Notícias
31 janeiro 2007
Superaquecimento global
Casa Branca é acusada de pressionar cientistas nos EUA
Dois escritórios de advocacia de Washington afirmaram, na terça-feira (30/1), terem provas de que políticos dos Estados Unidos pressionaram cientistas para que minimizassem, em seus dados, os prejuízos do superaquecimento global. As informações são do site Findlaw.
O tema ganhou mais repercussão a partir de uma reunião em Paris. Cerca de 500 cientistas debatem os retoques finais no dossiê das Nações Unidas sobre o superaquecimento.
O novo escândalo brota de depoimentos de dois ex-oficiais da Nasa, a agência espacial dos Estados Unidos. Um deles, Rick Piltz, deixou a Nasa, em 2005, e produziu um dossiê. Segundo ele, os cientistas que estudam o clima estão tendo seus estudos minimizados por ordem da Casa Branca.
Dois escritórios de advocacia focados em causas científicas, o Union of Concerned Scientists e o Government Accountability Project, divulgaram nota em que afirmam que surgiu “novas evidências de supressão e manipulação de dados das ciências do clima”. Segundo os escritórios, sete agências federais ligadas à ciência sofreram pressões para alterar seus relatórios. Um dos que dizem ter sofrido essas pressões é James Hansen, diretor do Instituto Goddard de Estudos Espaciais.
Em dezembro, um grupo de estados ajuizou ação contra o Ministério do Meio Ambiente, a U.S. Environmental Protection Agency, para que se reduzam os níveis tolerados de emissão de gases por exaustores e chaminés industriais.
Os estados alegam que a administração Bush “ignora a ciência e seus peritos” e se nega a reduzir os níveis de emissão. Mais notadamente, a Califórnia é quem comanda a briga e tomou sozinha, por exemplo, a iniciativa de firmar acordo com a Grã-Bretanha para troca tecnológica para a redução dessas emissões. O estado da Califórnia também foi pioneiro em aprovar lei limitando a emissão de gases para cortar os atuais níveis em 25% até o ano de 2020.
Os inimigos do governo Bush afirmam que ele ignora a lei chamada Ato do Ar Puro. Por essa lei, de 1970, dióxido de carbono é um poluente do ar que ameaça a saúde pública e, portanto, deve ser controlado pela Agência de Proteção ao Meio Ambiente.
Claudio Julio Tognolli é repórter especial da revista Consultor Jurídico
Revista Consultor Jurídico, 31 de janeiro de 2007
Arquivo
Leia também: Textos relacionados
- 22/01/2007 Empresa vende 190 mil toneladas de crédito de carbono
- 15/01/2007 União Européia deverá ter leis para uso de energia
- 07/01/2007 STF vai decidir a quem pertencem os créditos de carbono
- 03/01/2007 Resolução estabelece limites para emissão de poluentes
- 31/12/2006 Certificado de carbono deverá valer mais do que ouro
- 19/12/2006 Estados querem redução de emissão de gases nos EUA
- 11/12/2006 Primeiro mundo terá de pagar caro por ativos ambientais
- 30/11/2006 Corte dos EUA julga se governo deve controlar gases
- 06/11/2006 Reunião sobre protocolo de Kyoto discute metas do Brasil
- 01/11/2006 Advogados discutem mercado de créditos de carbono
- 27/02/2006 Usina deve prestar contas à União para receber recursos
- 27/12/2005 Aterro transforma resíduos em crédito de carbono
- 08/04/2005 ‘Regras para o mercado de carbono são superficiais’
- 09/12/2003 Brasil pode ser beneficiado com projetos de MDL em florestas
- 23/07/2003 São Paulo se prepara para implantar projetos de MDL
- 29/05/2003 Países discutem Protocolo de Kyoto em evento de SP
Comentários
Comentários de leitores: 2 comentários
A despeito de existir a possibilidade de o aque...
O fato relatado no artigo não deveria ser surpr...
A seção de comentários deste texto foi encerrada em 08/02/2007.