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22 julho 2006
O veredicto
Suzane e Daniel pegam 39 anos e seis meses de prisão
Suzane von Richthofen e os irmãos Christian e Daniel Cravinhos foram condenados na madrugada deste sábado (22/7) por homicídio triplamente qualificado. Os três foram denunciados pelo assassinato dos pais de Suzane, Marísia e Manfred von Richthofen.
Daniel e Suzane foram condenados a 39 anos e seis meses de prisão e Christian a 38 anos e seis meses. Nenhum dos condenados poderá recorrer em liberdade. Como nenhuma pena isoladamente ultrapassa 20 anos, nenhum dos réus tem direito a novo Júri.
O ex-casal de namorados pegou 19 anos e seis meses de reclusão pela morte de Manfred e a mesma pena pela morte de Marísia. Suzane e Daniel também foram condenados por fraude processual a 6 meses de prisão e multa de 10 salários mínimos. Christian foi condenado a 18 anos e seis meses pela morte de Marísia e o mesmo tempo pela morte de Manfred. Por furto, deve cumprir um ano de reclusão e dez dias multa. Por fraude processual, o mesmo que seu irmão.
Segundo o promotor Nadir de Campos Júnio, como os réus cumprirão a pena integralmente em regime fechado, eles só têm direito a pedir a liberdade depois de cumprir dois terços da pena. Os irmãos Cravinhos cumprirão a pena no Presídio de Tremembé, em São Paulo, enquanto Suzane volta para o presídio de Rio Claro, onde já estava detida.
O julgamento mais concorrido do ano durou mais de 50 horas e chegou ao final depois da sentença do juiz Alberto Anderson Filho, que, para decidir, avaliou 58 quesitos votados pelos sete jurados.
Christian, Daniel e Suzane foram julgados desde segunda-feira (17/7) pelo assassinato dos pais dela – Marísia e Manfred von Richthofen. Eles foram denunciados pelo Ministério Público por duplo homicídio triplamente qualificado por motivo torpe, meio cruel e com impossibilidade de defesa da vítima. Christian Cravinhos também respondeu por furto. O crime aconteceu em outubro de 2002.
A acusação, feita pelos promotores Roberto Tardelli e Nadir de Campos Júnior e pelo advogado criminalista Alberto Zacharias Toron, defendeu a condenação de cada um dos acusados a 50 anos de prisão — 25 anos por cada homicídio. Sustentaram a tese segundo a qual Suzane arquitetou o crime e os irmãos executaram. Tardelli classificou o caso como o cérebro e a coragem.
Os advogados de Suzane, Mauro Octávio Nacif, Mário Sérgio de Oliveira, Denivaldo Barni e Eleonora Nacif afirmaram que ela não planejou o crime, simplesmente porque não teria motivo para isso. “A ré sempre foi uma menina rica. Tinha tudo o que queria. Nunca teve nenhum motivo para cometer qualquer crime.”
Mauro Nacif levantou dois pontos que considerou principais para a absolvição de sua cliente: a questão da dúvida, já que não ficou claro quem planejou o crime; e o fato de, em fevereiro de 2003, os irmãos Cravinhos terem pedido a Suzane, na carceragem do fórum, no intervalo de uma audiência, que dissesse que o pai abusava sexualmente dela e do irmão, Andreas.
A defesa dos Cravinhos, representada pelos advogados Geraldo e Gislaine Jabur, afirmou o contrário: tudo foi planejado por Suzane, que queria se livrar dos pais e desfrutar livremente da herança. Christian só soube dos fatos na tarde do crime e, portanto, só poderia ser condenado por ter dado os golpes com as barras de ferro na mãe de Suzane. Daniel era pressionado psicologicamente. “Só fez o que o amor da sua vida lhe pediu”, afirmaram os advogados.
Eles também disseram que não houve crime por dinheiro. No dia do crime, os irmãos levaram R$ 22 mil reais da casa dos Richthofen, com o qual Christian comprou uma moto no dia seguinte. Gislaine sustentou que o motivo da compra da moto por Christian era para “esconder” o dinheiro tirado de dentro da casa. Uma espécie de investimento, que Suzane teria o orientado a fazer. “Daniel e o irmão não eram criminosos até o dia dos fatos. A compra da moto só mostrou a ingenuidade do Christian”, sustentou a advogada.
Dia a dia
O julgamento começou na segunda-feira (17/7). Os três acusados divergiram da versão apresentada na fase de instrução do processo. Daniel afirmou que sua ex-namorada arquitetou o plano e que ele sozinho matou o casal. Christian confirmou a versão, com algumas contradições. Suzane desmentiu tudo. Disse que ela só soube que os pais seriam mortos no dia dos fatos.
No segundo dia de julgamento, o juiz Alberto Anderson Filho deferiu pedido de acareação entre Suzane e os irmãos Cravinhos feito pelo Ministério Público, já que os três divergiram nos depoimentos. Então a ordem do Júri foi mudada e primeiro houve as oitivas das testemunhas de defesa e acusação. O pedido de acareação, contudo, perdeu força depois dos depoimentos das testemunhas.
Neste mesmo dia, Andreas von Richthofen, irmão de Suzane, foi ouvido como informante, e negou que seu pai abusava sexualmente de sua irmã e dele. Também foram ouvidas testemunhas arroladas pelo Ministério Público e outras quatro convocadas para defender Christian.
Priscyla Costa é repórter da revista Consultor Jurídico
Revista Consultor Jurídico, 22 de julho de 2006
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