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27 novembro 2006
Advocacia abandonada
Atual gestão da OAB-SP está voltada para interesses pessoais

Esta é a segunda reportagem da série que a Consultor Jurídico publica sobre os candidatos à presidência da seccional paulista da OAB. Cada reportagem, publicada na seqüência alfabética dos nomes dos candidatos, constitui-se de um perfil e de respostas a cinco perguntas idênticas feitas aos quatro postulantes.
Com a justificativa de que está cansado com o desrespeito às prerrogativas dos advogados, o abandono da profissão e a inoperância da atual gestão da seccional paulista da Ordem dos Advogados do Brasil, Leandro Pinto resolveu se candidatar à presidência da entidade para reverter a situação. Em entrevista à Consultor Jurídico, o candidato fez duras críticas a atual gestão. Em sua gestão, promete: o valor da anuidade será reduzido; os advogados terão de volta a credibilidade que perderam; e o Ministério da Educação vai responder judicialmente pela quantidade de autorizações que concedeu para a abertura de cursos de Direito.
A eleição na OAB-SP acontece na próxima quinta-feira (30/11), a partir das 10 da manhã.
Todo o ímpeto de reformador do mundo e de restaurador da OAB demonstrado pelo candidato tem a ver, com certeza, com sua idade. Leandro Donizete Pinto tem 30 anos. Quando seus adversários na disputa pela OAB estavam saindo da faculdade Direito, ele estava entrando no pré-primário. Quando ele próprio se formou, em 1997, pela Universidade Metodista de Piracicaba, Luís Flávio Borges D’Urso, o presidente que concorre a reeleição da seccional paulista, já era conselheiro da OAB.
Juventude neste caso, ele acredita, é virtude e não defeito. “Pessoas com mais idade e mais experiência do que eu são as responsáveis pelos últimos 20 anos de inoperância da OAB. Precisamos de uma pessoa com um outro perfil para mudar esta situação”.
Não faz parte de nenhum dos grupos políticos que se articulam dentro da Ordem. Não fez política estudantil e não se peja em revelar que está disputando a primeira eleição de sua vida. “Graças a Deus não tenho experiência em política de classe. Porque é justamente contra a estrutura viciada da OAB, em que as pessoas se articulam visando aos interesses próprios, que lancei minha candidatura”.
Ele vem de uma família de advogados, o que o influenciou na escolha da profissão. “Na faculdade, numa sala de 80 alunos, o único que levantou a mão quando perguntaram quem queria ser advogado fui eu”, recorda.
Por isso ele diz que não é de se estranhar que sua chapa seja constituída de 103 nomes de advogados praticamente desconhecidos. “Mas é uma chapa que representa justamente os milhares de advogados desconhecidos e anônimos que formam a base da OAB-SP.”
A seguir, conheça as opiniões de Leandro Pinto sobre temas relevantes da campanha eleitoral da OAB-SP.
ConJur — Por que o senhor quer ser presidente da seccional paulista da Ordem dos Advogados do Brasil?
Leandro Pinto — Porque há uma necessidade. Ao longo de 20 anos, o mesmo grupo toma conta da OAB-SP. A atual gestão se mostrou falha e inoperante. Levou a entidade ao fundo do poço. O prestígio do profissional de Direito está sendo abalroado dia após dia. É óbvio que esse fato é culpa da inoperância das gestões que passaram pela OAB. A advocacia é a profissão da vez, que está sendo mais destruída. Não só no Brasil, em todo o mundo. O advogado está perdendo espaço na sociedade. A prerrogativa é inerente à nossa profissão, não é um estado de graça. Temos que lutar para não perdermos as nossas prerrogativas. O advogado é vistoriado quando entra em presídios, é maltratado em cartórios, os processos não andam e isso traz insegurança para a sociedade. Além disso, as gestões anteriores não estavam comprometidas com a classe. São pouquíssimos os que passaram pela presidência da entidade e voltaram a advogar. Isso é um grande problema.
ConJur — Quais são as suas três principais propostas da chapa Ação, movimento de Renovação da OAB-SP?
Leandro Pinto — Tenho uma proposta que vai levar a OAB para a vanguarda tecnológica de entidades de classes do mundo inteiro. Quero instituir uma TV OAB que esteja 24 horas no ar, pela internet e gratuita. Ao contrário da atual que só transmite material para promover essa presidência, na minha gestão vamos transmitir notícias sobre problemas do Judiciário. Todas as subseções terão espaço, o que não acontece hoje. Pretendo ainda criar o Net Curso OAB. Com ele, os operadores do Direito terão acesso a toda jurisprudência e todo conteúdo doutrinário existente no curso de Direito. Em todas as áreas de Direito. Além disso, todos os cursos oferecidos pela Escola Superior de Advocacia (ESA), que são presenciais, serão transmitidos via internet.
Lilian Matsuura é repórter da revista Consultor Jurídico
Revista Consultor Jurídico, 27 de novembro de 2006
Comentários
Comentários de leitores: 3 comentários
Parabéns Sr. Leandro, demonstra coragem em fala...
Parabéns! Pela primeira vez,em muito tempo,alg...
O dr. Leandro disse: "São pouquíssimos os que p...
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