Operação Hurricane

Tarso vai investigar possíveis irregularidades em ações da PF

Após reunião com o presidente da OAB, Cezar Britto, o ministro da Justiça, Tarso Genro, disse que vai investigar possíveis irregularidades nas operações da Polícia Federal. O ministro informou, ainda, que avaliará as manifestações dos advogados dos envolvidos na Operação Hurricane.

Cezar Britto se mostrou preocupado com o direito da defesa dos investigados e não com a operação em si. “Não conheço nenhum dos investigados, não sei quem é quem, não fui nem pretendo ser apresentado a nenhum deles, e estou falando aqui num instrumento constitucional, o direito de defesa, que se chama defesa da cidadania; e é assim que estou me comportando e vou me comportar enquanto presidente da Ordem dos Advogados do Brasil”, disse Britto sobre o porquê da mobilização da OAB contra o cerceamento do direito de defesa no caso dos investigados na Operação Furacão.

Britto acrescentou que a entidade há muito se manifesta contra procedimentos da Polícia Federal que cerceiam as prerrogativas dos advogados e o direito de defesa. “A OAB defendeu a cidadania na ditadura e continua a defendê-la na democracia. Disso, não abrimos mão um milímetro sequer, como não abrimos mão também do Estado Democrático de Direito.”

O presidente da OAB revelou que, durante o encontro com Tarso Genro, ficou acertado, por sugestão do ministro, que o Conselho Federal da OAB encaminhará a ele nos próximos dias uma comunicação contendo a radiografia de todas as restrições e desmandos que a advocacia enfrentou nos últimos anos no relacionamento com a Polícia Federal, ao longo de diversas operações de combate ao crime.

O ministro disse que, com base nas informações da OAB e em estudo interno, pretende regulamentar os procedimentos da PF, para eliminar o que são consideradas práticas ilegais, como dificuldades de acesso do advogado a presos e aos autos, uso indevido de algemas, não cumprimento da legislação no que se refere à cela especial para advogados presos, entre outros pontos.

Participaram também da reunião com o ministro da Justiça o secretário-geral adjunto do Conselho Federal da OAB, Alberto Zacharias Toron; o ex-presidente nacional da OAB, Roberto Busato; e os conselheiros federais Técio Lins e Silva, do Rio de Janeiro; Geraldo Escobar, do Mato Grosso do Sul; José Araújo Agra, da Paraíba; Orestes Muniz Filho, Pedro Origa Neto e Gilberto Piselo do Nascimento, todos de Rondônia.


3 comentários




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19/04/2007 14:34Helena Fausta (Bacharel - Civil)Não puniram nem mesmo os ladrões com dinheiro e...
Não puniram nem mesmo os ladrões com dinheiro escondido na cueca, os mesmos ladrões ja voltaram ao poder, seu Tarso vai pescar vai, e deixa de esculhambação com o resto " deste pais" que conseguir ficar de pé depois que voces passarem...
17/04/2007 19:38Maurício (Advogado Associado a Escritório - Criminal)Até que enfim! Demorou muito p/ que a OAB fizes...
Até que enfim! Demorou muito p/ que a OAB fizesse algo... nos últimos anos os advogados criminais têm passado poucas e boas para conseguirem, apenas, exercer regularmente o seu ministério. E olha que o antigo Ministro foi, e é, sem dúvida, um dos grandes nomes da advocacia criminal brasileira, além de ter sido presidente da OAB/SP e do Conselho Federal. Palmas aos briosos e competentes doutores Brito, Toron e demais colegas. O ministro Tarso, que militou como advogado trabalhista, precisa ter sensibilidade... A polícia e o judiciário podem, e devem, prender quem estiver implicado com atos criminosos. Obstaculizar o trabalho do advogado, entretanto, não tem razão. O advogado criminal não é réu. Retaliar e restringir a atividade defensiva não significa fazer justiça, cabendo, apenas, aos estados de exceção.
17/04/2007 19:36Fftr (Funcionário público)O duro não é a polícia lutar contra os criminos...
O duro não é a polícia lutar contra os criminosos, mas contra os que deveriam apoiar as ações que visam dar uma cara limpa para o Brasil. Política é política, ou seja, é uma m...