Notícias
24 abril 2007
Cuidado com a imagem
OAB paulista pede regras para ação policial em tribunais
A OAB paulista manifestou apoio à iniciativa da Associação dos Juízes Federais de São Paulo e Mato Grosso do Sul (Ajufesp), que encaminhou pedido ao Ministério da Justiça e ao Conselho Nacional de Justiça para a regulamentação desse tipo de diligência, nesta terça-feira (24/4).
O presidente da seccional, Luiz Flávio Borges D’urso, comparou a ação de agentes da Polícia Federal no Tribunal Regional Federal da 3ª Região, durante a Operação Têmis, à invasão de escritórios de advocacia em 2005 para a apreensão de documentos que incriminassem seus clientes. Para o presidente a OAB-SP, esse tipo de ação é uma ilegalidade que ameaça o Estado Democrático de Direito.
À época dessas operações, D’Urso disse que tomou as mesmas providências que a Ajufesp. “Preparamos representações contra determinadas autoridades, realizamos ato público de repúdio e fomos ao então ministro da Justiça, Márcio Thomaz Bastos, para que houvesse um regramento nessas diligências capaz de evitar ilegalidades e que se respeitasse as prerrogativas profissionais dos advogados, uma vez que o sigilo do advogado existe para proteger o direito dos cidadãos”, disse.
No pedido encaminhado às autoridades, a Ajufesp defende que a imprensa não deve ser avisada quando há sigilo processual. O uso de armas deve ser vetado. O corregedor deve acompanhar os trabalhos da PF. O juiz não pode ser preso sem a presença do presidente da corte a que está vinculado.
Na Operação Têmis, nenhum juiz foi preso. Os policiais, com armas em punho, buscavam documentos que comprovassem o envolvimento em esquemas de compensação de créditos tributários em favor de casas de bingo e bicheiros. Estão sob investigação os desembargadores Nery da Costa Júnior, Alda Maria Basto e Roberto Haddad, e os juízes federais Djalma Moreira Gomes e Maria Cristina Barongeno.
O presidente da OAB-SP declarou ainda que não defende uma operação secreta pela Polícia Federal, mas que a apuração respeite os limites da legislação brasileira sem que haja afronta às garantias individuais. Segundo ele, “a superexposição dos supostos envolvidos pode destruir a imagem de inocentes”.
Lilian Matsuura é repórter da revista Consultor Jurídico
Revista Consultor Jurídico, 24 de abril de 2007
Arquivo
Leia também: Textos relacionados
- 24/04/2007 Juízes querem regras para batidas da PF em tribunais
- 23/04/2007 Juiz nega que tenha dado decisões favoráveis a bingos
- 21/04/2007 Supremo liberta juízes presos pela Polícia Federal
- 21/04/2007 PF vai cruzar informações das operações Hurricane e Têmis
- 21/04/2007 OAB-SP pede respeito a prerrogativas em operação da PF
- 20/04/2007 Juízes cobravam até R$ 150 mil por liminar, afirma PF
- 20/04/2007 Ajufesp pede respeito a prerrogativas de advogados
- 20/04/2007 PF deflagra operação contra juízes e policiais em SP
Comentários
Comentários de leitores: 10 comentários
É por isso que te admiro, Orlando Maluf, sem fa...
O problema brasileiro é exatamente o fato de ...
Como sou uma pessoa altruísta, vou ajudar a OAB...
Ver todos comentários
A seção de comentários deste texto foi encerrada em 02/05/2007.