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30 junho 2006
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TSE confirma proibição de cinco campanhas do governo federal
O Plenário do Tribunal Superior Eleitoral confirmou a proibição de veiculação de quatro campanhas publicitárias do governo federal. A decisão foi tomada nesta sexta-feira (30/6).
As propagandas proibidas são as da Olimpíada de Matemática, Prêmio Professores do Brasil, a divulgação do Projeto Rondon e a propaganda do Tele-atendimento 135, do INSS. Em decisões monocráticas do ministro Marco Aurélio, todos pedidos de propaganda já tinham sido negados.
Olimpíada de Matemática
O governo federal pediu autorização para imprimir e distribuir cartazes divulgando a Olimpíada Brasileira de Matemática das Escolas Públicas, promovida pelo Ministério da Educação. O MEC pretendia distribuir cartazes para divulgar a campanha junto a 15 milhões de alunos.
O presidente do TSE, ministro Marco Aurélio, observou que não se coloca em dúvida a importância de incentivar o estudo e que é preciso desenvolver esforços nesse sentido para o aprimoramento dos jovens. “Ocorre que os cartazes a serem veiculados ressaltam a participação do Governo Federal e aí ganham contornos, ante o grande segmento destinatário, de propaganda institucional, a desequilibrar a disputa nas eleições de outubro próximo”, concluiu.
Prêmio Professores do Brasil
A Subsecretaria de Comunicação Institucional da Presidência da República pediu autorização para produzir e distribuir, até o dia 9 de agosto deste ano, material promocional do prêmio, destinado a professores da educação infantil e das séries iniciais do ensino fundamental. O presidente do TSE, individualmente, indeferiu o pedido, por não considerar presentes os requisitos da “grave e urgente necessidade pública”.
A Advocacia-Geral da União recorreu da decisão, tendo em vista o “caráter excepcional” da produção e distribuição do material. Segundo a AGU, apesar de a premiação estar programada para outubro, a preparação do evento demanda tempo.
No julgamento do recurso, o Plenário reafirmou que não se coloca em dúvida a necessidade de desenvolver a educação, que definiu como “intrincada questão, problema tão antigo quanto o Brasil”, e citou números que revelam a crise no setor educacional. Destacou, no entanto, que o momento escolhido para a publicidade do prêmio é “inadequado”.
Queimadas
Em recurso, a União pedia autorização para veicular, entre os meses de junho e julho de 2006, campanha publicitária destinada a combater o uso indevido de queimadas próximas de linhas de transmissão e subestações. Argumentou que a campanha seria imprescindível para o governo federal, considerando os prejuízos que as queimadas causam ao meio ambiente e às linhas de transmissão, o que acarretaria curtos-circuitos em diversas áreas.
O ministro Marco Aurélio, reafirmou, contudo, que o caso concreto não se enquadra na exceção prevista na Lei 9.504/97 (Lei das Eleições). De acordo com o artigo 73, inciso VI, é vedado aos agentes públicos, nos três meses antes das eleições, fazer publicidade institucional, salvo em caso de grave e urgente necessidade pública, assim reconhecida pela Justiça Eleitoral.
Projeto Rondon
O governo federal insistia no pedido de autorização para veicular material publicitário do Projeto Rondon para divulgar ações previstas no Vale do Ribeira (SP) e em municípios do Acre. No recurso, a União invocou a “urgência e gravidade” da divulgação, tendo em vista que o projeto é uma atividade extracurricular de alunos universitários e tem de ser realizado, necessariamente, no mês de julho, durante as férias escolares.
O ministro Marco Aurélio, no entanto, salientou que “ninguém coloca em dúvida o valor do Projeto Rondon, no que universitários passam a assistir populações carente. No entanto, daí a usar-se desse instrumento para realçar a atuação do governo federal, cujo titular caminha para a reeleição, é passo demasiadamente largo”.
Tele-atendimento 135
O TSE também proibiu a propaganda do Tele-atendimento 135. Por meio do número, os segurados do INSS podem marcar atendimento nos postos da instituição. A propaganda seria feita nos meses de junho, julho e agosto deste ano. No recurso, o Ministério da Previdência Social afirmou que busca melhorar o atendimento ao beneficiário, trabalhando com medidas para reduzir as filas nas agências da Previdência Social. Por isso, pediu autorização para a campanha de divulgação do novo serviço, lançado em junho em Recife (PE).
De acordo com o TSE, “houve tempo suficiente para fazer a campanha pretendida, aliás isoladamente inócua, mas a lembrança só ocorreu às vésperas das eleições. Cabe atentar para o fato de o bom atendimento pela Previdência Social depender muito mais da referida estruturação dos serviços do que da educação direcional dos cidadãos que deles necessitam”.
Revista Consultor Jurídico, 30 de junho de 2006
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Comentários
Comentários de leitores: 1 comentário
Engraçado, o governo miraculosamente resolve mo...
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