Pediatra é condenada por morte de criança no Paraná

13/05/2007 13:44Ramiro. (Advogado Autônomo) Há uma discussão interessante aberta. Em qualq...
Há uma discussão interessante aberta. Em qualquer livraria jurídica multiplicam-se os livros sobre a responsabilidade civil do médico. Neste caso em particular a clínica deveria responder por culpa em eligendo e culpa em vigilando, culpa pela escolha do profissional e pela não vigilância que deveria exercer sobre a atividade da residente. Está faltando um sistema de freios e conttra pesos. É mais fácil descascar o médico no Tribunal que ir em cima do SUS. As emergências e ambulatórios públicos realmente encurtam a vida de qualquer médico. Colocam o profissional para atender na pediatria, 70% ou mais dos casos, dependendo do lugar, é não de intervenção medicamentosa, é de fome. Crianças em estado avançado de desnutrição. A culpa das instituições, ir em cima da clínica, dá muito mais trabalho a qualquer advogado do que ir em cima de uma médica que ganha pouco, residentes ganham pouco, embora ganhem muito mais que qualquer doutorando em física ou matemática ou qualquer outra área. A bolsa de residência ultrapassa as bolsas de doutorado. Por outro lado continuam sendo mão de obra barata, carga horária oficial de 60h de trabalho semanal, sempre estourada, e as horas de seminários, de sala de aula que deveriam acontecer, nunca acontecem, raríssimas são nos melhores hospitais universitários. E ainda o CFM está tendo que lutar por que estão querendo destruir, demolir, reduzir para pior a ineficiente residência médica brasileira. A questão é de interesse de todos. Pode se ter o melhor plano de saúde, sofrendo um acidente em via pública o agente de emergência estatal é obrigado a levar a vítima a hospital público. Depois processar agente público, tem direito a prazo em quadrúplo para contestação e prazo em dobro para qualquer outro recurso. Na comarca o privilégio da advocacia da união ser notificada pessoalmente, e todo tipo de vantagam para o processo andar em ritmo gastrópode. E ganhhando, vai para os precatórios.
12/05/2007 20:56Band (Médico)Caro Figueredo A verdade é que curso de medi...
Caro Figueredo A verdade é que curso de medicina não dá condições nenhuma para alguém ser médico. E o real aprendizado se faz na residência, cujo curso de formação para a ser unicamente para preparação para a mesma! Mesmo assim, a moça estava numa residência de pediatria, e portanto, deveria ter alguém mais experiente para orientá-la! Além, é claro, dos fatores que você menciona, como dificuldade de autorizar exames, de leitos hospitalares, de sobrecarga de trabalho que fica tudo nas costas da aprendiz de feiticeira apenas!
12/05/2007 18:57figueiredo (Médico)Band, Não é bem assim... sabemos que o residen...
Band, Não é bem assim... sabemos que o residente já é um profissional médico,e não só pode como deve arcar com as suas responsabilidades profissionais,sabemos também que a maioria deles até tem consultórios particulares, e nesses locais não existem orientadores. O caso me parece realmente que tanto médica como a criança foram vítimas de uma politica de saúde pública orientada no sentido de perpetuar a doença, de forma a sobrarem mais recursos para o bolso dos mensaleiros, e também fez falta à médica, a presença de um defensor de verdade.
12/05/2007 18:37figueiredo (Médico)É lamentável que esse procedimento ainda seja a...
É lamentável que esse procedimento ainda seja adotado na maioria das unidades "pseudo emergênciais" de saúde pública. Lá se vão mais de 30 anos após a conclusão de minha residência médica e ainda se prescreve o velho Benzetacil, acho que nem mais para gonorréia serve... Fico admirado não só com os jovens médicos que dispõe atualmente de uma gama de antibióticos sabidamente eficazes para tratamento da maioria das infecções e ainda receitam benzetacil, como também com as autoridades públicas que por vezes apenas disponibilizam esse produto para uso nesses " pronto socorros " por questões economicas. Aí reside exatamente a falta de união da classe médica, que deveria atuar solidariamente de forma preventiva, rejeitando essa manipulação dos profissionais médicos por parte dos políticos inescrupulosos que se concedem aumentos salariais absurdos e querem economizar com a saúde do povo. É evidente que essa médica teve como advogado um profissional desqualificado para defende-la. Na verdade, o problema teria de ser analizado de forma mais ampla, envolvendo a direção do HC, o chefe da emergência, etc... fôsse um advogado mais hábil e a tal " responsabilidade civil " seria muito diluida. Que pena ! faltou defesa...
12/05/2007 14:59Guilherme Menezes (Médico)Como médico , faltam dados para afirmar se houv...
Como médico , faltam dados para afirmar se houve negligência . O que é claro é que uma pessoa ainda não qualificada assumiu a culpa sozinha , muito embora fatos semelhantes em hospitais privados , a culpa tb é atribuída à instituição .É uma pena que uma pessoa , que poderia ser uma excelente profissional ( após preparação adequada ) comece sua carreira profissional com essa mancha ...
12/05/2007 10:35Band (Médico)Pois é, Ramiro Explica mas não justifica! Qu...
Pois é, Ramiro Explica mas não justifica! Quem deixou uma residente inexperiente sozinha para tomar uma decisão deste nível? O erro não é do aprendiz, mas de quem deveria estar ensinando e conferindo no momento! Por que uma pessoa que já sabe tudo precisa fazer residência? Óbvio que é para aprender o que não sabe!!!! Me parece que aqui quem deveria responder era o hospital e não a pessoa que se coloca como aprendiz! Era apenas exploração de mão de obra barata sem uma estrutura de ensino para dar cobertura ao aluno da especialidade!
11/05/2007 22:07Ramiro. (Advogado Autônomo) Por certo houve perícia, houve o Perito Médic...
Por certo houve perícia, houve o Perito Médico do Juiz, e há o direito do assistente técnico da ré. E convenhamos, Penicilina G Benzantina, muito boa para neisseria gonorrea, mas é antibiótico notoriamente ineficente para qualquer doença mais complicada. Aquela história que começa na faculdade de medicina. "Medicina é tudo, o resto é merda...". A medicina ainda não caiu a ficha da responsabilidade civil, todos estamos sujeitos à responsabilidade civil. E no mais qualquer um que conhece residência médica sabe que o médico responsável, o "preceptor" não fica para o plantão, procura um R3 mais experiente (traduzindo, residente no terceiro ano da referida residência médica), quando não sobra para o R2, e se manda. O Juiz deve ter se convencido de que a desídia no diagnóstico e a péssima opção de fármaco para a gravidade do caso foram inaceitáveis. Fosse nos EUA o Judiciário poderia ainda cassar a licensa médica da condenada. No Brasil só os CRMs e CFM, nos EUA o Judiciário cassa a licença médica e pronto.
11/05/2007 20:12Band (Médico)Mas a médica era residente justamente para apre...
Mas a médica era residente justamente para aprender, como pode ser condenada como uma especialista que ela não era? Que estava lá justamente para conseguir isto? Cadê o preceptor da residência médica?

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