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PCC na mira

MP paulista denuncia oito por transferência ilegal de presos

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O promotor Vilson Baumgärtner, do Ministério Público de São Paulo, ofereceu denúncia contra oito pessoas acusadas de fazer parte da organização criminosa PCC — o Primeiro Comando da Capital. Entre os denunciados está o ex-coordenador dos presídios da capital paulista, João Batista Paschoal.

Ele é acusado de transferência ilegal de presos, ao preço de R$ 7 mil per capita, entre agosto e dezembro de 2005. Os presos foram transferidos entre unidades prisionais das cidades de Casa Branca, Mococa, Ita, Hortolândia, Sorocaba, Itapetininga, Guareí e Campinas.

A advogada Suzana Volpini, sustenta a denúncia, passou a fazer parte do PCC, cobrando R$ 7 mil por transferência de presos e ficando com R$ 3 mil dessa quantia.

Leia a denúncia

Excelentíssimo Senhor Juiz de Direito da 3a. Vara Criminal.

050.06.001901-8.

1. Consta dos inclusos autos de inquérito policial que ULISSES AZEVEDO SOARES, qualificado à fl. 217, MANOEL CRUZ DA SILVA, qualificado à fl. 223, JOÃO BATISTA PACHOAL, qualificado à fl. 229, SUZANA VOLPINI MICHELLI, qualificada à fl. 239, OSVALDO MOURA, IVONALDO XAVIER ADELINO, CRISTIANO RICARDO RAMOS ÁLVARES, CARLOS ADRIANO DE SOUZA, qualificados a fls. 641/642, e outros, não identificados, de agosto a dezembro de 2.005, nas Unidades Prisionais da Região Central do Estado de São Paulo, que compreende as cidades de Casa Branca, Mococa, Itirapina,, Hortolândia, Sorocaba, Itapetininga, Guareí e Campinas, associaram-se em bando para o fim de cometer crimes, consoante a seguir historiado.

É dos autos que os denunciados Osvaldo Moura, Ivonaldo Xavier Adelino, Cristiano Ricardo Ramos Álvares e Carlos Adriano de Souza já integravam a organização criminosa conhecida como “PCC”. Estando recolhidos, acabaram agregando a eles os demais denunciados, mas desta feita para a prática de toda sorte de infrações, na seqüência melhor historiadas, com o objetivo final de lhes propiciar a fuga, bem assim a de outros detentos. Assim agindo, foram inseridas informações falsas em documentos públicos, que permitiu à denunciada Suzana acesso ao interior de penitenciária e ali contactar os detentos, com eles ajustando planos, com informações falsas, com o propósito de obtenção de remoção para outras penitenciárias, sempre com o objetivo final de propiciar a fuga. O denunciado João Batista Paschoal, como secretário da administração penitenciária, sabendo que remoções de presos sob sua coordenação estavam sendo realizadas de forma espúria, a seguir melhor historiadas, deixou de praticar atos de ofício e permitiu que os presos fossem transferidos, com infração de dever funcional, cedendo a pedido e influência dos demais acusados, mormente do acusado Manoel Cruz da Silva, velho conhecido do sistema penitenciário, onde cumpriu penas há anos, algumas vezes sob a coordenação de Paschoal, que, ao que consta, passou a lhe dever “favores”. Como retribuição, passou a fazer “vistas grossas” para as remoções indevidas intermediadas por Manoel.

E foi nesse contexto que a Polícia, investigando a facção criminosa conhecida como “PCC”, acabou se defrontando com os nomes das advogadas Suzana Volpini Michelli e Ariane dos Anjos como possíveis integrantes da facção. Investigações direcionadas a essas duas pessoas passaram a ser realizadas.

Apurou-se, então, que a acusada Suzana Volpini Michelli, na condição de advogada, passou a trabalhar para a facção criminosa, o que passou a ficar evidente nas constantes visitas realizadas por ela aos seguintes presos, reconhecidamente integrantes do “PCC”: Ivonaldo Xavier Adelino, conhecido como “boi branco”, que é também amante de Suzana; Fábio Soares Nepomuceno, o “binho”, Abdiel Pinto Rabelo; Ângelo Matos Canuto da Silva; Wallace da Silva, o “baianinho do vietnã”, Abel Pacheco de Andrade, o “vida louca”, Aguinaldo Souza Santos, o “baianão”; LRZ, o “turco”; Carlos Adriano de Souza, o “gordão”; Rogério Jeremias de Simone, o “gegê do mangue”; Valdeci Alves dos Santos, o “colorido”; Carlos Antônio da Silva, o “balengo”, além de outros tantos, consoante relacionado na inclusa investigação.

E a suspeita tomou mais vulto quando se constatou que a denunciada Suzana, na maioria dos casos, nunca fora advogada constituída desses presos.

A partir daí e interceptadas linhas telefônicas usadas por Suzana, obteve-se a confirmação de que ela, efetivamente, passara a integrar a organização criminosa mencionada. E foi assim que a primeira conversa telefônica interceptada de Suzana revelou telefonema por ela realizado para Carlos Adriano de Souza, o “gordão”, na época internado no Presídio de Americana. Nessa conversa, a denunciada Suzana foi tratada como “prima”, em momento algum sendo tratada como advogada (cf. fls. 102/104 do anexo I e fls. 167/168, 187, 200/202 e 261 do anexo II ).

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 é repórter especial da revista Consultor Jurídico

Revista Consultor Jurídico, 16 de janeiro de 2006, 17h49

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