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Bastidores da CPI

Jornalista conta em livro a história do mensalão

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O jornalista Leonardo Attuch entrou na história do mensalão de cabeça erguida e mãos limpas ao apresentar a quem investigava o esquema de maracutaias petistas e ao público em geral a secretária do caso, Fernanda Karina Ramos Somaggio. A publicação na revista IstoÉ Dinheiro da entrevista da ex-secretária do empresário e operador-mor do mensalão, Marcos Valério Fernandes, serviu para corroborar de forma contundente as denúncias feitas dias antes pelo deputado Roberto Jefferson.

Assim como Fernanda Karina, Leonardo Attuch ficou sabendo de muita coisa dos meandros que compõem o maior escândalo da República petista, que os simples mortais não conhecem. Fruto de seu trabalho na revista da Editora Três, esse acervo de fatos e depoimentos sobre o escândalo foi reunido em um livro que já está nas bancas com o título A CPI que Abalou o Brasil — os bastidores da imprensa e os segredos do PT.

Para quem perdeu os principais capítulos da novela mais emocionante da televisão brasileira em 2005, o livro pode ser uma boa oportunidade para se atualizar sobre mensalão, caixa 2, campanha eleitoral, Marcos Valério, Delúbio Soares, José Dirceu, Roberto Jefferson, Mary Jenny Korner e outros menos votados.

Embora o escândalo tenha dado pano para três CPIs e vários processos no Conselho de Ética da Câmara dos Deputados, o livro centra suas buscas na CPMI dos Correios. E atribui suas revelações mais contundentes a duas fontes secretas, “que viveram a história de dentro e que ajudaram a eleger Lula em 2002, captando recursos oficiais e não oficiais”. São identificados como Peter Throat e Pierre La GorgePedro Garganta em inglês e francês, numa homenagem explícita ao Garganta Profunda, a fonte secreta dos jornalistas que denunciaram o escândalo de Watergate nos Estados Unidos de Richard Nixon.

Quem está à busca de novidades espetaculares, destas que podem mudar o rumo da história ou derrubar o presidente, não vai encontrar munição nesta obra. Dá-se, por exemplo, números precisos ao valor do caixa 2 petista na campanha que levou o companheiro Lula ao Planalto: R$ 200 milhões. Garante-se também que esta é a cifra do caixa 2 tucano na derrota de José Serra na mesma campanha. Mas estas revelações não despertam mais curiosidade ao autor, como também não despertaram nas várias CPIs que brotaram do escândalo. Assim fica sem resposta a pergunta que não quer calar: de onde veio toda esta dinheirama. E uma nova pergunta: porque só o caixa 2 do PT é criminoso?

Attuch se torna muito mais interessante e revelador quando se dedica a destrinchar algumas histórias paralelas ao mensalão e que não contribuem muito para elucidar o esquema de corrupção petista. A primeira destas histórias é a suposta tentativa de aproximação da Editora Abril e da revista Veja com o governo do companheiro. Roberto Civitta, o dono da Abril, teria pedido a José Dirceu um encontro com o presidente. “Não quero falar com esse sujeito”, teria reagido Lula à proposta. Segundo relata Attuch, o encontro acabou acontecendo, mas a Abril não encontrou soluções do governo para enfrentar sua dívida de R$ 1 bilhão. Depois disso, apareceu Roberto Jefferson com o mensalão e Veja se tornou “a publicação com tom editorial mais raivoso em relação ao governo Lula”.

Outra história paralela cheia de detalhes é a que tenta explicar porque Daniel Dantas, o dono do banco Opportunity, mesmo sendo um dos maiores desafetos do governo Lula, teria se transformado num dos financiadores do mensalão.

Attuch comete um pequeno equívoco ao identificar o caso Kroll como “suposta espionagem contratada pela Brasil Telecom contra o governo federal”. Na verdade, a Kroll foi contratada pela BrT para espionar a Telecom Itália, adversária e sócia do Opportunity na própria Brasil Telecom, e acabou encontrando as digitais de figurões do governo na guerra empresarial particular. Mas Attuch lança luzes em outra direção. Conta que por trás da campanha cerrada contra Daniel Dantas e da disputa entre o Opportunity e os fundos de pensão controlados pelo governo federal estariam a figura e os interesses do empresário Carlos Jereissati, um dos donos da Telemar e um dos principais financiadores de campanhas petistas.

Se o livro não acrescenta muito ao que já se sabe nas CPIs sobre o mensalão, acaba contando histórias para as quais, aparentemente, as CPIs não deram a menor atenção. A leitura vale por isso.

A CPI que Abalou o Brasil — os bastidores da imprensa e os segredos do PT

Autor: Leonardo Attuch

Editora Futura

160 páginas

Preço: R$ 24,90

 é diretor de redação da revista Consultor Jurídico

Revista Consultor Jurídico, 16 de janeiro de 2006, 13h00

Comentários de leitores

1 comentário

Com todo respeito ao jornalista Leonardo Attunc...

Henrique Imperador (Consultor)

Com todo respeito ao jornalista Leonardo Attunch, mas se nem as CPMIs ainda não encerraram as discussões sobre o tema, por conseqüência podemos deduzir que o assunto "mansalão" ainda não chegou ao final. Mas como alguém pode contar uma história se parte importante dela não se encerrou? Coisas de um Brasil oportunista e inconseqüênte que visa sair na frente, apenas por sair...

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