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9 junho 2006

Missão do profissional

Acrimesp repudia divulgação de nomes de advogados investigados

Em nota à imprensa, a Acrimesp — Associação dos Advogados Criminalistas do Estado de São Paulo manifestou repúdio à divulgação dos nomes de 33 advogados supostamente ligados a membros da facção criminosa PCC — Primeiro Comando da Capital.

O presidente do Conselho da Acrimesp, Ademar Gomes, defendeu que “não se pode divulgar nomes de profissionais pelo simples fato de advogarem para pessoas envolvidas no crime, colocando o profissional sob suspeição perante a sociedade e seus familiares. O direito à defesa é norma constitucional e todos respondem a qualquer tipo de processo têm direito a um advogado”.

Na quinta-feira (8/6), o presidente da seccional paulista da OAB, Luiz Flávio Borges D´Urso, encaminhou a lista de advogados ao Tribunal de Ética e Disciplina da entidade, mas decretou o sigilo do conteúdo.

Ademar Gomes afirmou que, em caso de forte evidência de envolvimento de advogados com crimes, a Comissão de Ética da OAB deve investigar. “Mas não se pode acusar o advogado que está cumprindo a sua missão, prevista constitucionalmente.”

Inicialmente, a lista foi apresentada pelo deputado Raul Jungmann (PPS-PE) ao presidente nacional da OAB, Roberto Busato, durante reunião com a CPI do Tráfico de Armas. Busato, por sua vez, encaminhou a relação à OAB de São Paulo e solicitou a abertura de representação.

Os dados foram fornecidos pelo Departamento Penitenciário Nacional do Ministério da Justiça e mostram a relação de visitas supostamente feitas por esses 33 advogados a integrantes do PCC em presídios de São Paulo. De acordo com o documento, uma advogada tem 106 visitas registradas a detentos que fazem parte da facção criminosa. Em apenas um dia (22 de fevereiro deste ano), essa mesma profissional teria visitado seis presos diferentes.

Revista Consultor Jurídico, 9 de junho de 2006

Comentários

Comentários de leitores: 3 comentários

12/06/2006 11:45 mangusto (Advogado Autônomo)
As entidades de classe dos advogados, encabeçad...
As entidades de classe dos advogados, encabeçadas pela OAB. necesitam, urgentemente, de iniciar campanha visando corrigir as distorções que, por inorância, ou por má -fé, se verificam no conceito do que seja a atividade do advogado. Os ataques se sucedem, de modo concertado, mormente na imprensa, cujos representantes, é bom lembrar, em tempos passados, tiveram nos advogados a última barreira de defesa, frente ao arbítrio da ditadura. Os que querem limitar e reduzir à expressão mais simples, as prerrogativas profissionais, serão os mesmos os a lamentar-se quando, suprimidas estas, tiverem que buscar na classe, defensores para sua liberdade de expressão. Somos, afinal, elos de um mesmo círculo, dependentes mutuamente, e guerrear-nos sómente trará danos coletivos. Quem viver, verá.
11/06/2006 09:17 Émerson Fernandes (Advogado Autônomo - Civil)
Tenho manifestado a inha preoculpação com os co...
Tenho manifestado a inha preoculpação com os constantes ataques que a nossa categoria vem sofrendo, e a repercussão no desempenho de nossas atividades. Agora, patrocinar a defesa de um réu já está virando motivo para o profissional ter o seu nome divulgado na imprensa como "suspeito". Vejo jornalistas darem as notícias com o tom do deboche, da arrogancia e prepotência dos "salvadores da pátria", e sem respeito aos bons profissionais, jogando todos na vala comum, e quem for limpo que prove o contrário. Necessitamos de uma imensa campanha de valorização profissional, para elevarmos o nosso conceito perante a sociedade, e evitarmos a banalização dos ataques aos Advogados e a própria Justiça.
10/06/2006 11:07 Rubens (Bancário)
Sem comentários... Por que cobrir atos ilicitos?
Sem comentários... Por que cobrir atos ilicitos?

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