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Defesa prévia

Entrevista: Roberto Teixeira

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Nesta terça-feira (17/1), a CPI dos Bingos volta de seu recesso. O primeiro a ser ouvido, às 10h, será o economista Paulo de Tarso Venceslau, ex-militante do PT. Em 1997, ele apontou ao presidente nacional do PT, na época Luiz Inácio Lula da Silva, supostas irregularidades envolvendo a empresa Cpem — Consultoria Para Empresas e Municípios, que prestou serviços a prefeituras administradas pelo partido.

Paulo de Tarso teria dado conta de um esquema de arrecadação ilícita de recursos em prefeituras petistas no estado de São Paulo, como a de São José dos Campos, da qual o economista fora secretário das Finanças.

Segundo o economista, o esquema teria sido operado pelo advogado Roberto Teixeira. Mesmo sem ter sido condenado na esfera judicial ou administrativa, o advogado continua sendo o perseguido predileto de Paulo de Tarso Venceslau.

Advogado há 35 anos, defensor da Transbrasil, Teixeira afirma ser perseguido, em ocasiões políticas e anos eleitorais, como este, pelo fato de ser padrinho de Luís Claudio, filho do presidente Lula. O irmão de Roberto, Dirceu Teixeira, foi advogado da Cpem.

Teixeira afirma que todos os contratos da Cpem, feitos com mais de 300 prefeituras paulistanas e não apenas com prefeituras do PT, foram considerados legais pela Justiça. O advogado afirma também que nunca teve qualquer relação com a empresa.

Roberto Teixeira falou à revista Consultor Jurídico num quarto do hospital Sírio Libanês, em São Paulo, onde se internou na sexta-feira (13/1) para um check up coronário. “Paulo de Tarso Venceslau tem de ressuscitar esses fatos buscando ser chamado na CPI para poder fazer as mesmas denúncias de 15 anos atrás”, diz.

Leia a entrevista

ConJur — Qual sua relação com o Paulo de Tarso?

Roberto Teixeira — Na verdade nunca houve relação. Paulo de Tarso é uma pessoa que eu nunca cheguei a conhecer antes do comportamento que ele teve em relação à minha pessoa.

ConJur — Que tipo de comportamento?

Roberto Teixeira — Me denunciar como tendo participado de forma direta ou indireta de um problema que ele teria detectado na cidade de São José dos Campos. Leia-se o seguinte: antes de ele assumir como secretário de Finanças da prefeitura de São José dos Campos, no governo anterior, ou seja, no governo do PTB, vale dizer antes do PT (eu faço essa distinção porque sabidamente eu sou ligado ao PT) uma firma com o nome Cpem fez um contrato. Segundo o entendimento dele esta firma teria tirado proveito de um contrato por dispensa de licitação. Daí, quando ele assumiu, ele teria feito estas afirmações com relação a essa empresa, e fez um gancho, ou seja: o advogado dessa empresa era meu irmão, Dirceu, um advogado militante em direito tributário, que havia sido por mais de 20 anos diretor de Receita da prefeitura de São Bernardo, de onde se originavam os titulares da Cpem. Como o Paulo de Tarso pretendeu dar a esta “denúncia” uma repercussão maior, ele fez a seguinte ilação: Roberto Teixeira, irmão de Dirceu, advogado da Cpem, Roberto Teixeira ligado ao PT, compadre do Lula, teria algum tipo de participação. Por conta disto, é que ele construiu este caso, que na verdade só existiu na cabeça dele.

ConJur — Quais as conseqüências jurídicas das acusações?

