É imperioso resgatar a nobreza da advocacia privada

7/03/2006 17:16Raul Haidar (Advogado Autônomo)Todos nós, brasileiros, felizmente somos vira-l...
Todos nós, brasileiros, felizmente somos vira-latas. Esse conceito de "raça" serve apenas aos irracionais. Entre nós só existe a raça "humana". E o conceito de "nobreza" é infinitamente ridículo. Basta que estudemos um pouco de história para constatarmos que os que se diziam "nobres" eram, no mais das vezes, parasitas que viviam à custa do esforço alheio. Vergonhoso é que ainda não tenham sido totalmente extirpados da humanidade tais parasitas. Veja-se, por exemplo, o que ocorre em algumas monarquias: meia dúzia de vagabundos vivendo na opulência enquanto muitos estão na miséria. Na Advocacia não existem "nobres", felizmente. Todos somos iguais por força de lei. O que existem são alguns espécimes execráveis de colegas que se julgam melhores que os outros. Uns por se auto-intitularem descendentes dos famigerados "quatrocentões", estes, por sua vez, oriundos dos degredados ou dos parasitas vindos d'além mar. Outros por se julgarem "superiores", ante o fato de terem herdado fortuna ou fama muitas vezes de origem pelo menos duvidosa. A Advocacia não precisa de "nobreza", mas de fraternidade, igualdade e liberdade. Para que aceitemos com naturalidade o direito que alguns colegas exercem de procurarem, num emprego público, a ilusão da segurança econômica. Para que os ocupantes desses cargos não se esqueçam que são antes de tudo advogados e que o simples fato de eventualmente exercerem um cargo qualquer não os transforma em melhores. Antes, deveria haver aí uma obrigação maior de humildade, porque são nossos empregados, já que recebem salários dos cofres públicos. Se a OAB ainda "valoriza" juizes e promotores, isso se deve exclusivamente à mediocridade de alguns de seus dirigentes, inclusive alguns "puxa-sacos" que, qual ridículos vassalos d'antanho, gostam do "beija-mão" medieval diante dos "senhores". O ensino jurídico está realmente ruim, porque todo o ensino está ruim e ele não poderia ser exceção nesse oceano de mediocridade culturtal em que vivemos. Hoje a maioria dos professores não quer dar aulas, mas apenas usar o título acadêmico, seja para iluminar as trevas de sua falsa cultura, seja para tentar algum destaque ante a estupidez geral. Os alunos assemelham-se a "pais-de-santo", pois passam o tempo fazendo "trabalhos", no mais das vezes singelas cópias de matérias que continuarão ignorando. Em meio a todo esse pântano de idiotices, ainda resta um sistema eleitoral totalmente superado, com os dirigentes da OAB sendo, no nível estadual, escolhidos através de "chapas", onde boa parte dos integrantes surge de "conchavos" onde estão presentes jogos de interesses, nepotismo, conveniências, etc., que acabam transformando professores que nunca advogaram em Conselheiros, procuradores que odeiam a advocacia, em Conselheiros, e até mesmo ilustres desconhecidos, de que ninguém nunca ouviu falar e que de repente se tornam Conselheiros da OAB, numa curiosa formação de "lideranças" profissionais onde os liderados nunca souberam da existência de seus supostos "líderes". Hoje a maioria dos advogados tem menos de 10 anos de inscrição na OAB e se forma em escolas particulares. No entanto, ainda há Conselheiros que, graças a esse sistema eleitoral ridículo, insistem em se perpetuar em seus cargos, que exercem apenas em prol de suas vaidades pessoais. E ainda há gente que pensa que só nos feudos universitários custeados pelos impostos de toda a sociedade possa existir cultura jurídica! Vamos colocar gente nova na OAB e acabar, algum dia, com as eleições indiretas que ainda existem no Conselho Federal...
21/02/2006 12:02Rodrigo (Advogado Assalariado - Trabalhista)Primeiramente, vamos parar com esse negócio de ...
