Entrevistas
15 outubro 2006
Bons ventos
Entrevista: diretor-geral do Demarest, Rogério Lessa
Qualquer que seja o presidente do Brasil a partir do ano que vem, as perspectivas de trabalho para os grandes escritórios de advocacia são positivas. A previsão é do advogado Rogério Cruz Themudo Lessa, diretor-geral do Demarest e Almeida Advogados, o maior escritório em número de advogados do país, segundo levantamento da revista Análise Advocacia, divulgado em setembro.
Segundo o advogado, os escritórios de advocacia da área empresarial são uma espécie de termômetro para avaliar como está a economia em geral, já que o advogado está envolvido nas transações desde a sua gestação. Com este feeling desenvolvido ao longo de 38 anos de Direito corporativo, garante que a hora é de crescer. Já no último semestre de 2006, ele garante, o clima é propício para novas transações e para retomada de negócios que ficaram parados.
Segundo o levantamento da Análise Advocacia, uma parceria entre a Consultor Jurídico e a Análise Editorial, o Demarest não é apenas o maior. É também um dos melhores. Seu nome aparece dez vezes entre os escritórios mais admirados no mundo corporativo, sendo duas vezes em primeiro lugar.
E tem mais. Por seus bons serviços prestados, o escritório foi escolhido para receber no Brasil o Client Choice Awards, conferido pela International Law Office. A publicação premia escritórios em 34 paises.
Contando com 380 advogados para atender a uma carteira de 1.800 clientes ativos e aproximadamente 60 mil processos, o escritório, só tem um motivo de preocupação em seu horizonte: a concorrência com os grandes escritórios estrangeiros que estão chegando: “São escritórios que faturam mais de US$ 1 bilhão no ano”, admira-se Lessa.
Nesta entrevista, concedida aos jornalistas Adriana Aguiar, Márcio Chaer, Maurício Cardoso e Priscyla Costa, o advogado falou dos desafios de dirigir uma organização deste porte e das oportunidades que se abrem no país.
Rogério Lessa, com 59 anos, tem 38 anos dedicados ao Demarest e Almeida. Quando ele entrou como estagiário, o escritório tinha cerca de 20 advogados. Ele é formado em Direito pela USP, fez mestrado na New York University e é diretor do Cesa — Centro de Estudos das Sociedades de Advogados.
Leia a entrevista
ConJur — O que os escritórios de advocacia esperam de 2007?
Rogério Lessa — O crescimento dos escritórios de advocacia é proporcional ao da economia. O Demarest e Almeida sempre cresceu alguns pontos acima do crescimento do PIB. Como o desenvolvimento econômico é o grande desafio do próximo governo, seja ele qual for, os escritórios da área empresarial também devem ter bons negócios. O crescimento, que já começou neste segundo semestre, deve ser bem maior do que nos últimos três anos. Os escritórios da área empresarial são uma espécie de termômetro, já que o advogado se envolve no negócio desde a gestação. Por isso, podemos adiantar que já existe uma tendência muito forte de novos negócios e de retomada de outros.
ConJur — Aquela baixa que houve na advocacia consultiva está sendo superada?
Rogério Lessa — Não acredito que houve uma baixa. Após as privatizações dos anos 90 o mercado para a advocacia consultiva voltou simplesmente ao normal. No período das privatizações o crescimento foi geométrico. Os escritórios estavam crescendo por causa de uma demanda excepcional por serviços jurídicos em áreas como telecomunicação e energia, que antes não estavam no mercado. Eram empresas estatais e não havia demanda de trabalho nessas áreas. Então, depois dessa época houve uma volta ao normal.
ConJur — Como está a demanda pelo contencioso no Brasil?
Rogério Lessa — O número de ações deve aumentar cada vez mais, porque há uma tendência cada vez maior de se recorrer ao Judiciário, que vai ter que se adaptar a essa demanda com novas tecnologias para combater a morosidade senão teremos um completo caos. A Justiça terá que se modernizar e se adaptar a essa nova realidade. Já existem sinais longínquos, mas existentes, de que essa modernização acontecerá.
ConJur — Qual é a proporção entre contencioso e preventivo no Demarest e Almeida?
Rogério Lessa — A área consultiva representa 65% da nossa demanda e 35% está no contencioso.
ConJur — Essa proporção deve se manter no ano que vem?
Rogério Lessa — Pode ser que, com relação a número de ações, exista um aumento do contencioso. Mas, do ponto de vista da receita do escritório, o percentual deve continuar mais ou menos o mesmo. Agora o escritório está sendo solicitado a atuar no contencioso corporativo. Atendemos essa área, que tem rentabilidade relativamente baixa, para que outras atividades do cliente também venham para o escritório. É mais uma atividade auxiliar do que propriamente uma atividade. Agora, o contencioso mesmo representa as nossas ações de maior relevância e continua sendo uma parte importante de receita do escritório. É um dos setores considerados nobres dentro do contexto geral do escritório.
Adriana Aguiar é repórter do jornal DCI.
Revista Consultor Jurídico, 15 de outubro de 2006
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Comentários
Comentários de leitores: 3 comentários
Infelizmente são poucos os advogados que partic...
Concordo com Rafael, Propaganda completa e pri...
que belo espaço para propaganda !!!!!!!!! melho...
A seção de comentários deste texto foi encerrada em 23/10/2006.