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8 junho 2006

Pele de cordeiro

Promotor baiano é condenado por estupro e ameaça

O Tribunal de Justiça da Bahia condenou o promotor de Justiça Marco Antonio da Silva Gonzaga a nove anos e oito meses de prisão pelos crimes de estupro e ameaça. A decisão foi do Pleno do TJ baiano e o processo teve como relator o desembargador Raimundo Queiroz.

Durante o julgamento, sustentou oralmente, o procurador-geral de Justiça Lidivaldo Reaiche Britto, que usou da palavra durante 40 minutos e pediu a condenação de Marco Antônio.

O promotor de Justiça foi afastado preventivamente em 2002 e se encontrava em disponibilidade, com o salário reduzido em um terço desde o ano passado. O julgamento teve a participação de 22 desembargadores, além do presidente do Tribunal de Justiça, e a condenação foi unânime.

Segundo Lidivaldo, o promotor de Justiça vai responder em liberdade e pode recorrer ao Supremo Tribunal Federal. O procurador explica que, em 2002, quando atuava na comarca de Itaberaba, Marco Gonzaga foi procurado por uma cidadã que pleiteava entrar com uma ação de alimentos em favor de uma filha menor de 16 anos.

No lugar de cumprir seu papel, o promotor levou a moça para casa, onde a submeteu a sucessivos estupros durante sete meses, sob ameaças, até que, grávida, ela abortou, fugiu para outra cidade e, em seguida para Ruy Barbosa, para onde o promotor de Justiça se deslocou e fez ameaças, sendo denunciado à Promotoria daquele município.

O fato foi levado ao procurador-geral de Justiça na época, Achiles Siquara que, depois de acionar a Corregedoria do Ministério Público, ingressou com uma ação penal.

Durante a acusação, Lidivaldo pediu, em nome do Ministério Público da Bahia, perdão à jovem que teve a vida destruída e condenou o fato de uma pessoa ser violentada justamente quando buscava apoio da instituição que deveria protegê-la.

Segundo ele, o MP vai aguardar o trânsito da sentença a fim de que seja ajuizada uma ação para a perda do cargo do promotor de Justiça. Marco Antonio já foi condenado por outros crimes como fazer ameaças a uma serventuária de Justiça e vem sendo processado por uma juíza de Itaberaba que teve a honra agredida por ele.

Revista Consultor Jurídico, 8 de junho de 2006

Comentários

Comentários de leitores: 5 comentários

10/08/2006 13:46 Karine Saady (Assessor Técnico)
Tendo em vista a ocorrencia em serie destes cas...
Tendo em vista a ocorrencia em serie destes casos envolvendo Promotores, o MP poderia mostrar a sociedade quais os critérios de avalição no concurso seletivo para Promotores de Justiça. E usando deste espaço, gostaria de dizer que cada vez mais, as carreiras jurídicas são procuradas por seus salários astronomicos, do que por identificação profissional, há cada dia vemos pessoas sem identificação alguma as causas sociais sendo nomeadas Promotores, Juíze, Defensores, etc.
10/08/2006 09:15 Ivan Dario (Advogado Sócio de Escritório)
Ah, Luciane, provavelmente passou porque cumpr...
Ah, Luciane, provavelmente passou porque cumpriu o mais importante: três anos de prática jurídica comprovados na inscrição para o concurso! Não foi uma alteração legislativa precisa, pertinente e seletiva?
9/08/2006 14:58 Lu2007 (Advogado Autônomo)
Mas como uma "coisa" dessas passa no concurso e...
Mas como uma "coisa" dessas passa no concurso e entra no MP?

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