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7 agosto 2007
Movimento Cansei
Gol contra a omissão, o descaso, a inércia e a corrupção
Os valores máximos da Ordem dos Advogado do Brasil estão na defesa. Defesa da ordem jurídica democrática, dos direitos humanos e justiça social, da boa aplicação das leis e da administração da justiça. Isso é civismo. Essa é a missão de alto interesse público da OAB, de suas seccionais, de todo e qualquer advogado e também de todo cidadão. Isso, repita-se, é civismo.
Como já reiterado no manifesto do Movimento Cívico pelo Direito dos Brasileiros, ele tem como objetivos combater e repudiar a corrupção, a altíssima carga tributária, a contínua impunidade, criminalidade, os menores abandonados, a insegurança jurídica.
Isso está escrito e está pretendido.
Entretanto alguns membros do governo e outros tantos críticos vêm à público reclamar do movimento. Não concordam eles com alguns dos objetivos?
Não se sabe. Eles preferem taxar o movimento coisa de “endinheirados”. Propõem-se a vislumbrar interesses ocultos, trazem o discurso para a infantilização do debate, para a orkutização da democracia: ou você é do grupo contra ou do a favor. E se você é do grupo “a favor”, o “contra” não passa de “golpista elitista”. Não importam as idéias, o contexto, os argumentos.
De dentro de seus Land Rovers, junto a suas Mônicas custeadas por corruptores, recheados de mensalões, distribuindo esmolas institucionalizadas para a população enquanto lhes tranca o futuro, cultivando meninos de rua, fortalecendo o tráfico, deixando o sangue de seus compatriotas derramarem-se na maior e mais persistente onda de violência urbana da história brasileira, para os encastelados na situação e seus beneficiados toda a oposição a suas idéias é de endinheirados, sacripantas e enfastiados.
Para eles oposição boa é a que está no congresso e que podem comprar com mesadas e escambo de cargos. Assim, para rebater um movimento cívico, já que não podem falar claramente contra seus objetivos, assacam suposições criminosas; críticos e governo vêem fantasmas, portam-se como mambembes adivinhadeiros a esconjurar inimigos.
Ora clamar por ameaça de golpe é desenterrar um cadáver de várias décadas.
Os governistas que são contra esse movimento são como Juno, a deusa grega de duas faces. Têm todos duas caras: acusam de golpe, posando de democrata, quando na verdade passam por cima das leis com dinheiro e manipulação. Falam em distribuição de renda, quando simplesmente dão esmolas aos carentes, perpetuando a pobreza. Falam em terem feitos extraordinários governo, e nas crises graves omitem-se. Dizem, enxergando por copos opacos, saber que a oposição quer golpe, mas diante do roubo, do complô intestino perpetrados por quem lhes priva a intimidade, apressam-se em afirmar que nada sabem.
O governo tem falhas? A principal falha é o governo. Queremos que o governo governe, e não se omita.
Não adianta acenar com distribuição de dinheiro, com suposta bondade da economia que é fugaz como tantos outros períodos assemelhados já ocorridos no Brasil que então pareciam definitivos e duradouros para tempos depois — a história ensina-nos — desmancharem-se no ar ?
O povo não precisa só de dinheiro, precisa de futuro e futuro se constrói com um projeto de nação, com instituições fortes, com orgulho e confiança, em um palavra com civismo. Parabéns à OAB-SP e demais entidades que apóiam o Movimento.
Jarbas Andrade Machioni é advogado e presidente da Comissão de Assuntos Institucionais da OAB-SP
Revista Consultor Jurídico, 7 de agosto de 2007
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