Notícias
21 outubro 2006
Os craques do Direito
Quem são e como vivem as estrelas da advocacia paulistana
A revista Veja São Paulo publica na edição que começou a circular este final de semana uma reportagem completa sobre o vigor e a vitalidade da advocacia paulistana. A repórter Marcella Centofanti percorreu os principais escritórios da capital, entrevistou suas estrelas e produziu um relato dinâmico do setor. Entre as descobertas da revista está a de que um grande escritório chega a faturar cerca de R$ 200 milhões por ano e que um sócio-sênior pode receber, em média R$ 60 mil ao mês.
Veja a reportagem:
Berço do mais antigo curso de direito do país, criado no Largo São Francisco em 1827, São Paulo é a capital jurídica brasileira. Por aqui, há 95 000 advogados ativos, número que corresponde a quase metade dos profissionais do estado, ou um quinto do país. Atualmente, cerca de 150.000 alunos debruçam-se sobre códigos, leis e jurisprudências em uma das 222 faculdades paulistas. Quem sobreviver ao crivo da Ordem dos Advogados do Brasil, que no último exame aprovou apenas 9,8% dos inscritos, encontrará um mercado efervescente. À diferença do que ocorre com outras tradicionais carreiras universitárias, como engenharia e medicina, o disputadíssimo mercado sorri para os que mostram talento e competência na área jurídica. A nova fase da profissão começou nos anos 90, na esteira da abertura da economia e das privatizações. Com a globalização, vieram as multinacionais, as fusões e as aquisições – logo, uma tonelada de contratos, processos e... mais trabalho. "Estamos na era do direito", afirma o jornalista Márcio Chaer, criador do site Consultor Jurídico, referência de informações do setor. "A advocacia tornou-se uma indústria, e os escritórios viraram empresas."
Nos últimos quinze anos, escritórios de advocacia mudaram de fato seu perfil. Embora a maioria das 7.622 bancas paulistas ainda tenha estrutura familiar, uma parcela transformou-se numa espécie de loja de departamentos das leis, onde trabalham mais de uma centena de formados e estagiários. Para a compra de um banco, consulte especialistas em aquisições. Demissão em massa? A área trabalhista resolve. Se tiver problemas com a Receita Federal, passe pelo setor dos tributaristas. Nesses endereços, o cliente resolve qualquer tipo de pendenga corporativa. Administrados por CEOs, eles oferecem planos de carreira e treinamentos a seus funcionários. Estamos falando dos superescritórios, que empregam de 300 a 400 advogados cada um e podem faturar cerca de 150 milhões de reais por ano. Sete deles se destacam, seja pelo número de advogados, seja pelo faturamento: Pinheiro Neto; Machado, Meyer, Sendacz e Opice; Trench, Rossi e Watanabe; Demarest & Almeida; Mattos Filho, Veiga Filho, Marrey Jr. e Quiroga; Leite, Tosto e Barros; e Tozzini, Freire, Teixeira e Silva.
Em quantidade de advogados, o Tozzini, Freire lidera esse ranking, com 428 profissionais, incluindo os 53 sócios (em 1991, antes das privatizações, tinha apenas onze advogados). É o último dos grandes escritórios a funcionar no centro, perto dos tribunais – seus concorrentes hoje estão principalmente nas zonas Sul e Oeste da capital, mais próximos da clientela. Mas por pouco tempo. Em duas semanas, uma caravana de caminhões estaciona na Rua Líbero Badaró e segue para a Rua Borges Lagoa, na Vila Clementino. Um dos maiores entusiastas dessa mudança foi Syllas Tozzini, que comanda o escritório ao lado de José Luis de Salles Freire. Sócios desde 1977, eles se conheceram há 43 anos no Colégio Santo Américo, que ficava em Santa Cecília. Freire cuida do lado comercial e dos relacionamentos no exterior, enquanto Tozzini é uma espécie de clínico-geral do escritório. Elabora manuais de orientação sobre os mais diversos temas jurídicos, estuda a nova legislação e investe na carreira de seus profissionais.
Formado no Largo São Francisco, Tozzini iniciou sua carreira no Demarest & Almeida. Logo ficou conhecido por suas extravagâncias. Nos tempos de estagiário, certo dia apareceu para trabalhar num terno cor-de-rosa (cena inimaginável para quem o vê hoje em bem cortadas roupas inglesas e sóbrias camisas sob medida). Morador do último piso de um prédio em Higienópolis, Tozzini comprou o 1º andar para abrigar sua biblioteca com mais de 5 000 títulos. Lá, ele guarda livros sobre a história de São Paulo, como uma encadernação de jornais de 25 de janeiro de 1954, que registraram os 400 anos da capital. Entre as paixões estão o Corinthians e a série O Senhor dos Anéis, da qual tem mais de 100 edições, algumas ainda embaladas. "Meu personagem favorito é o Gandalf", diz ele, referindo-se ao mago da trilogia interpretado na tela pelo ator britânico Ian McKellen. "Você leva um tempo para descobrir em que lado da história ele está." Freire, que viaja para o exterior de seis a oito vezes por ano, já contribuiu para a coleção do sócio. Os dois não varam mais as noites no escritório, mas estão sempre de olho nos mínimos detalhes. Tozzini, por exemplo, lê aleatoriamente algumas cópias de correspondências que foram enviadas pelo escritório para checar como anda o português de seus funcionários. Freire faz questão de atender pessoalmente clientes importantes, ainda que não esteja cuidando diretamente do processo. "Crescemos em função da competência, da estratégia e da vontade de investir no próprio negócio", afirma ele, que arruma tempo para jogar tênis, correr e fazer musculação de segunda a sexta.
Revista Consultor Jurídico, 21 de outubro de 2006
Arquivo
Leia também: Textos relacionados
- 15/10/2006 Para sociedades de advocacia, 2007 é ano para crescer
- 21/09/2006 Prêmio da advocacia reúne grandes do Direito em São Paulo
- 20/09/2006 Alckmin é o preferido nos grandes escritórios
- 13/09/2006 Saiba quem são os advogados mais admirados pelas empresas
- 28/08/2006 Martorelli e Gouveia Advogados chega a São Paulo
- 18/06/2006 Grandes escritórios se mudam do centro de São Paulo
- 01/06/2006 Sócia do Pinheiro Neto deixa a casa depois de 45 anos
- 18/05/2006 Quais são os projetos do escritório Clifford Chance
- 28/03/2006 Antônio Corrêa Meyer é eleito presidente do Cesa
- 21/03/2006 Law Review diz que Machado, Meyer é o melhor do ano
- 18/02/2006 Advogados apostam que 2006 será o ano das PPPs
- 05/02/2006 Escola propõe-se a formar bacharéis que atendam o mercado
- 29/01/2006 Infração mais punida pela OAB é reter verba do cliente
- 11/09/2005 Cada vez mais advogados vão se especializar no exterior
- 08/05/2005 Bancas profissionalizam gestão com eleição de dirigentes
Comentários
Comentários de leitores: 7 comentários
É bom e saudável fazer um contra-ponto. A Consu...
ACHO SUPER-MEGA->>>ANTI-ÉTICA todas essas notí...
Tem uma perguntinha que eu não consigo responde...
Ver todos comentários
A seção de comentários deste texto foi encerrada em 29/10/2006.