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26 maio 2007
Peça chave
Zuleido Veras se recusa a depor e é conduzido de volta à PF
Mal começou e já terminou o depoimento do dono da Gautama, Zuleido Veras. Ele se recusou a falar e saiu do Tribunal algemado de volta à carceragem da Polícia Federal em Brasília. A ministra Eliana Calmon, relatora do inquérito, já pediu à Polícia Federal que envie outros sete suspeitos para depor ainda nesta tarde.
Zuleido Veras, preso na quinta-feira (17/5), é apontado pela Polícia Federal como cabeça do esquema de fraude de licitações e desvio de dinheiro público investigado na Operação Navalha. O depoimento dele começou às 14h30 e durou pouco mais de cinco minutos. Ele pode ser reconvocado a qualquer momento para prestar informações ao STJ.
A construtora Gautama, eixo central do esquema, direcionava editais para fraudar licitações de obras no Governo Federal, nos estados e municípios, segundo afirma a PF. As transações eram feitas por meio de pagamento de propina a servidores, políticos e ex-políticos.
Outros depoimentos
A ministra Eliana Calmon terminou na manhã deste sábado (26/5) o interrogatório com a diretora comercial da Gautama, Maria de Fátima Palmeira, que permanece presa. O depoimento começou no final da tarde de ontem e suspenso às 23h30. Retomado na manhã deste sábado, teve duração total de oito horas. Maria de Fátima é apontada pela Polícia Federal como intermediária no pagamento de propinas, além de viabilizar o direcionamento de obras públicas para a empresa.
Depois de prestar informações no STJ, Maria de Fátima sentiu-se mal e foi socorrida pelo atendimento médico do Tribunal. Uma ambulância chegou a ser requisitada, mas ela deixou o STJ escoltada pela Polícia Federal às 16h. A advogada Sônia Rao, que representa Zuleido Veras, Maria de Fátima e Vicente Vasconcelos, acaba de entrar com pedido de habeas corpus no Supremo Tribunal Federal pedindo a liberação dos três.
Desde segunda-feira (21/5), quando teve início os depoimentos no STJ, a ministra Eliana Calmon ouviu 33 pessoas. Destas, apenas Vicente Vasconcelos, diretor da empresa no Maranhão, permanece detido. Das 48 pessoas detidas na operação, apenas dez permanecem presas. Os envolvidos no esquema de fraude em licitações e desvio de dinheiro público são suspeitos de corrupção e tráfico de influência.
Maria Fernanda Erdelyi é correspondente da Revista Consultor Jurídico em Brasília.
Revista Consultor Jurídico, 26 de maio de 2007
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