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30 agosto 2007
Suspeita levantada
Dirceu questiona julgamento após nova conversa de Lewandowski
O ex-ministro José Dirceu colocou sob suspeita o julgamento do Supremo Tribunal Federal que abriu Ação Penal contra os 40 denunciados no esquema do mensalão. O deputado cassado do PT disse que teme pelo resultado final do seu processo.
Em entrevista coletiva, na qual se defendeu das acusações, Dirceu afirmou que a divulgação da conversa telefônica do ministro Ricardo Lewandowski, publicada no jornal Folha de S. Paulo nesta quinta-feira (30/8), coloca "no mínimo o julgamento do STF sob suspeição". Lewandowski disse que os ministros votaram com a "faca no pescoço" por conta da pressão da imprensa.
Dirceu afirmou que desistiu de fazer uma campanha para pedir a anistia da cassação do seu mandato de deputado federal, ocorrida no final de 2005. Na última terça-feira, o tribunal encerrou a análise da denúncia contra 40 acusados de envolvimento no esquema do mensalão, incluindo Dirceu, tornando todos eles réus. E Dirceu responderá pelos crimes de corrupção ativa e formação de quadrilha.
Segundo o ex-ministro, além da divulgação dessa conversa telefônica existe também outro fato grave, que foi a publicação das mensagens trocadas pelo sistema intranet entre Lewandowski e a ministra Cármen Lúcia. "Estou perplexo, estupefato e quase entrando em pânico", ressaltou Dirceu. O ex-ministro afirmou, ainda, que tudo isso não pode simplesmente passar em branco, questionando que precisa da garantia de que terá um julgamento justo.
Dirceu disse que espera um pronunciamento do STF a esse respeito. "Este caso é muito grave", observou ele, numa referência específica à divulgação da conversa telefônica do ministro.
O advogado do ex-ministro, José Luiz Oliveira Lima, também presente à entrevista coletiva, disse que no momento adequado a reportagem sobre Lewandowski poderá ser anexada à defesa de Dirceu. Para o ex-ministro, se fatos como estes (divulgação de mensagens e da conversa telefônica do ministro Lewandowski) tivessem ocorrido em outro país, o julgamento poderia até mesmo ter sido suspenso.
com Agência Estado
Revista Consultor Jurídico, 30 de agosto de 2007
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