Marketing jurídico

A advocacia nada mais é do que relacionamentos

O marketing jurídico é uma disciplina ainda recente no Brasil, que passou a ser debatida com maior regularidade ao longo dos últimos cinco anos. Certamente ainda temos muito a aprender e evoluir, principalmente quando nos comparamos com os Estados Unidos e a Inglaterra, os países mais avançados na matéria. A LMA — Legal Marketing Association 1, associação de origem norte-americana dedicada ao marketing jurídico, comemora 21 anos de atividades em 2007, um exemplo que nos dá uma boa noção da longa distância que ainda temos que percorrer.

Aprender com profissionais dos países mais avançados em marketing jurídico, guardadas as diferenças culturais, é sempre uma excelente oportunidade. Nesse sentido, a LMA promoveu em Atlanta, nos Estados Unidos, nos dias 21 e 24 de março de 2007, a sua 21ª Conferência Anual. Dias antes, mais precisamente em 19 de março, embarquei rumo à Atlanta para participar da minha segunda conferência da LMA, mais uma vez como o único representante do Brasil.

A minha primeira conferência, ano passado em Chicago, foi um momento decisivo em minha carreira, pois foi quando aprendi que não estava sozinho no universo do marketing jurídico. Sei que isso soa um tanto clichê, mas o fato é que posso dividir claramente a minha vida profissional em antes e depois de me associar à LMA e participar de sua conferência anual. Muito aconteceu desde então.

Em Atlanta, minhas expectativas foram mais do que atendidas. Um dos principais destaques da conferência foi o vídeo de abertura 3, uma abordagem bem humorada da vida do profissional de marketing jurídico. Foi muito engraçado, mas mostrou desafios enfrentados atualmente por quem trabalha com marketing jurídico no Brasil e, tenho bastante certeza, em outros países da América Latina.

Nós ainda temos que lidar muito com o que os norte-americanos chamam de window dressing, já que muitos advogados ainda acreditam que marketing jurídico se resume apenas a organização de eventos e veiculação de anúncios. A cena inicial do vídeo, envolvendo a criação de um cartão de Natal e as dicas sempre “muito boas” da filha do sócio, foi extremamente realista.

Apesar dos escritórios norte-americanos desenvolverem um marketing bem mais avançado, o desafio de lidar com advogados é o mesmo em todos os lugares. No caso do Brasil, isso vale não só para o profissional de marketing jurídico, ainda raro no país, como também para o advogado que, em seu escritório, estuda o marketing jurídico e procura chamar a atenção de seus colegas para a importância do tema. É um desafio verdadeiramente global e uma excelente razão para profissionais envolvidos com marketing jurídico em diferentes países trocarem experiências.

Os keynotes, as principais apresentações do evento, foram fantásticos e tiveram como foco os relacionamentos, aspecto essencial no trabalho dos advogados. Foi incrível escutar a advogada Maya Angelou abrir a conferência com uma canção composta por diferentes idiomas. Para quem não a conhece, ela é uma senhora de idade, ativista dos direitos civis, dentre outras atividades, bastante conhecida do público norte-americano

Maya destacou a importância dos relacionamentos que surgem ao longo da vida de cada um e nos lembrou como, na correria da vida moderna, muitas vezes nos esquecemos do impacto de nossas ações e escolhas junto às pessoas com as quais interagimos, seja no âmbito pessoal ou profissional. Nesse sentido, ressaltou que todos devem ser “grandes compositores”, influenciando terceiros com suas ações e vice-versa. Sua apresentação foi única e foi devidamente complementada por excelentes contribuições de Harry Beckwith e, especialmente, Keith Ferrazzi.

Quando participei da conferência do ano passado, esbarrei no livro Nunca almoce sozinho4, escrito por Keith Ferrazzi, o qual comprei e li duas vezes, sem falar que o levei para Atlanta, para ser autografado. Logo, foi uma grande surpresa tê-lo como um dos keynotes do evento. Ferrazzi falou sobre várias idéias práticas que realmente são úteis, especialmente para profissionais de marketing jurídico batalhando para convencer os advogados de que todos estão do mesmo lado.

Relacionamentos verdadeiros, ou pelos menos um pouco mais profundos, podem ser inestimáveis em nos ajudar a superar as barreiras invisíveis que dificultam o trabalho do dia-a-dia. Essas barreiras existem não só dentro do escritório, mas também do lado de fora. O relacionamento com clientes, se desenvolvido com mais qualidade, pode trazer muito mais resultados. Keith lembrou e ressaltou que a advocacia é, antes de tudo, um negócio de relacionamentos. Depois da apresentação da especialista Maya Angelou, ficou claro que Keith Ferrazzi mostrou algumas maneiras de nos tornarmos “grandes compositores” e impactar positivamente todos ao nosso redor.

Marco Antonio P. Gonçalves é sócio da Gonçalves & Gonçalves Marketing Jurídico e especialista em marketing para advogados e escritórios de advocacia. Pós-graduado em Administração de Empresas pela Fundação Getúlio Vargas, é autor do blog marketingLEGAL e do pioneiro estudo “O Estado do Marketing Jurídico na América Latina”.

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2/07/2007 12:59José R (Advogado Autônomo)Vade retro!
Vade retro!
1/07/2007 19:10dijalma lacerda (Advogado Sócio de Escritório - Civil) Há pouco tempo fiz uma audiência na qual comp...
Há pouco tempo fiz uma audiência na qual compareceram dois Advogados de um grande escritório de advocacia, ex-adverso em um processo no qual nossos escritórios vêm patrocinando a defesa de interesses contra uma grande empresa. Fiquei perplexo com a falta de preparo dos rapazes; pareceu-me que compareceram ali só para "marcar tabela". É exatamente disso que tenho medo, isto é, grandes escritórios são contratados por grandes empresas na base do marketing e, ao depois , demonstram seu total descuido daquilo que chamamos de "advocacia de varejo". Quero só ver no vai dar essa história de marketing jurídico. Não duvido que seja uma coisa boa, mas tem que estar aliado ao alto preparo dos protagonistas.
1/07/2007 14:56Douglas (Outros)Dois
Dois