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Caso Toninho do PT

MP pede que acusado de matar Toninho do PT vá a Júri

O caso do assassinato do então prefeito de Campinas, Antônio da Costa Santos, o Toninho do PT, ganhou um novo capítulo. O Ministério Público quer que o seqüestrador acusado de ter praticado o crime, Wanderson Nilton de Paula Lima, o Andinho, seja submetido a julgamento e condenado pelo Tribunal do Júri. O relatório com o pedido foi entregue pelo Ministério Público de Campinas (São Paulo) ao juiz da Comarca da cidade.

Toninho do PT foi morto a tiros em 2001, enquanto dirigia o seu carro na saída de um shopping em Campinas. A família de Toninho do PT acredita que a morte teve motivação política.

A Polícia Civil chegou à conclusão de que o prefeito foi assassinado porque seu carro atrapalhou a fuga da quadrilha de Andinho. O seqüestrador foi o único do grupo criminoso que sobreviveu. Os outros quatro membros da quadrilha, acusados de envolvimento no crime, foram assassinados pela Polícia Civil em uma ação no município de Caraguatatuba (SP), em 2003.

Segundo o MP, o laudo pericial atesta que houve a intenção de matar, diante da quantidade de disparos contra o carro. Apesar de Andinho não ter sido o autor dos disparos, o MP concluiu que deve ser julgado pelo Tribunal do Júri. Isso porque, entende que foi ele quem instigou os membros de sua quadrilha a disparar contra o ex-prefeito.

“Como dirigente das atividades dos demais agentes, liderou e prestou apoio moral a seus comparsas, fazendo presente no interior do veículo desde o início da empreitada criminosa, inclusive portando, assim como os demais, armas de fogo”, argumenta o Ministério Público.

Leia o relatório

Autos nº 540/2002

Vara do Júri – Comarca de Campinas

Réu: WANDERSON NILTON DE PAULA LIMA

Autor: MINISTÉRIO PÚBLICO

Alegações Finais – Artigo 406 do C.P.P.

Meritíssimo Juiz:

O Réu WANDERSON NILTON DE PAULA LIMA, vulgo “ANDINHO”, está sendo processado como incurso no artigo 121, § 2º, inciso IV, c.c. artigo 29; e no artigo 157, § 3º, segunda parte, c.c. artigo 14, inciso II, por duas vezes, tudo c.c. artigo 62, inciso I, e na forma do artigo 69, todos do Código Penal, tendo em vista que:

a) no dia 10 de setembro de 2001, por volta das 22:15 horas, na Avenida Mackenzie, nas proximidades da concessionária de veículos “Adara”, nesta cidade e comarca de Campinas, Anderson José Bastos, também conhecido pelas alcunhas de “Anso”, “Alemãozinho” e “Puff”, já falecido, agindo com intento homicida, mediante disparo de arma de fogo e usando de recurso que dificultou a defesa da vítima, matou Antônio da Costa Santos, apelidado de “Toninho do PT”, então Prefeito do Município de Campinas, produzindo neste os ferimentos descritos no laudo de exame necroscópico de fls. 800/801, que foram a causa eficiente do óbito;

b-) WANDERSON NILTON DE PAULA LIMA, vulgo “ANDINHO”, concorreu, de qualquer modo, para o crime acima mencionado, eis que, como dirigente das atividades dos demais agentes, fazendo-se presente desde o início da empreitada criminosa, portando armas de fogo, instigou e aderiu à conduta do autor dos disparos. Igualmente concorreram para o crime em questão Valmir Conti e Valdecir de Souza Moura, vulgo “Fiinho”, ambos já falecidos;

c-) Minutos antes do crime acima citado, por volta das 22:05 horas, na Rua Nova Granada, altura do numeral 330, bairro Chácara da Barra, nesta cidade e comarca de Campinas, WANDERSON NILTON DE PAULA LIMA, vulgo “ANDINHO”, agindo em concurso e unidade de propósitos com os já falecidos Anderson José Bastos, de vulgos “Anso”, “Alemãozinho” e “Puff”, Valmir Conti e Valdecir de Souza Moura, vulgo “Fiinho”, tentou subtrair, para si, mediante violência e grave ameaça, o veículo da marca General Motors, modelo Vectra, de cor verde, de placas FBI-0180/Campinas, em cujo interior estavam as vítimas Uilson Franco e Celso Alves dos Santos, contra as quais, com intento homicida, foram efetuados disparos de arma de fogo, que atingiram somente o automóvel, não consumando o delito por circunstâncias alheias à sua vontade.

I – Da Denúncia

Apurou-se que o Réu e seus falecidos comparsas, no dia 10 de setembro de 2001, por volta das 22:05 horas, trafegavam pela Rua Nova Granada, quando avistaram o veículo GM Vectra, de cor verde e placas FBI-0180, conduzido por Uilson Franco, que tinha como passageiro Celso Alves dos Santos. Tendo a intenção de subtrair tal automóvel, o Acusado e seus comparsas emparelharam o veículo em que estavam, um GM Vectra, de cor prata, com placas GVF-5346/Uberlândia, produto de crime, com aquele outro e o abalroaram na lateral esquerda. Ato contínuo, utilizando de uma arma de fogo, quebraram o vidro traseiro esquerdo do mesmo carro e gritaram para a vítima Uilson parar e entregar o veículo.

Todavia, Uilson tentou fugir do Réu e de seus comparsas, efetuando inclusive manobras na direção da calçada de pedestres, sendo, mesmo assim, perseguido, o que ocasionou novas pequenas colisões entre os dois carros. Além disso, os perseguidores efetuaram contra as vítimas disparos de arma de fogo, que atingiram o veículo em que estas estavam. A vítima Uilson, na condução do seu automóvel, com as manobras que efetuou, conseguiu afastar-se de seus roubadores, impedindo, assim, a subtração do veículo e garantindo a preservação de sua integridade física e a de seu acompanhante.

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Revista Consultor Jurídico, 29 de novembro de 2006, 19:03h

Comentários de leitores

1 comentário

Que vergonha! Até um cego viu quem mandou matar...

Helena Fausta (Bacharel - Civil)

Que vergonha! Até um cego viu quem mandou matar Celso Daniel e Toninho do PT, e a PF não encontrou nenhum vestígio político, só aqui mesmo...é um absurdo que duas pessoas (autoridades importantes), morram por conta do faturamento de propinas e nada se tem a declarar, agora a imprensa ta mira do PT, se alguém tombar não será certamente crime político, ditadura talvez...quem sabe?

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