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Cirurgia coronária

Roberto Teixeira implanta cinco pontes de safena nesta quarta

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O advogado da Transbrasil, Roberto Teixeira, se submete, nesta quarta-feira (17/1), a cirurgia para a colocação de cinco pontes de safena. Teixeira está no hospital Sírio Libanês, em São Paulo, onde se internou na sexta-feira (13/1) para um check up coronário.

Chama-se ponte de safena o procedimento que utiliza um segmento da veia safena, da perna, para desviar sangue da aorta (principal artéria do corpo) para as artérias que irrigam o coração.

Teixeira voltou a ser acusado nesta terça por seu principal desafeto, o economista Paulo de Tarso Venceslau, ex-militante do PT. Em depoimento à CPI dos Bingos, o economista afirmou que o advogado — compadre do presidente Lula — operou um esquema de arrecadação ilegal de recursos para abastecer o caixa 2 do PT em São Paulo.

Em 1997, Paulo de Tarso apontou ao presidente nacional do PT, na época Luiz Inácio Lula da Silva, supostas irregularidades envolvendo a empresa Cpem — Consultoria Para Empresas e Municípios, que prestou serviços a prefeituras administradas pelo partido.

Paulo de Tarso teria dado conta de um esquema de arrecadação ilícita de recursos em prefeituras petistas no estado de São Paulo, como a de São José dos Campos, da qual o economista fora secretário das Finanças. Segundo ele, o esquema teria sido operado pelo advogado Roberto Teixeira.

O advogado, por sua vez, afirma que nunca teve qualquer envolvimento com a empresa e que é perseguido pelo fato de ser padrinho de Luís Claudio, filho do presidente Lula. O irmão de Roberto, Dirceu Teixeira, foi advogado da Cpem.

Teixeira afirma que todos os contratos da Cpem, feitos com mais de 300 prefeituras paulistanas e não apenas com prefeituras do PT, foram considerados legais pela Justiça. Em entrevista à Consultor Jurídico, Teixeira ressaltou que todas as investigações feitas sobre o caso na esfera administrativa e na judicial nunca provaram nada contra ele.

Leia a entrevista

ConJur — Qual sua relação com o Paulo de Tarso?

Roberto Teixeira — Na verdade nunca houve relação. Paulo de Tarso é uma pessoa que eu nunca cheguei a conhecer antes do comportamento que ele teve em relação à minha pessoa.

ConJur — Que tipo de comportamento?

Roberto Teixeira — Me denunciar como tendo participado de forma direta ou indireta de um problema que ele teria detectado na cidade de São José dos Campos. Leia-se o seguinte: antes de ele assumir como secretário de Finanças da prefeitura de São José dos Campos, no governo anterior, ou seja, no governo do PTB, vale dizer antes do PT (eu faço essa distinção porque sabidamente eu sou ligado ao PT) uma firma com o nome Cpem fez um contrato. Segundo o entendimento dele esta firma teria tirado proveito de um contrato por dispensa de licitação. Daí, quando ele assumiu, ele teria feito estas afirmações com relação a essa empresa, e fez um gancho, ou seja: o advogado dessa empresa era meu irmão, Dirceu, um advogado militante em direito tributário, que havia sido por mais de 20 anos diretor de Receita da prefeitura de São Bernardo, de onde se originavam os titulares da Cpem. Como o Paulo de Tarso pretendeu dar a esta “denúncia” uma repercussão maior, ele fez a seguinte ilação: Roberto Teixeira, irmão de Dirceu, advogado da Cpem, Roberto Teixeira ligado ao PT, compadre do Lula, teria algum tipo de participação. Por conta disto, é que ele construiu este caso, que na verdade só existiu na cabeça dele.

ConJur — Quais as conseqüências jurídicas das acusações?

Roberto Teixeira — Em decorrência das acusações que ele fez, houve repercussão de duas ordens: uma dentro do Partido dos Trabalhadores e outra no âmbito do Ministério Público Estadual. No âmbito do Partido dos Trabalhadores, já que era inédito qualquer tipo de acusação neste sentido, houve uma espécie de comoção. Como conseqüência, o Diretório Nacional determinou a abertura de um inquérito, chamado Comissão Especial Investigatória. Essa Comissão procedeu aos trabalhos de apuração, ouviu cerca de 35 pessoas, juntou provas, degravou fitas, enfim. Ao final disto e a meu pedido, o Diretório Nacional rejeitou as conclusões da Comissão e instaurou duas comissões especiais de ética. Uma a meu pedido, contra mim mesmo, e a outra a meu pedido igualmente, contra Paulo de Tarso. O resultado destas duas comissões é que eu fui absolvido de qualquer tipo de acusação e o Paulo de Tarso Venceslau foi considerado um infrator ético e, em conseqüência da gravidade da infração, ele foi expulso do Partido dos Trabalhadores.

ConJur — Porque o seu nome foi citado na CPI?

Roberto Teixeira — Hoje estamos vivendo um momento especial no Brasil por conta desse denuncismo todo. Algumas pessoas buscam pegar carona na repercussão que esses fatos têm na mídia, buscando atrair para si uma importância que na verdade sabidamente não têm. No caso específico de Paulo de Tarso, ele vem insistindo, com diversos órgãos da imprensa, ofertando documentos e entrevistas como meio de suscitar novamente esses casos a que já me referi aqui, e que aconteceram há cerca de 15 anos. Ao longo desses 15 anos, ele não fez outra coisa que não isso. Desde então, ele nunca mais fez qualquer coisa, ocupou qualquer cargo ou desempenhou qualquer função de relevância, para qualquer tipo de comunidade. Então, a falta de outra coisa para fazer o faz buscar um mérito para si próprio que ninguém nunca reconheceu. Ele tem de ressuscitar esses fatos buscando ser chamado na CPI para poder fazer as mesmas denúncias de 15 anos atrás. Como se o tempo tivesse parado: na cabeça dele aquilo que disse há 15 anos ficou estratificado, não mudou, para ele aquilo valeu como se fosse um valor absoluto. Ele é infenso a qualquer tipo de raciocínio e não se dobra a qualquer razão mesmo quando confrontado com documentos oficiais e soluções judiciais daquelas pretensas acusações que ele havia feito.

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 é repórter especial da revista Consultor Jurídico

Revista Consultor Jurídico, 17 de janeiro de 2006, 19h23

Comentários de leitores

3 comentários

Não consegui enxergar qual o conteúdo de releva...

zovin (Advogado Associado a Escritório - Comercial)

Não consegui enxergar qual o conteúdo de relevante, em termos jurídicos, para justificar esta nota... Alguém pode me ajudar a entender o que uma cirurgia de ponte de safena pode acrescentar ao mundo jurídico? HERMAN: Transbrasil voando? Se o colega conseguir lugar num vôo desta empresa para hoje, eu pago a passagem!

Com este quadro grave de cardiopatia o Dr. Teix...

HERMAN (Outros)

Com este quadro grave de cardiopatia o Dr. Teixeira conseguiu fazer a TRANSBRASIL voar. Imaginem o que ele será capaz de fazer qdo estiver curado.

O que o ... tem a a ver com as calças? A manch...

Marcos (Advogado Autônomo)

O que o ... tem a a ver com as calças? A manchete é sobre a colocação de pontes de safena, mas o tema é corrupção e a relação de amizade do paciente com o Presidente. Idêntica falha vi em reportagem do Correio Braziliense, que, após discorrer sobre o procedimento contábil de aumento de capital social realizado pela ECT, informou que a dita empresa pública ganhou notoriedade por causa dos recentes escândalos políticos. Mais uma vez, o que o ... tem a ver com as calças?

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