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9 outubro 2006
Ligações perigosas
PF quer quebrar sigilo de 500 telefones por conta do dossiê do PT
A Polícia Federal vai pedir à Justiça esta semana a quebra de sigilo de cerca de 500 telefones, cujos números aparecem na lista de ligações feitas ou recebidas por envolvidos na negociação de compra do dossiê contra políticos do PSDB.
A quebra do sigilo permitirá à PF identificar os donos dos telefones. Essa identificação é uma alternativa, usada pela PF, para tentar chegar à origem do dinheiro (R$ 1,168 milhão e US$ 248,8 mil), apreendido no dia 15 de setembro no Hotel Ibis, em São Paulo. Os recursos seriam usados por membros do PT para comprar documentos que envolveriam José Serra, governador eleito de São Paulo, com a Máfia dos Sanguessugas. A informação é do repórter Hudson Corrêa, do jornal Folha de S.Paulo.
No rastreamento da quantia, a Justiça Federal decretou, no início das investigações, a quebra dos sigilos bancários de agências do Bradesco, BankBoston, Safra, Banco do Brasil e Sofisa em Brasília, Rio de Janeiro e São Paulo. O objetivo é identificar os responsáveis por saques acima de R$ 10 mil entre 28 de agosto e 14 de setembro.
O volume de informações, porém, é muito grande, o que torna difícil rastrear o dinheiro desta forma. O delegado Diógenes Curado Filho, que conduz as investigações, recebeu uma lista de 200 mil saques feitos somente nas agências do Bradesco.
Por causa dessa dificuldade, a PF concentra esforço em rastrear ligações feitas ou recebidas pelos envolvidos com a compra dossiê do fim de agosto e ao dia 15 de setembro. Até a semana passada, a PF tinha obtido a quebra de 70 sigilos telefônicos no inquérito aberto para apurar o caso.
Entre os envolvidos com sigilo quebrado está Hamilton Lacerda, que era coordenador da campanha do senador Aloizio Mercadante (PT) ao governo de São Paulo. Conforme a PF, Hamilton levou a mala de dinheiro ao Hotel Ibis. Ele nega.
Também tiveram os sigilos telefônicos quebrados Jorge Lorenzetti e Oswaldo Bargas, ex-assessores da campanha de Lula. A lista ainda incluiu Expedito Afonso Veloso, que deixou a diretoria do Banco do Brasil após o escândalo, o advogado Gedimar Pereira Passos e o empresário Valdebran Padilha da Silva. Os dois últimos foram presos com o dinheiro no hotel.
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Revista Consultor Jurídico, 9 de outubro de 2006
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