Primeiramente, vamos parar com esse negócio de que advogado faz justiça. Justiça é coisa para super herói, onde se reunem em seu palácio. Segundo, fiquei entregue ao texto do ilustre, com citações de Roberto da Matta e Sérgio Buarque de Hollanda. Cheguei a dizer no escritório: putz... até que enfim alguém tá dizendo algo aprazível. Quando eu chego ao final, leio: Nome do advogado, e PROCURADOR DO MUNÍCIPIO... voltei para o meu cantinho, com meus colegas de trabalho pedindo para que eu imprimisse o texto...
21/02/2006 10:57caiçara (Advogado Autônomo)O artigo é muito bom, mas faz-se mister observa...
O artigo é muito bom, mas faz-se mister observar que também partiu de alguém que buscou, de alguma forma, a "segurança estatal", eis que se trata de Procurador do municipio de Areal/RJ. E ai está um dos problemas, a questão econônica, afinal, "um pinga pinga" não faz mal a ninguém! O outtro dilema, como bem verificado por Erika, é o da faculdade que não dá nenhum preparo à formação do advogado em si, dos conhecimentos necessários para formação do próprio escritório e, principalmente, do desenvolvimento do mesmo. O mercado é inundado com milhares de advogados todos os anos (não fosse o exame de ordem e seriam dezenas de milhares) e o jovem bacharel recém aprovado na Ordem se vê em meio a um mar de competição, aonde poucos ganham muito e muitos exercem advocacia famélica. Sem uma valorização das carreiras privadas a advocacia jamais se reerguerá desse "complexo" apontado pelo Autor, e tal reconstrução da carreira deve se iniciar com o retorno aos "aureos tempos" em que ser advogado era exceção. Somente os melhores, os mais preparados, o eram! Lembro-me da época em que se falava: "Nossa, fulano é ADVOGADO! É um Doutor!" Isso acabou. Hoje é mais fácil encontrar um advogado na esquina do que um vendedor de bilhetes de loteria! Virou carne de vaca! O jovem pensa: "Não sei o quê fazer! Farei Direito!" Isso não pode!O raciocinio correto deveria ser: "não sei o quê fazer, mas não farei direito, porque o curso é muitíssimo exigente, só os mais qualificados passam, são muitas as cobranças da carreira, etc!" O direito tem que deixar de ser o reduto daqueles que "não sabem o quê fazer"! Pois quem sabe, quem efetivamente quer, poderá ser Advogado, Juíz, Promotor ou Procurador, mas sempre terá orgulho de algo em comum a seus pares, SER UM APLICADOR DO DIREITO! BUSCAR A JUSTIÇA! Outra saída seria a determinação de idades mínimas para o exercício de carreiras jurídicas públicas, somada a um mínimo lapo temporal de exercício efetivo da advocacia privada, 5 ou 6 anos, por exemplo. Não consigo acreditar que quem exerça a advocacia efetivamente por pelo menos um ano não se apaixone pelo Nobre Oficio!
21/02/2006 10:56Marcelo Augusto Pedromônico (Advogado Associado a Escritório - Empresarial)Parabéns ao autor pelas considerações. Apena...
Parabéns ao autor pelas considerações. Apenas acrescento voltando à nossa OAB. Não acham os colegas que o complexo do "vira lata" vai além dos estudantes? Ora, em cerimônia de entrega de carteira de Advogado na OAB/SP, há pouco tempo, para a qual fui convidado, percebo que nossa OAB ainda valoriza muito mais um juiz ou promotor aposentado que resolveu advogar, do que os jovens bacharéis. Todas as honras ao juiz aposentado, ao desembargador, ilustre cidadão!! Ao jovem advogado, sequer palmas. Não que nossos colegas juízes, desembargadores e promotores não mereçam atenção. Claro que sim. Mas o que me intriga é aquela aparência de servilismo, vindo na pele o complexo do "vira lata". Enfim, concordo parcialmente com o Autor, pois não acho que este problema seja recente.
