Notícias
30 novembro 2006
Guerra do papel
Uruguai recorre à Corte de Haia contra a Argentina
Buenos Aires — O governo do Uruguai acionou a Corte Internacional de Justiça de Haia, máxima instância judicial das Nações Unidas, contra o governo argentino. Uruguai e Argentina estão em confronto em razão da construção, pelo Uruguai, de uma fábrica de papel às margens do Rio Uruguai, na fronteira dos dois países.
O governo do presidente Tabaré Vasquez pede ao tribunal internacional que mande a Argentina suspender os bloqueios que manifestantes estabeleceram sobre a ponte entre a cidade argentina de Gualeguaychu e a cidade uruguaia de Fray Bentos, onde está sendo construída a fábrica da discórdia.
Enquanto recorria ao tribunal, o governo uruguaio determinou nesta quarta-feira (29/11) também que o Exército assuma o controle e a segurança da fábrica em construção em Fray Bentos. Os uruguaios alegam que estão sendo prejudicados com a impossibilidade de circulação de mercadorias e de pessoas na área. Apontam principalmente graves prejuízos com o turismo. Os manifestantes argentinos dizem estar dispostos a manter os bloqueios até fevereiro, justamente até o fim da alta temporada de turismo na região.
O confronto já dura quase um ano. Ambientalistas argentinos protestam contra a construção da fábrica Botnia, de origem finlandesa no lado uruguaio da fronteira. Sustentam que a fábrica irá causar graves danos ao meio ambiente e ao Rio da Prata.
Em junho, a Argentina já havia recorrido à Corte contra o Uruguai, mas sofreu um profundo revés. Na época, os argentinos pediam que fosse determinada a suspensão das obras da fábrica tendo como base tratados de preservação ambiental firmados entre os dois paises em 1975. Nesta oportunidade o tribunal internacional rejeitou os argumentos argentinos por 14 a 1. Antes de entrar no mérito da questão, a Corte preferiu não abrir precedentes em disputas semelhantes. O tribunal já marcou uma audiência com as partes para o dia 18 de dezembro.
Maurício Cardoso é diretor de redação da revista Consultor Jurídico
Revista Consultor Jurídico, 30 de novembro de 2006
Arquivo
Leia também: Textos relacionados
- 06/11/2006 Presidente da UIA questiona julgamento de Saddam
- 05/11/2006 Rezek critica governo de Bush por prisões em Guantánamo
- 25/09/2006 Naturais do Mercosul têm direitos trabalhistas no país
- 23/08/2006 Seminário discute independência na América Latina
- 26/07/2006 Juiz manda governo pagar remédio a cidadã argentina
- 22/06/2006 Brasil e Uruguai assinam Acordo de Residência
- 11/03/2006 Milosevic é encontrado morto em sua cela em Haia
- 06/02/2003 Uma juíza brasileira no Tribunal Penal Internacional
Comentários
Comentários de leitores: 0 comentários
A seção de comentários deste texto foi encerrada em 08/12/2006.