Roberto Teixeira — Em decorrência das acusações que ele fez, houve repercussão de duas ordens: uma dentro do Partido dos Trabalhadores e outra no âmbito do Ministério Público Estadual. No âmbito do Partido dos Trabalhadores, já que era inédito qualquer tipo de acusação neste sentido, houve uma espécie de comoção. Como conseqüência, o Diretório Nacional determinou a abertura de um inquérito, chamado Comissão Especial Investigatória. Essa Comissão procedeu aos trabalhos de apuração, ouviu cerca de 35 pessoas, juntou provas, degravou fitas, enfim. Ao final disto e a meu pedido, o Diretório Nacional rejeitou as conclusões da Comissão e instaurou duas comissões especiais de ética. Uma a meu pedido, contra mim mesmo, e a outra a meu pedido igualmente, contra Paulo de Tarso. O resultado destas duas comissões é que eu fui absolvido de qualquer tipo de acusação e o Paulo de Tarso Venceslau foi considerado um infrator ético e, em conseqüência da gravidade da infração, ele foi expulso do Partido dos Trabalhadores.

ConJur — Porque o seu nome foi citado na CPI?

Roberto Teixeira — Hoje estamos vivendo um momento especial no Brasil por conta desse denuncismo todo. Algumas pessoas buscam pegar carona na repercussão que esses fatos têm na mídia, buscando atrair para si uma importância que na verdade sabidamente não têm. No caso específico de Paulo de Tarso, ele vem insistindo, com diversos órgãos da imprensa, ofertando documentos e entrevistas como meio de suscitar novamente esses casos a que já me referi aqui, e que aconteceram há cerca de 15 anos. Ao longo desses 15 anos, ele não fez outra coisa que não isso. Desde então, ele nunca mais fez qualquer coisa, ocupou qualquer cargo ou desempenhou qualquer função de relevância, para qualquer tipo de comunidade. Então, a falta de outra coisa para fazer o faz buscar um mérito para si próprio que ninguém nunca reconheceu. Ele tem de ressuscitar esses fatos buscando ser chamado na CPI para poder fazer as mesmas denúncias de 15 anos atrás. Como se o tempo tivesse parado: na cabeça dele aquilo que disse há 15 anos ficou estratificado, não mudou, para ele aquilo valeu como se fosse um valor absoluto. Ele é infenso a qualquer tipo de raciocínio e não se dobra a qualquer razão mesmo quando confrontado com documentos oficiais e soluções judiciais daquelas pretensas acusações que ele havia feito.

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 é repórter especial da revista Consultor Jurídico

Revista Consultor Jurídico, 17 de janeiro de 2006, 7h00

Comentários de leitores

2 comentários

Erramus, consertemus. "Não ficará pedra sôbre ...

Andrade Filho (Advogado Autônomo)

Erramus, consertemus. "Não ficará pedra sôbre pedra", é o que se presumia quando o Roberto Jeferson começou a denunciar os beneficiários do Mensalão; O que se percebia era a ruína do grande PT, fascinação e conversão neo-politica. Quando as CPI's começaram apontar na lista do Banco Rural seus beneficiários, as provas e a certeza foram tamanhas que imaginei o paralelo com o incêndio de Roma; Mas apareceu a redenção e a casa foi salva. Agora a restauraçao de Roma é visível, e há previsão de que o templo será reedificado, é só aguardar as escavações, e novos tempos reinvindicarão novos personagnes, com novas experiências baseadas nas empiricamente assentadas por toda eternidade passada – anjoandradefilho@hotmail.com

"Não ficará pedra sôbre pedra", é o que se pres...

Andrade Filho (Advogado Autônomo)

"Não ficará pedra sôbre pedra", é o que se presumia quando o Roberto Jeferson começou os beneficiários do Mensalão; Quando as CPI's começaram apontar na lista do Banco Rural os beneficiários, a certeza foi tamanha que imaginei o paralelo com o incêncio de Roma; Agora a restauraçao de Roma é visível, e há previsão de que o templo será reedificado, é só aguardar as escavações, e novos tempos reinvindicarão novos personagnes com novas experiências baseadas nas empiricamente assentadas por toda eternidade passada. anjofilho@ig.com.br

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