Na rota de Congonhas

Dono de hotel é denunciado por exploração de prostituição

A Justiça paulista decretou a prisão preventiva do empresário Oscar Maroni Filho, dono da boate Bahamas e do Oscar’s Hotel. A decisão foi tomada nesta segunda-feira (6/7) pelo juiz da 5ª Vara Criminal de São Paulo, Edson Aparecido Brandão, e atendeu pedido do Ministério Público Estadual. O empresário responde a processo criminal por favorecimento de prostituição, exploração de casa de prostituição, tráfico de pessoas e formação de quadrilha ou bando.

Oscar Maroni é apontado pelo MPE como chefe de uma organização criminosa que afronta o Estado, incentivando mulheres à prostituição. Segundo a denúncia, o empresário mantém um estabelecimento voltado a atividades criminosas, sem o competente alvará de licença de localização e funcionamento. Ainda de acordo com a Promotoria, o denunciado estaria construindo um complexo de 11 andares ao lado da boate para aumentar seus negócios e manteve uma passagem ligando a boate ao hotel.

“Contra o denunciado Oscar Maroni Filho existem mais do que indícios veementes de prática de crime formação de quadrilha ou bando, favorecimento da prostituição, exploração de casa de prostituição e tráfico interno de pessoas”, afirmou no pedido o promotor de Justiça, Carlos Blat. “Assim, visando assegurar a garantia da ordem pública e a efetiva aplicação da lei penal requeiro seja decretada a prisão preventiva de Oscar Maroni Filho nos termos do que dispõe o artigo 312 do Código de Processo Penal”, completa o promotor.

A investigação do Ministério Público Estadual começou em 2004. Na época foram apreendidos na Bahamas documentos com nomes e telefones pessoais de funcionários da prefeitura paulistana, de policiais civis e militares da Aeronáutica. Nas agendas estão nomes de servidores do Contru, Secretaria da Habitação e Administração Regional.

“Eles (os nomes) podem evidenciar a facilitação para obtenção de benefícios visando o funcionamento sem qualquer interferência das autoridades públicas do prostíbulo, além da eventual facilitação na obtenção de documentos para a edificação e futuro funcionamento de hotel”, diz a denúncia do MP estadual..

Após o acidente com o Airbus A320 da TAM, o prédio do Oscar's Hotel foi lacrado pelo prefeito Gilberto Kassab (DEM). Construído como se fosse um prédio comercial, o local, na verdade era um flat residencial. O hotel está nas proximidades do aeroporto de Congonhas e contra ele existe a acusação de prejudicar a navegação aérea na região. Depois do prédio, sua boate também foi fechada pela prefeitura.

O empresário ainda não foi intimado da decisão que decretou a prisão, informou seu advogado, Daniel Majzoub.

Contra-ataque

Em outra decisão judicial nesta terça-feira (7/8), a Justiça paulista autorizou Maroni Filho a arrancar “com suas próprias forças” os lacres que impedem o acesso ao hotel. A liminar foi concedida pelo desembargador Vinício Salles, do Tribunal de Justiça de São Paulo. Ele acatou pedido cautelar no Agravo de Instrumento apresentado pelo empresário contra decisão da 4ª Vara da Fazenda Pública, que autorizou o lacre do hotel.

Maroni gosta de afirmar que mantém relações com políticos e outras pessoas poderosas e repete em suas entrevistas que já fez sexo com mais de 1.500 mulheres. O promotor usou as declarações do empresário na denúncia.

Segundo a denúncia, no primeiro andar da boate funcionam 10 apartamentos com dormitório e banheiro. Os apartamentos são usados em alta rotatividade para a prática de atos libidinosos. De acordo com o MPE, a casa de prostituição possui todo o equipamento e pessoal necessário para que o cliente possa manter relações sexuais efetuando o pagamento de valores fixados ou combinados com as prostitutas. A denúncia aponta 22 das quase 150 mulheres que trabalham na casa.

Ainda de acordo com a denúncia, as mulheres eram atraídas com a promessa de lucro e recebiam R$ 300,00 pelo programa, sendo fiscalizadas para que ficassem o menor tempo possível com os clientes. A jornada diária era de 8 horas.

Maroni também é acusado de realizar o concurso 'Miss Garota de Programa', cuja vencedora ganhava uma viagem para Las Vegas (EUA). Além do empresário, outras cinco pessoas foram denunciadas porque teriam participado do esquema.

Leia à íntegra do pedido de prisão:

Autos nº. 050.05.002569-4

MM. Juiz,

1. Ofereço denúncia em separado.

2. Requeiro:

a) Folhas de antecedentes e as certidões de praxe;

b) Formal indiciamento de Aparecida Inês Chacon, Claudino Antonio de Almeida Borba, Elizabete Romero Derballe, Marisa Vaccari Maroni e Rosane de Fátima Vieira.

c) Seja decretada a prisão preventiva do denunciado OSCAR MARONI FILHO, que é chefe da organização criminosa e há muito tempo vem afrontando as Autoridades Públicas, incentivando mulheres à prostituição, mantendo um estabelecimento voltado a atividades criminosas sem o competente alvará de licença de localização e funcionamento, além de estar construindo um complexo de onze andares ao lado do prostíbulo visando aumentar seus negócios escusos com a facilitação a prostituição, tendo mantido por um tempo uma passagem ligando as duas edificações, contando ainda na parte em construção com 10 (dez) quartos destinados aos encontros libidinosos.

Fernando Porfírio é repórter da revista Consultor Jurídico

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A seção de comentários deste texto foi encerrada em 15/08/2007.
10/08/2007 00:07futuka (Consultor)Como não tenho muita experiência..li a reportag...
Como não tenho muita experiência..li a reportagem do Porfírio e os comentários dos senhores que me antecederam e posso então avaliar que o empresário denunciado não é o único a quem deveria o mp(e ou autoridades) paulista(s) estar(em) denunciando. Alguém tem que parar com isso. Em que "mundo" iremos deixar os nossos filhos e netos viverem, urge ensiná-los desde cedo a exercer seus direitos cívicos votando e cobrando. O que dizer mais..
8/08/2007 10:58Murassawa (Advogado Autônomo)Falsa moralidade, isto sim, pois, no obscuro sã...
Falsa moralidade, isto sim, pois, no obscuro são os que mais frequentam essas casas. Tá na hora de deixar as coitadas viverem em paz, mesmo porque, ninguém está lá obrigada.
8/08/2007 08:56DPF Falcão (Delegado de Polícia Federal)Enquanto isso, jornais de grande circulação (vi...
Enquanto isso, jornais de grande circulação (vinculados a grandes redes de TV) vendem espaço para a prostituição, pirataria e outras coisitas..., ao mesmo tempo em que arrecadam recursos para atendimento a crianças. Haja "esperança"!!!