21/02/2006 09:55Erika (Advogado Autônomo)A abordagem do autor ao tema é interessante. O...
A abordagem do autor ao tema é interessante. O problema da desvalorização profissional é grande. As faculdades não preparam os profissionais do direito para advogarem de forma autonoma. Não são ensinadas técnicas de captação de cliente-la (dentro dos limites do Estatuto da Advocacia), não é ensinado o Marketing Jurídico, não ensinam como montar e como gerir escritórios de advocacia e não ensinam como planejar e direcionar uma carreira autonoma. Os advogados esquecerem que são um grupo, uma equipe, uma classe. Não acredito que a escolha por uma carreira pública se dê pelas vantagens processuais, mas sim devido a crescente crise de mercado que estamos enfrentando que não possibilita ao profissional autonomo montar um escritório e crescer.
21/02/2006 09:09Hwidger Lourenço (Advogado Sócio de Escritório - Eleitoral)Muito bom o artigo. Se cabe a manifestação de u...
Muito bom o artigo. Se cabe a manifestação de um acadêmico de 9º período, nem me passa pela cabeça a carreira pública, apesar da pressão de todos os familiares "você tem que fazer concurso...." Essa é a pior parte. Como explicar que você não deseja um bom salário fixo, segurança.... Como explicar que vc prefere lutar suas batalhas em outro exército? Talvez por ser um pouco mais velho (35 anos), desde o 1º período já tinha bem claro em que campo desejo atuar. Mas reconheço que, para os mais jovens, falta talvez uma melhor orientação por parte de TODAS as instituições de de ensino. A OAB também poderia ajudar, mas aparentemente parece estar mais preocupada em atacar de maneira genérica as instituições de ensino e seus graduandos. Pena. Perde uma boa oportunidade.
21/02/2006 00:19Julius Cesar (Bacharel)O que leva o jovem bacharel a desejar exercer a...
O que leva o jovem bacharel a desejar exercer a advocacia pública e não a privada são os privilégios que goza a Fazenda Pública. O advogado público tem salário fixo mensal, faça chuva ou faça sol, tem prazo em quadruplo para contestar e em dobro para recorrer. Não precisa conquistar clientes, pois estes são todos os devedores da Fazenda Pública . E ele faz jus a honorários advocatícios de sucumbência nas causas em que a Fazenda Pública for Autora ou Ré. Como forma de se acabar com o fosso que existe entre o advogado público e privado, eu sugiro o fim dos privilégios processuais da Fazenda Pública e que não houvesse honorários de sucumbência nas ações em em ela fosse Autora ou Ré.
20/02/2006 19:58Luís da Velosa (Advogado Autônomo)Na minha manifestação grafei errado a para cres...
Na minha manifestação grafei errado a para crescer (crecer). Desculpem-me. Erro consertado.
20/02/2006 19:56Luís da Velosa (Advogado Autônomo)O professor, advogado e procurador do município...
O professor, advogado e procurador do município de Areal, Dr. Roberto Wagner Lima Nogueira, manifestou-se sobre muitas verdades. Entretanto, quero lembrar um fato que aconteceu com o "você sabe com quem está falando?". Num entardecer, um jovem pediu a uma baiana do acarajé que colocasse pouca pimenta na iguaria. A baiana, talvez preocupada em servir a tantos fregueses que a rodeavam de "água na boca", carregou um pouco - o acarajé - na pimenta. Então, o jovem, começou a discutir com a baiana. No calor do desentendimento, o jovem lhe disse: "você sabe com quem está falando". Rodando a baiana, ela respondeu: "Sei, sim. Você eu vi no colo de sua mãe, minha comadre. Depois vi você crecer, sempre comendo meu acarajé. Hoje, você é médico e é filho do meu compadre, o desembargador. Viu que eu sei com quem estou falando?! E daí?!" Pois é. "Quem com ferro fere, com ferro será ferido".

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