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16 outubro 2006
Compra do dossiê
Federação apóia delegado que divulgou fotos do dinheiro do dossiê
A Fenadepol — Federação Nacional dos Delegados da Polícia Federal divulgou nota em apoio ao delegado Edmilson Pereira Bruno, responsável pela divulgação das fotos do dinheiro apreendido pela corporação que seria usado por membros do PT para compra de um dossiê contra candidatos tucanos.
A Fenadepol atesta que a Polícia Federal está preocupada em fazer a investigação, "com absoluta lisura e isenção", e que não é usada "para fins político-eleitorais", como publicado pela imprensa.
A entidade pede que seja assegurado para o delegado Edmilson Pereira Bruno, responsável pela prisão dos petistas Gedimar Passos e Valdebran Padilha, “enquanto membro da instituição policial federal, sem qualquer mácula no seu passado, o merecido respeito e livre circulação, garantido o direito constitucional da ampla defesa e contraditório com todos os seus consectários”.
De acordo com a federação, Edmilson Pereira Bruno não agiu com “ingerência política” nem foi tomado por motivações pessoais. “Também não será aceita ingerência ou insinuação quanto às razões que levaram o delegado de Polícia a divulgar as fotos do dinheiro também por ele apreendido”.
Uma enquete feita entre policiais federais sobre o comportamento do delegado Edmilson Bruno revelou que um grupo de 87% dos policiais e delegados federais (1.147 votos) defende o delegado e apenas 13% (164 votos) condena a divulgação das fotos.
Gedimar Passos e Valdebran Pereira foram presos em setembro com R$ 1,75 milhões. O dinheiro seria usado para a compra de um dossiê com documentos e imagens que envolvem os tucanos José Serra e Geraldo Alckmin na máfia dos sanguessugas. Em seu primeiro depoimento, Gedimar acusou Freud Godoy, ex-assessor especial do presidente Lula, de ser o mandante da compra.
Repercussão
Neste fim de semana, a Superintendência da Polícia Federal em São Paulo divulgou um comunicado contestando a reportagem “Um enigma chamado Freud”, da última edição da revista Veja. A PF afirma que a versão publicada é leviana e fantasiosa. Nela, noticia-se que integrantes da PF facilitaram um encontro ilegal entre os petistas Freud Godoy e Gedimar Passos para acertar os depoimentos dos dois e proteger o presidente Lula.
Na reportagem contestada pela PF, a revista descreve uma "operação abafa" para blindar o presidente Lula, comandada pelo ministro da Justiça Márcio Thomaz Bastos, que fez Gedimar recuar e dizer que Freud não tem nada a ver com a negociata. Para convencer Gedimar, segundo a revista, a PF autorizou uma visita de Freud a Gedimar, fora do horário regular e sem registro de autorização.
A revista também acusa o ministro da Justiça de ter telefonado para o superintendente da PF, Geraldo José Araújo, logo após a prisão de Gedimar para perguntar: “Isso respinga no presidente?”. A publicação se baseia no relato escrito de três delegados da corporação, cujos nomes não são citados na reportagem.
Leia a nota da Fenadepol
NOTA DE ESCLARECIMENTO
A FEDERAÇÃO NACIONAL DOS DELEGADOS DE POLÍCIA FEDERAL – FENADEPOL, órgão representativo da classe dos Delegados de Polícia Federal em todo o país, considerando o que a imprensa vem publicando a respeito do escândalo do DOSSIÊ e da divulgação das fotos do dinheiro, vem a público expor o seguinte:
a) ATESTAR o compromisso de seus integrantes com a apuração total dos fatos relativos ao escândalo do DOSSIÊ, com absoluta lisura e isenção, apresentando à sociedade, no prazo legal, os nomes dos verdadeiros culpados e a origem do dinheiro apreendido;
b) REITERAR o repúdio à utilização da imagem e do trabalho da POLÍCIA FEDERAL para fins político-eleitorais;
c) REPUDIAR qualquer tentativa de ingerência política ou insinuação de motivação pessoal nos atos de investigação da POLÍCIA FEDERAL. Também não será aceita ingerência ou insinuação quanto às razões que levaram o Delegado de Polícia Federal EDMILSON PEREIRA BRUNO, responsável pela prisão de GEDIMAR PASSOS e VALDEBRAN PADILHA, a divulgar as fotos do dinheiro também por ele apreendido;
d) PUGNAR para que seja assegurada à referida autoridade policial, enquanto membro da instituição policial federal, sem qualquer mácula no seu passado, o merecido respeito e livre circulação, garantido o direito constitucional da ampla defesa e contraditório com todos os seus consectários;
e) DEFENDER a imperiosa necessidade de aprovação de medidas constitucionais e legais que assegurem a autonomia administrativa, funcional, orçamentária e financeira da Polícia Federal, poderes instrutórios e de condução do inquérito com independência funcional para a Autoridade Policial e seus agentes, bem como a salvaguarda ao exercício pleno de suas atividades de investigação a todos integrantes da carreira policial federal;
A Polícia Federal, instituição também responsável pelo respeito ao Estado Democrático de Direito, à cidadania, à dignidade da pessoa humana e aos direitos humanos, serve ao Estado e não ao Governo.
Brasília, 16 de outubro de 2006.
Antonio Barbosa Góis
antoniogois@globo.com
Presidente em exercício da FENADEPOL
Revista Consultor Jurídico, 16 de outubro de 2006
Arquivo
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