano passado, que matou 154 pessoas, foi o estopim da crise na navegação aérea que se prolonga indefinidamente até o momento e não tem prazo para acabar. Em seis meses de caos no tráfego aéreo milhares de passageiros perderam viagens, amargaram filas e gastara, tempo nos aeroportos, mas nem o governo nem os controladores foram capazes de encontrar uma solução para o problema que criaram em combinação.
A decisão de interromper as atividades em todo o Brasil ocorreu na própria sede do Cindacta 1, depois que os sargentos foram advertidos pelo comandante da unidade, coronel Carlos Aquino, para que refletissem sobre o aquartelamento. O coronel avisou que não hesitaria em “usar o regulamento” e lembrou que os subordinados poderiam ser enquadrados por promoverem um motim. Irritados com as ameaças, os controladores resolveram partir para a paralisação total dos vôos.
Segundo a Agência Estado, o estopim para o início da movimentação foi a transferência obrigatória do sargento controlador Edileuso do Cindacta1 para o centro de Santa Maria, no Rio Grande do Sul. De acordo com a Aeronáutica, a transferência foi feita “por necessidade de serviço”. O sargento Edileuso é diretor de mobilização da Associação Brasileira dos Controladores de Vôo.
Na manhã desta quinta-feira, convocados por seus chefes, os sargentos participaram de uma formatura pelo Dia do Meteorologista, e decidiram que, a partir dali, que permaneceriam nas unidades, iniciando uma espécie de aquartelamento. Às 15 horas, a turma que trabalhava pela manhã deveria deixar o serviço. Mas eles decidiram ficar no Cindacta 1, engrossando o movimento.
Além dos militares de Brasília, seguiram o mesmo caminho os controladores de Manaus, Salvador, Curitiba e do Galeão, no Rio de Janeiro.
Por volta das 15h30, o comandante do Cindacta 1 reuniu os sargentos pedindo que voltassem atrás para não serem enquadrados por insubordinação e motim. Nenhum controlador respondeu a uma única pergunta do coronel Aquino e voltaram a se reunir quando decidiram pela radicalização do movimento.
Revista Consultor Jurídico, 30 de março de 2007
Arquivo
Leia também: Textos relacionados
- 27/03/2007 Supremo recebe informações sobre a CPI do Apagão Aéreo
- 20/03/2007 CCJ aprova recurso do PT contra criação de CPI
- 14/03/2007 Oposição precipitou-se ao pedir resgate de CPI ao STF
- 14/03/2007 Decisão sobre instalação de CPI do Apagão Aéreo é adiada
- 12/03/2007 Oposição pede ao STF abertura da CPI do apagão aéreo
- 20/12/2006 Entidades processam União, Anac e empresas aéreas
Comentários
Comentários de leitores: 5 comentários
Caro A.G. Moreira Lula e o nosso inepto min...
O Presidente da República criou um precedente, ...
Somos réfens desta classe? O governo tem que ag...
Ver todos comentários
A seção de comentários deste texto foi encerrada em 07/04/2007.