Notícias

13 julho 2006

Caos urbano

São Paulo registra mais ataques atribuídos a quadrilhas

Ataques indiscriminados contra prédios, veículos e pessoas, supostamente praticados por grupos criminosos organizados, voltaram a ser registrados entre a noite de quarta (12/7) e a madrugada desta quinta-feira (13/7), em São Paulo. As ações deixaram cinco pessoas feridas. Entre elas, um menino de dois anos. Iniciada na noite de terça (11), a nova onda de violência deixou ao menos seis mortos, segundo balanço da Secretaria de Segurança Pública. O número, porém, pode chegar a oito, informa o jornal Folha de S. Paulo.

Desde o início dos ataques, forças de segurança, prédios públicos e particulares e ônibus foram alvos dos criminosos. De acordo com a SPTrans (empresa que gerencia o transporte coletivo na cidade de São Paulo), 68 ônibus foram queimados e outros dois acabaram atingidos por tiros, desde quarta.

Por causa da violência, a cidade amanheceu sem coletivo nesta quinta-feira. De acordo com a prefeitura, motoristas e cobradores de 13 empresas de ônibus não saíram para o trabalho. Por volta das 8h, apenas três empresas circulavam — uma na zona leste e duas na zona oeste. Conforme a SPTrans, os microônibus do setor local (entre bairros) operam normalmente.

Balanço

O último balanço divulgado pela Secretaria da Segurança — por volta das 22h de quarta — aponta seis pessoas mortas nos ataques: um policial militar, sua irmã, três vigilantes particulares e um guarda municipal.

As mortes de um agente prisional e do filho de um investigador não entraram nas estatísticas oficiais.

Conforme os últimos dados, ocorreram 11 ataques contra bancos, revendedoras de veículos, supermercados, loja, sindicato e casas de policias militares, entre outros.

Em alguns ataques foram usados coquetéis molotov e em outros, disparados tiros. As ações ocorreram, além de São Paulo, em municípios como Santos, Guarujá, Praia Grande, Santa Isabel, Ferraz de Vasconcelos, Suzano, Osasco, Guarulhos, Mauá, Taubaté, Embu, Taboão da Serra e Pindamonhangaba.

Apesar de divulgar os números, o governo estadual não informou todos os locais onde ocorreram os ataques. O motivo seria não aumentar a sensação de insegurança, de acordo com o comandante da PM, Eliseu Eclair Teixeira.

A polícia deteve sete suspeitos de participação nas ações criminosas. Entre eles, dois adolescentes. Um dos presos foi Emivaldo Silva Santos, 30, o BH, que é apontado como o 'general' da facção criminosa Primeiro Comando da Capitalna região do ABC, à qual se atribui a inicitiva da onda de ataques . Ele foi capturado horas antes do início dos ataques, na rodovia Imigrantes, em uma operação conjunta das Polícias Civil e Militar.

Em outra ação, quatro homens que supostamente promoveriam um ataque também foram presos após denúncia de um agente penitenciário.

Revista Consultor Jurídico, 13 de julho de 2006

Comentários

Comentários de leitores: 12 comentários

14/07/2006 08:29 Bira (Industrial)
Fico imaginando como 7 mil homens da força naci...
Fico imaginando como 7 mil homens da força nacional fariam a segurança de mais de 20 milhoes do estado de SP...e fico ainda mais curioso em saber quem faria a segurança destes!
13/07/2006 16:41 Ottoni (Advogado Sócio de Escritório)
Serão eles “bandidos”? A mídia repercutiu a ar...
Serão eles “bandidos”? A mídia repercutiu a arrogante e vazia entrevista do Secretário da Segurança sobre os atos de perturbação da ordem que assolaram São Paulo nesta semana. Lugares comuns, promessas vagas de “prontas medidas punitivas e preventivas”, tudo o que tem sido usual nas explicações oficiais sobre a incompetência do governo. Circula pela Internet uma entrevista atribuída ao detento Marcola, dada a um jornalista, que merece ser conhecida daqueles que, de fato, têm interesse em saber quais as reais causas determinantes dessa explosão de violência que temos assistido, inclusive, com a invasão do Congresso Nacional pelo movimento dos sem terra. O referido “bandido”, com surpreendente profundidade, aborda a situação sob um prisma de observação culturalmente impressionante e com conteúdo, para reflexão, realmente objetivo e coerente. Já em 1848, em Londres, concluindo seus estudos sobre os dramas da luta de classes na capital industrial mundial daquela época, Marx elaborou sete teses fatais para o sistema então vigente e que chamou de “capitais” e a sexta delas denominou de “proletarização crescente”. O crescimento do grande capital absorveria, paulatinamente, o pequeno e o médio empresário que, de patrões, tornar-se-iam empregados, num processo continuo que causaria um fosso instransponível entre as duas classes sociais em eterna oposição, elevando a pressão social a extremos que provocariam o rompimento do tecido social, levando a luta de classes, dos debates parlamentares, para as ruas, desembocando na última das teses que é a da revolução. As estatísticas atuais colocam o Brasil na liderança dos países onde o fosso social é um dos mais profundos e injustos do planeta. O número de desprovidos aumenta na proporção inversa a do encolhimento da classe privilegiada. Não será absurdo identificar no MST a insatisfação do campo e no PCC a insatisfação da sociedade urbana. O objetivo da ação “subversiva” está cada vez mais centrado na violência, como finalidade única desses movimentos, ficando a vantagem material reduzida a momentos meramente episódicos. A agressão física supera a patrimonial, revelando, assim, seu caráter eminentemente contestatório e reivindicatório. Está na hora de atentarmos para o fenômeno sob o prisma de sua realidade, abandonando a velha e surrada idéia de que o crime é um fato anti-social, alheio ao corpo comunitário, e que invade a sociedade como se estranho a ela fosse. Quem estiver interessado, procure conhecer a entrevista do “bandido” Marcola. Concorde, ou não, com ela, ficará chocado!
13/07/2006 16:07 Paulo (Comerciante)
Já que o governo federal está querendo ajudar n...
Já que o governo federal está querendo ajudar na segurança, que faça seu dever de casa em fiscalizar as fronteiras e o exercito, evitando o contrabando e o desvio de armas.

Ver todos comentários

A seção de comentários deste texto foi encerrada em 21/07/2006.