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10 dezembro 2006
Briga de compadres
Conselho diz que é legal atuação do MP contra OAB do Rio
No julgamento de outro recurso da seccional da OAB do Rio de Janeiro contra procuradores da República do estado, no início desta semana, o Conselho Nacional do Ministério Público reafirmou que a Ordem pode sim se submeter à investigação do MP. “A OAB é uma entidade como outra qualquer e não está acima da lei”, afirma a procuradora regional da República em São Paulo e integrante do CNMP, Janice Ascari.
Tudo começou quando procuradores do Rio de Janeiro pediram à OAB do estado diversas informações sobre procedimentos e funcionários da entidade. A seccional reagiu, procurando o CNMP com o argumento de que o Ministério Público estaria extrapolando suas funções e se intrometendo na atuação da entidade. A OAB encaminhou 10 processos ao Conselho contra a atuação dos procuradores. Quase todas foram julgadas pelo Conselho que, por maioria, negou provimento às ações.
No julgamento de mais um desses processos, no início desta semana, os conselheiros indeferiram o pedido da OAB num placar de 10 contra dois. Ficaram vencidos os conselheiros Ernando Uchoa e Saint Clair Luiz do Nascimento Júnior.
O conselheiro Ernando Uchoa, representante da OAB no Conselho, acredita que houve abuso por parte dos procuradores do Rio. “Não vejo isso em outros estados. Dá a impressão que esses procuradores não têm o que fazer”, afirmou o conselheiro à revista Consultor Jurídico. Ele votou pelo acolhimento do pedido da OAB.
Para o presidente da seccional da OAB no Rio, Octavio Gomes as decisões anteriores não determinaram que MP poderia solicitar pedidos sobre questões internas da OAB. “As decisões anteriores disseram apenas que o Conselho não era competente para apreciar essa matéria”, afirma.
O presidente da OAB diz que, em tese, o pedido dos procuradores federais do Rio de Janeiro é um abuso de autoridade. Segundo Octavio Gomes, os procuradores queriam saber coisas do tipo: quantas vezes o carro oficial da OAB entra e sai da garagem.
“Para que o MPF quer saber a data de entrega da carteira do advogado, saber como é feito o exame de ordem, se a minha vice (Carmen Villaronga Fontenelle), que é solteira, namora algum funcionário da OAB?”, indaga, indignado, o presidente da OAB do Rio.
Octavio Gomes informa que a entidade que comanda já protocolou diversos pedidos na Procuradoria-Geral da República questionando a legitimidade do MP para fiscalizar a OAB. Caso a PGR negue o pedido, ele já adianta que vai recorrer ao Conselho Superior do Ministério Público.
“A OAB não se furta a prestar informações sobre sua atuação aos órgãos da República, mas desde que seja feito dentro de um processo judicial, respeitando o devido processo legal”, conclui. Para Octavio Gomes, os procuradores insistem em tentar enquadrar a Ordem como órgão da administração pública. Como conseqüência, querem que a entidade preste informações sobre suas atividades.
A conselheira Janice Ascari, por sua vez, afirma que não é competência do CNMP declarar a natureza jurídica da OAB e nem sentenciar se ela pode ou não ser investigada. Mas, independentemente da natureza jurídica da OAB, o MP tem autoridade para investigá-la: “Se o MP pode investigar qualquer outra entidade, pública ou privada, não se sustenta o argumento da OAB de que o MP estaria agindo com abuso ao investigar a Ordem”, argumenta a procuradora regional da República.
Ação e reação
A queda de braço entre a OAB do Rio e o Ministério Público Federal no CNMP foi um dos acontecimentos que teriam motivado a renúncia do conselheiro Luiz Carlos Lopes Madeira, no dia 11 de setembro deste ano. Madeira era representante da OAB no Conselho Nacional do Ministério Público desde a implementação do órgão, no primeiro semestre de 2005. Madeira, que advoga desde 1964, principalmente na área cível, mantém escritórios de advocacia em Brasília e em Porto Alegre.
Quem assume sua vaga no Conselho, é o conselheiro federal da OAB e ex-presidente da seccional no Pará, Sérgio Alberto Frazão do Couto. Seu nome foi aprovado pelo plenário do Senado, há duas semanas, com 45 votos favoráveis e sete contrários. No início deste mês, Couto foi nomeado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva. O novo conselheiro toma posse na sessão extraordinária do dia 18 de dezembro.
Leia o voto da conselheira Janice Ascari
PROCESSO N° 0.00.000.0002292006-48 e apenso 0.00.000.000242/2006-05
ASSUNTO Alegação de prática de ato abusivo por Procurador da República consistente em solicitação de informações sobre aumento das anuidades da OAB/RJ e sobre procedimento de registro de cooperativas de advogados.
RELATOR: CONSELHEIRO OSMAR MACHADO FERNANDES
VOTO-VISTA
A Ordem dos Advogados do Brasil – Seccional do Estado do Rio de Janeiro formula dois pedidos de providências em relação ao Procurador da República no Estado do Rio de Janeiro Márcio Barra Lima
Maria Fernanda Erdelyi é correspondente da Revista Consultor Jurídico em Brasília.
Revista Consultor Jurídico, 10 de dezembro de 2006
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