Notícias
1 abril 2007
De mãos atadas
Procuradores contestam Lei das Algemas proposta por Maluf
Um Ministério Público intimidado e imóvel. Esse é o temor do presidente da Associação Nacional dos Procuradores da República, Nicolao Dino, com o ressurgimento da “Lei das Algemas”, retomada no Projeto de Lei 265/07, de autoria do deputado federal Paulo Maluf (PP-SP).
O projeto, que limita a ação do Ministério Público, funcionalmente independente desde a Constituição de 1988, está desde o dia 19 de março nas mãos dos integrantes da Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania da Câmara dos Deputados.
A denominação Lei das Algemas vem do governo Fernando Henrique Cardoso. À época, uma medida provisória similar restringia a atuação do MP. A proposta alterava a Lei de Improbidade Administrativa com a instituição de multa no valor de R$ 151 mil ao membro do MP que fizesse denúncia considerada “improcedente” contra o Executivo.
Já a idéia de Maluf é alterar a Lei de Ação Popular, a Lei da Ação Civil Pública e a Lei 8.429/92 (improbidade administrativa), tornando responsável e sujeito a multa e prisão quem ajuíza ação civil, popular e de improbidade, com má-fé, intenção de promoção pessoal ou visando perseguição política.
“Mais uma vez, o objetivo do projeto é inibir o Ministério Público de maneira autoritária”, afirma Nicolao Dino.
Se o projeto for aprovado, o membro do MP poderá ser condenado ao pagamento de dez vezes as custas mais honorários advocatícios, despesas processuais e honorários periciais e pena de detenção de seis a dez meses e multa.
O membro do MP ainda poderá ser obrigado a indenizar o denunciado pelos danos morais, materiais ou à imagem que houver provocado.
“Na prática, a lei, se aprovada, vai imobilizar o membro do MP que poderá deixar de agir para não correr o risco de ser responsabilizado pessoalmente por uma ação que não venha a produzir os efeitos pretendidos”, explica Dino.
Ele lembra, contudo, que os membros do MP impetram ações para proteger a coletividade e não podem ser responsabilizados individualmente por estarem cumprindo o exercício de suas funções. “Estão querendo intimidar e desestimular os membros do MP”, afirma.
Além da Lei da Algema, o MP também é parte da proposta conhecida como Lei da mordaça, que proíbe procuradores, promotores e policiais de fornecerem qualquer informação à imprensa sobre investigações e processos em andamento.
Projeto de Lei 265/2007
Revista Consultor Jurídico, 1º de abril de 2007
Arquivo
Leia também: Textos relacionados
- 01/03/2007 ANPR reage a críticas de Gilmar Mendes a procuradores
- 01/03/2007 Maluf propõe 20 anos de internação para menor infrator
- 28/02/2007 STF analisa foro privilegiado para ministro de Estado
- 02/02/2007 ANPR rebate acusação de que MP é irresponsável
- 18/01/2007 Prefeita de Magé e MP-RJ batem boca pelos jornais
- 26/12/2006 ANPR rebate crítica de que MP usa ação politicamente
- 21/12/2006 Gilmar Mendes acusa MP de usar ação em proveito próprio
- 19/12/2006 Paulo Maluf deve processar procurador que o denunciou
- 18/12/2006 MPF denuncia Maluf e família por formação de quadrilha
Comentários
Comentários de leitores: 11 comentários
Quem realmente conhece o que representa o Prefe...
DEIXEM O MINISTÉRIO PÚBLICO TRABALHAR. Dor de ...
Ações como a da operação Hurricane que levaram ...
Ver todos comentários
A seção de comentários deste texto foi encerrada em 09/04/2007.