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28 junho 2006
Verdadeiros governantes
Quem é excluído: o criminoso ou a sociedade trancafiada com medo?
Há muito, é cônscio entre a grande maioria pensante dos cidadãos brasileiros que temos somente obrigações, sendo principalmente aquelas de cunho pecuniário, como os inevitáveis pagamentos de tributos de toda sorte. Nos esquecemos que também possuímos direitos, desde os mais elementares até aos mais violados, todos estampados na Constituição brasileira.
Contudo, mesmo procurando por esses tais direitos básicos ou fundamentais, como a educação, a saúde, a segurança, etc., por certo, pouco ou quase nada vamos encontrar ao nosso favor, a não ser pagando para tê-los. Se quisermos realmente ingressar em uma faculdade, trabalhando ao mesmo tempo, por exemplo, só se for em uma instituição particular.
No âmbito da saúde, pergunto, sempre quando tenho oportunidade, para as pessoas que dirigem hospitais públicos, se em verdade o dinheiro que nos é ‘arrancado’ pelo imposto da CPMF chega até eles. Recebo como resposta um silêncio irônico, disfarçado e ao mesmo tempo vergonhoso.
Chegamos então ao ponto crucial do momento: temos realmente segurança para vivermos dignamente? Resta óbvio que não. O brasileiro está desprotegido, e isso não é culpa, pelo menos em grande parte, da nossa valorosa Polícia, que infelizmente possui em seus quadros elementos que são aliados aos criminosos, mas sim dos nossos governantes, que não dão o exemplo. Pelo contrário, afinam-se na imoralidade e corrupção generalizada.
Temos de ficar, em pleno século XXI, trancafiados em nossas próprias residências, enquanto aqueles que são chamados de excluídos nos atacam sem dó e nem piedade, retirando de nós o pouco que angariamos com muito suor e trabalho. Pergunto: em verdade, quem são os autênticos excluídos? Nós, que pagamos impostos e devemos suportar a incompetência de nossos governantes, ou estes meliantes, ditos párias da sociedade e que nos atacam gratuitamente?
O que se percebe de forma clara é que nós verdadeiramente é quem somos os autênticos excluídos, e não eles, pois é indisfarçável que estamos de joelhos aos “reais” governantes de nosso país, em que pese estarmos trabalhando cinco meses por ano, apenas para pagar impostos direcionados para o gasto público que ninguém vê! Onde estão, afinal, os meus direitos? Pelo que estou entendendo atualmente, parece que não tenho nem mesmo direito à vida, correto?
Até quando teremos de custear estupradores, assassinos, estelionatários, seqüestradores, traficantes e outros bandidos da pior natureza — leia-se, os do colarinho branco — quando estes poderiam estar trabalhando e realmente pagando para a sociedade aquilo de deprimente que fizeram, ao invés de rebelarem por condições de vida melhor? Chega de medidas eleitoreiras e assistencialistas. Basta aos governos populistas e corruptos que nos regem!
Enfim, tenho de assumir que excluído sou eu, meus familiares, meus amigos, ou melhor, somos nós todos, toda a sociedade de bem que existe no nosso país. Se quisermos realmente resistir ao cruel momento em que vivemos, isto é, revertermos a situação de reféns dos bandidos a que estamos submetidos, teremos de pressionar os poderes públicos para que tomem reais e efetivas medidas para esse enfrentamento.
A criação de mais leis repressivas não é a solução e sim efetivarmos a certeza da punição para os que transgridem a lei e a ordem no Brasil, colocando um ponto final a essa atual e letárgica hipocrisia vivida nas áreas primordiais de nossos direitos elementares, principalmente com relação à segurança, e fazendo algo realmente de concreto para acabar com a miséria e a criminalidade neste país.
Marcelo Di Rezende Bernardes é advogado em Goiás, sócio do escritório Rezende & Almeida Advogados Associados e diretor da Associação Brasileira dos Advogados — Seção de Goiás.
Revista Consultor Jurídico, 28 de junho de 2006
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Comentários
Comentários de leitores: 3 comentários
Bem escrito o artigo sobre a exclusão do cidadã...
Data venia, nestes tempos bicudos, rende votos ...
Não obstante o artigo ter inteligência em suas ...
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