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17 março 2006
Tribunal rebelde
TJ mineiro diz que vai resistir às determinações do CNJ
O Tribunal de Justiça de Minas Gerais está “disposto a resistir às determinações do Conselho Nacional de Justiça” e “não confia mais nas decisões do Supremo Tribunal Federal”, porque o presidente do STF, ministro Nelson Jobim, “tem objetivos eleitoreiros”. Contudo, os desembargadores se insurgem contra uma medida que foi tomada por outros nove ministros do Supremo, além de Jobim.
A decisão de resistir ao CNJ foi anunciada pelo desembargador Gudesteu Biber Sampaio, ex-presidente do TJ mineiro, em entrevista coletiva nesta sexta-feira (18/3). Para os desembargadores, o Conselho usurpa sua função de fiscalização administrativa e quebra o pacto federativo.
Na coletiva, Biber Sampaio também afirmou que os desembargadores não concordam com a determinação do Conselho que pôs fim às férias coletivas, que de acordo com eles, não trouxe nenhum benefício para o tribunal. Isso porque as decisões são colegiadas e, a cada mês, há um desembargador de férias.
Outra medida do conselho criticada pelos desembargadores, foi a mudança dos critérios para a promoção de juiz. Para o TJ mineiro, ao invés de garantir qualidade no processo de promoção, prejudicou a carreira dos “bons juízes”. Quanto à Resolução que acabou com o “nepotismo”, Biber Sampaio disse que isso já é passado e uma questão resolvida em Minas.
Sampaio citou a minuta de resolução do CNJ, que dispõe sobre a aplicação do teto remuneratório, e disse que o texto contraria garantias constitucionais, como a irredutibilidade dos vencimentos, o direito adquirido e da coisa julgada.
Gota d´água
O presidente do TJ de Minas Gerais, desembargador Hugo Bengtsson, reafirmou que não se trata de uma questão financeira e que os desembargadores de Minas já estavam insatisfeitos com decisões do Conselho. A minuta de resolução que trata do teto remuneratório teria sido “a gota d´água”.
Para os desembargadores de Minas, outras medidas discutidas em Brasília atentam contra a democracia, entre elas a tentativa de criação do Conselho Nacional de Imprensa, considerado por eles como a “volta da censura”; o Conselho Nacional do Ministério Público, que, de acordo com eles, impede a atuação do MP. Eles falaram ainda em “conspiração contra o Poder Judiciário” em prol de interesses econômicos internacionais.
Leia a íntegra do manifesto
DENÚNCIA E CONCLAMAÇÃO
O Tribunal de Justiça de Minas Gerais, diante das recentes e anunciadas resoluções estabanadas que, no mínimo, afrontam os princípios mais comezinhos do Pacto Federativo e mesmo do Direito e da Justiça, e que têm procurado humilhar as justiças estaduais e, particularmente, seus juízes, pede aos que possuem um mínimo de discernimento e boa-fé, que atentem para um movimento de resistência e mesmo de insubmissão que ora está a deflagrar.
Não se esqueçam de que esta Corte de Justiça, ao longo dos anos, vem contribuindo para a construção do Direito brasileiro, personificada dentre outros em Orozimbo Nonato, Hermenegildo de Barros, Tito Fulgêncio, Edmundo Pereira Lins, Amílcar de Castro, Carlos Fulgêncio da Cunha Peixoto, Hélio Costa e Edésio Fernandes.
O TJMG - é bom que se lembre e afirme - é o mesmo que estruturou os Juizados Especiais Criminais e Cíveis, num sistema que virou padrão para o país.
Numa área em que tem sido crescente a omissão do Estado, principalmente da União, que é o equacionamento do problema da violência e da expansão da criminalidade, o TJMG vem contribuindo com um sistema de APACS, que também já chamou a atenção até de organismos internacionais, isso sem falar na larga repercussão social em nossas cidades.
É ele ainda que atentou para o problema dos incapazes com outro programa inovador, o do PAI PJ, e que organizou uma escola para a formação de juízes, também modelo no país.
E o que dizer das Centrais de Conciliação, iniciativa que vem se espalhando pelo Estado, compondo conflitos e desestimulando a propositura de ações dolorosas e sempre difíceis de serem vencidas, notadamente porque centradas em problemas familiares?
Tudo isso vem sendo feito – acentue-se, sobretudo porque muito importante - com a decisiva contribuição de seus membros e dos magistrados mineiros, que nada recebem a mais por tais iniciativas e enormes responsabilidades.
Quem questiona demagogicamente nossas atividades, certamente sequer se digna de ler o Diário Oficial na parte do Poder Judiciário. Ali se pode constatar o trabalho imensurável que os magistrados vêm desenvolvendo cotidianamente, julgando centenas de casos, com todos se empenhando até além dos limites do tolerável e em sacrifício de suas vidas familiares.
Declara, ainda, o TJMG, que a adoção sumária das férias individuais, no Tribunal, por ordem e sob sanções do Conselho Nacional de Justiça, tem aumentado a demora da prestação jurisdicional, feito o Tribunal funcionar sempre incompleto e o obrigado a custos e despesas adicionais, em detrimento do Erário e do interesse dos jurisdicionados.
Revista Consultor Jurídico, 17 de março de 2006
Comentários
Comentários de leitores: 7 comentários
É curiosa essa encrenca, esse imbróglio. Briga ...
Concordo em termos com o comentário do comentar...
90% das sentenças do poder judiciário diz não p...
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