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9 fevereiro 2006
Espírito vivo
Manifestações marcarão um ano da morte de freira no Pará
Uma série de manifestações públicas marcará, no domingo (12/2), em Anapu, no Pará, um ano do assassinato da Irmã Dorothy Stang. A missionária americana nascida em Ohio morreu aos 73 anos, por defender trabalhadores rurais nos conflitos agrários daquele estado.
Dos cinco acusados, dois já foram condenados: Rayfran das Neves Sales cumprirá 27 anos de prisão e Clodoaldo Carlos Batista, o Eduardo, pegou 17 anos de cadeia. Vitalmiro Bastos Moura e Regivaldo Pereira Galvão, suspeitos de serem os mandantes do crime, e Amair Feijoli da Cunha, indiciado como intermediário do assassinato, todos encarcerados, serão julgados em júri popular em data a ser ainda fixada pela Justiça paraense.
Cobranças
O primeiro ato ocorrerá às 7h30: uma missa na Igreja de Santa Luzia, a ser celebrada pelo presidente da Comissão Pastoral da Terra, Dom Tomás Balduíno. O religioso vai salientar em sua homilia que é dever do Estado dar segurança aos agricultores e suas famílias, assim como responsabilidade da Justiça punir os responsáveis pelas mortes de trabalhadores rurais — nos últimos 20 anos, segundo a CPT, foram 1.388 vítimas.
Muitas organizações não governamentais de direitos humanos, sindicatos rurais, políticos e entidades religiosas marcarão presença nas celebrações. Os discursos vão enfatizar a necessidade dos governos federal e estadual implantarem o Projeto de Desenvolvimento Sustentável (PDS) defendido por Dorothy Stang, e que a fez inimiga de inúmeros fazendeiros do Pará.
Sandra Carvalho, da ONG Justiça Global, diz que a presença do Poder Público diminuiu na região depois de alguns meses do assassinato e que continuam enormes os interesses comerciais em torno do Lote 55, da Gleba Bacajá, onde a missionária defendia o PDS.
Um ato público “em favor da vida” está marcado para as 14h, no Centro de Cultura que leva o nome de Dorothy Stang, seguido de passeata pelas ruas da cidade. A romaria terminará junto ao túmulo no qual ela foi sepultada. Às 20h, após a inauguração de uma placa luminosa com o nome da mártir, haverá show de música sertaneja em Anapu.
Ronaldo Herdy é jornalista.
Revista Consultor Jurídico, 9 de fevereiro de 2006
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