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13 julho 2007
Quebra de sigilo
Advogado e procurador acusados na Operação Têmis são presos
Mais de 50 dias após deflagrar a Operação Têmis, a Polícia Federal fez as primeiras prisões dos envolvidos no suposto esquema de vendas judiciais em São Paulo, na quinta-feira (12/7). O advogado Luís Roberto Pardo, o empresário Sidney Ribeiro e o procurador da Fazenda Nacional Sérgio Gomes Ayala foram detidos sob acusação de quebra de segredo de Justiça. Ribeiro também responde pelo crime de corrupção ativa. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.
A prisão preventiva foi decretada pela juíza Mônica Bonavina, da 9ª Vara Criminal Federal de São Paulo. Em seu despacho, a juíza invocou a "garantia da ordem pública e imprescindibilidade do andamento processual".
Na denúncia oferecida em maio pelo Ministério Público Federal também são mencionados o escrivão João Avelares Ferreira Varandas, o policial civil Celso Pereira de Almeida, o Xuxinha, e o analista de averiguações Washington Gonçalves Rodrigues, funcionário da Telefônica.
Apontado como o principal lobista da organização, Pardo estava em seu apartamento quando foi surpreendido pelos policiais federais, às 6h30. As demais prisões ocorreram simultaneamente. Embora a juíza tenha determinado que ele e o procurador da Fazenda fossem levados para uma sala do Estado Maior — prisão especial a que advogados têm direto, os dois ficaram detidos na Superintendência da PF em São Paulo por falta de vagas. Por não ter apresentado diploma de curso superior, Ribeiro foi encaminhado a um centro de detenção provisória.
O MPF sustenta que os investigados foram alertados por membros da organização. Isso teria prejudicado o andamento das apurações, permitindo a destruição de provas. Durante a investigação, a PF constatou redução dos contatos telefônicos entre os envolvidos e troca de aparelhos celulares, numa tentativa de escaparem das escutas telefônicas.
Defesas
Os advogados dos detidos protestaram contra a decisão da Justiça. "O pedido foi feito há dois meses. Está claro que não há urgência e, portanto, a medida é desnecessária", afirmou o criminalista Luiz Guilherme Moreira Porto, defensor de Pardo.
O advogado Marcos Vinícius Camilo Linhares, que representa Ayala, também considerou a prisão "descabida". "Já fizemos prova mostrando que a denúncia é improcedente", declarou. Os dois advogados entram hoje com pedidos de Habeas Corpus no Tribunal Regional Federal da 3ª Região. O Estado não localizou o defensor de Ribeiro.
Deflagrada em 20 de abril, a Têmis mirou suposto esquema de vendas de sentenças judiciais em favor de bingos e empresas devedoras do Fisco. Ao todo, 43 pessoas foram investigadas - entre desembargadores e juízes federais, empresários e advogados de São Paulo, Rio e Campo Grande (MS).
À época, o MPF chegou a pedir a prisão de três desembargadores do TRF-3 - Alda Basto, Nery Júnior e Roberto Haddad, além dos juízes federais Maria Cristina Barongono Cukierkorn, da 23ª Vara, e Djalma Moreira Gomes, da 25ª Vara. O pedido foi negado pelo ministro Félix Fischer, do Superior Tribunal de Justiça.
Revista Consultor Jurídico, 13 de julho de 2007
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