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Júri popular

Rapaz que matou a avó e empregada é condenado a 34 anos

O ex-estudante de Direito Gustavo de Macedo Pereira Napolitano, de 25 anos, foi condenado nesta sexta-feira (28/4), por cinco votos a dois no 1º Tribunal do Júri da Capital, em São Paulo, pelo assassinato da avó Vera Kuhn de Macedo Pereira, de 73 anos, e da empregada Cleide Ferreira da Silva, 20 anos, cometido em novembro de 2002. As informações são do portal Estadão.

A juíza Patrícia Álvares Cruz, presidente do júri, sentenciou o réu a uma pena de 34 anos e oito meses de prisão (18 anos e oito meses pela morte de Vera e 16 anos pela morte de Cleide), a ser cumprida em regime integralmente fechado. A defesa disse que vai recorrer da decisão porque os jurados manifestaram-se contrários às provas dos autos.

Os jurados – cinco mulheres e dois homens – refutaram o laudo psiquiátrico do Instituto Médico Legal, que atestava ser o réu portador de transtornos mentais e de comportamento por causa do uso de cocaína e que, no momento dos fatos, era incapaz de entender o que fazia.

O exame também atestava que, por causa do uso da droga, Napolitano sofreu “amnésia lacunar”. Ou seja, os peritos afirmaram que, além de não saber o que fazia, o réu era incapaz de se lembrar do que tinha feito porque a cena do crime teria sido apagada de sua memória.

Esse foi o ponto mais trabalhado pela acusação. Para convencer os jurados de que o laudo que apontava Napolitano como inimputável (impossível de ser punido) era “falho e equivocado”, o promotor Hidejalma Muccio explorou as contradições do interrogatório do réu e das testemunhas de defesa. Isso porque, no dia em que foi preso na entrada da favela da Rua Mauro, poucas horas após o crime, Napolitano apresentou duas versões.

Ele disse que traficantes tinham cometido os crimes por causa de um acerto de contas. Depois, pressionado pelo delegado Luiz Antônio Pinheiro, que observou os arranhões feitos pela empregada em seu corpo e pelos vestígios de sangue e vômito em seus pés, confessou detalhadamente os crimes sem a presença de advogados.

Em seu interrogatório na quinta-feira, na primeira hora do julgamento, Napolitano negou as declarações. Disse que não se lembrava de nada além de ter consumido os primeiros papelotes de cocaína, da mesma maneira que fez quando foi ouvido novamente na polícia e interrogado pela Justiça na primeira fase do processo. O depoimento de sua madrinha, Luciana Velasco, contribuiu para enfraquecer a tese da amnésia.

“Eu o visitei três dias depois na delegacia. Ele chorava muito, deitou no meu colo e contou o que tinha feito. Que tinha matado a avó, depois trocado o carro por droga, que achava que tinha feito uma coisa ruim... Disse que a Cleide começou a gritar com ele e por isso a matou”, afirmou Luciana.

Revista Consultor Jurídico, 29 de abril de 2006, 11h00

Comentários de leitores

2 comentários

Certamente a linha da defesa só pode ser consid...

Gusto (Advogado Autônomo - Financeiro)

Certamente a linha da defesa só pode ser considerada circense, pois se o "pobrezinho" confessou os crimes logo após a prisão, repetindo a confissão no colo da madrinha, como se aceitar argumento de "inimputabilidade" por estar drogado? Ora, pouco importa, pois tinha plena consciência dos estragos que a droga causa, devendo agora arcar com sua estupidez. E ainda querem "discriminalizar" o uso de entorpecentes. Só no Brasil mesmo!

O engraçado disso tudo foi que o rapaz, logo ap...

Expectador (Outro)

O engraçado disso tudo foi que o rapaz, logo após os fatos, se lembrou de cada detalhe do ocorrido. E depois, já preso, repetiu tudo para a tia. Fica fácil a pessoa se empanturrar de álcool ou de cocaína, deliberadamente, e depois se dizer inimputável ...

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