Notícias
7 junho 2006
Fim da farra
TSE proíbe coligação estadual quando não há vínculo nacional
O principal argumento do PMDB para não lançar candidatura própria à Presidência da República caiu por terra no fim da noite desta terça-feira (6/6). O Tribunal Superior Eleitoral decidiu que um partido, mesmo sem candidato no plano nacional, não pode se coligar com quem quiser. Apenas com legendas que, igualmente, não se coligaram a ninguém.
Ou seja: se o partido “A” coligou-se com o partido “B”, nacionalmente, nos estados, nenhum dos dois poderá se coligar com um terceiro partido.
A decisão, com o voto de seis dos sete ministros do TSE, foi estabelecida em resposta à consulta 1.225, do Partido Liberal. A regra confirmou a verticalização nas coligações para as eleições deste ano.
A Consulta do PL perguntou: "Considerando-se que um determinado partido “A” coligue-se com o partido “B” em plano nacional, pergunta-se: num cenário estadual, levando-se em conta que o partido “A” tenha candidato próprio ao governo do estado, e o partido “B” não possui candidato próprio nesse estado, poderá o partido “B” celebrar coligações com o partido “C”, que não compôs a coligação de nível nacional, nem se coligou com qualquer outro partido na esfera nacional?"
O relator da matéria, ministro Cesar Asfor Rocha, respondeu positivamente à Consulta. O presidente da Corte, ministro Marco Aurélio, divergiu, ponderando que dessa forma, a regra da verticalização perderia o sentido.
"O que se observa é o acasalamento. Ele (o partido) vai se coligar com quem se coligou lá em cima? De uma forma diversa? Não, porque aí esvazia totalmente a verticalização. É o faz-de-conta?", argumentou o ministro Marco Aurélio. "Ele não se coligou lá em cima, mas não pode se coligar com quem já está coligado lá em cima. Ele pode se coligar com quem quiser. Mas não pode se coligar com partido coligado para a eleição presidencial", concluiu o ministro Marco Aurélio.
"Eu sustentei a liberdade de coligação. Mas, nesse caso, o que se quer? É que quem tenha realmente coligado lá em cima não participe de uma coligação diversa na base. É a denominada verticalização", ressaltou o ministro Marco Aurélio.
O ministro César Asfor Rocha defendia que "o partido político que não esteja disputando a eleição presidencial pode celebrar coligação para concorrer ao pleito estadual com partidos que tenham, isoladamente ou em coligação, lançado candidato a Presidente da República". Nesse sentido, respondia afirmativamente à Consulta.
Por ter iniciado a divergência no julgamento, o presidente do TSE será o relator do voto vencedor.
Revista Consultor Jurídico, 7 de junho de 2006
Arquivo
Leia também: Textos relacionados
- 19/05/2006 Deputado questiona regras sobre coligações partidárias
- 18/05/2006 PMDB fluminense consulta TSE sobre verticalização
- 14/05/2006 PMDB desiste de candidatura própria para presidente
- 14/05/2006 PSL insiste no fim da verticalização
- 26/04/2006 Gilmar Mendes se despede da presidência do TSE
- 10/04/2006 PSL entra com recurso para derrubar decisão do STF
- 31/03/2006 Emenda não pode ser questionada por meio de ADPF
- 30/03/2006 Leia a íntegra do voto do ministro Carlos Britto
- 24/03/2006 Leia voto da ministra Ellen Gracie sobre verticalização
- 23/03/2006 Leia a íntegra do voto do ministro Eros Grau
- 22/03/2006 Supremo mantém verticalização nas eleições deste ano
- 21/03/2006 PGR é contra fim da verticalização já nestas eleições
- 18/03/2006 Deputados do Rio querem fim imediato da verticalização
- 16/03/2006 Arquivada ação da Conamp contra fim da verticalização
- 10/03/2006 STF julga em breve ações contra o fim da verticalização
- 09/03/2006 Leia a ação da OAB contra o fim da verticalização nas eleições de 2006
- 08/03/2006 Supremo se prepara para julgar verticalização
- 08/03/2006 Congresso promulga emenda e OAB promete ADI
- 08/03/2006 Ministro Gilmar Mendes nega conflito entre poderes
- 07/03/2006 Jobim promete agilizar decisão sobre verticalização
- 07/03/2006 Emenda da verticalização não traz choque entre poderes
- 03/03/2006 TSE mantém verticalização de coligações partidárias
- 14/02/2006 Fim da verticalização deve valer para próximas eleições
- 09/02/2006 Entidades questionam fim imediato da verticalização
- 30/01/2006 Câmara tem 15 dias para dar informações ao Supremo
- 27/01/2006 Deputado não suspende votação sobre a verticalização
- 26/01/2006 Fim da verticalização pode não valer para este ano
Comentários
Comentários de leitores: 3 comentários
Temos um código eleitoral que precisa ser respe...
É preciso ter segurança jurídica tambem no elei...
Essa decisão do STE, ressalve-se, é honesta, ju...
A seção de comentários deste texto foi encerrada em 15/06/2006.