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27 abril 2006
Repercussão geral
Ellen Gracie receita súmula vinculante e repercussão geral
A ministra Ellen Gracie tomou posse na presidência do Supremo Tribunal Federal dizendo o que a Corte deve fazer para melhor servir à sociedade: “Tão só questões de direito e, ainda assim, as que apresentem repercussão geral, devem ser admitidas para reexame neste Supremo Tribunal", disse ao anunciar que deverá viabilizar a aplicação de dois instrumentos para garantir um volume menor e uma qualidade maior de trabalho para a Corte.
Ela se referia à sumula vinculante, já estabelecida pela Emenda Constitucional 45, e que obriga os juízes de instâncias anteriores a decidir de acordo com o entendimento do STF em matérias sumuladas; e à repercussão geral, cujo projeto ainda tramita no Congresso, que permite ao Supremo Tribunal Federal escolher as matérias que vai julgar de acordo com sua relevância social, econômica ou jurisprudencial.
“A súmula vinculante e a repercussão geral poderão eliminar a quase totalidade da demanda em causas tributárias e previdenciárias”, explicou a ministra. “Os dois mecanismos têm o extraordinário potencial de fazer com que uma mesma questão de direito receba afinal tratamento uniforme para todos os interessados”.
A nova presidente do Supremo procurou também lançar pontes de ligação com todos os tribunais do país. "Tencionamos trabalhar em conjunto com os Tribunais de Justiça, Regionais Federais e do Trabalho, com a magistratura de primeiro grau e todos os operadores do Direito, para tornar o Conselho o grande centro de pensamento do Judiciário Brasileiro", disse a ministra.
A posse
Depois de 177 anos de existência o Supremo Tribunal Federal assistiu nesta quinta-feira (27/4) com muita expectativa e esperança a posse da primeira mulher na presidência da Corte. Ellen Gracie Northfleet, de 58 anos, foi eleita no dia 15 de março deste ano para presidir o Supremo no biênio 2006-2008. Também tomou posse o vice-presidente da Corte, ministro Gilmar Ferreira Mendes, de 50 anos.
A solenidade contou com a presença das mais altas autoridades do Legislativo, do Executivo e de representantes do Judiciário de todo país. Em sessão no Plenário do STF, os presentes assistiram aos discursos do ministro Celso de Mello, do procurador-geral da República, Antonio Fernando Souza e do presidente do Conselho Federal da OAB, Roberto Busato de boas-vindas a nova presidente.
Novos rumos
Em seu discurso a nova presidente do Supremo Tribunal Federal afirmou que sua chegada ao cargo não é uma conquista individual e sim de todas as brasileiras. Ellen Gracie defendeu o fortalecimento dos juízos de primeiro grau e decisões didáticas e esclarecedoras. “Nada deve ser mais claro e acessível do que uma decisão judicial bem fundamentada”, afirmou.
A presidente do Supremo assegurou que a partir de agora os juízes de primeira instância terão facilitada a tarefa de concluir as demandas. “O represamento dos recursos de agravo, já autorizado pelas primeiras leis regulamentadoras da Emenda Constitucional 45 reduzirá sua utilização como tática protelatória e permitirá que com maior presteza se enfrente o mérito da controvérsia”.
Segundo a nova presidente, caberá ao Supremo aplicar com rigor dois importantes mecanismos que permitirão a eliminação das demandas repetitivas. “A súmula vinculante e a repercussão geral poderão eliminar a quase totalidade da demanda em causas tributárias e previdenciárias”.
Independência da Corte
Indicada pelo então presidente da República Fernando Henrique Cardoso, Ellen Gracie lembrou em seu discurso a missão de um ministro do Supremo e sua interferência direta com a forma como a Constituição e as leis do país serão interpretadas.
“A melhor homenagem que pode um ministro do Supremo endereçar ao chefe de Estado que o nomeou encontra-se no exercício impecavelmente independente e imparcial da tarefa insigne”, afirmou a ministra.
História no Judiciário
Ellen Gracie nasceu no Rio de Janeiro no dia 16 de fevereiro de 1948. Começou seus estudos acadêmicos na Faculdade de Direito da então Universidade do Estado da Guanabara. Em 1970 concluiu o curso de bacharelado em Ciências Jurídicas e Sociais pela Faculdade de Direito da Universidade Federal do Rio Grande do Sul.
Maria Fernanda Erdelyi é correspondente da Revista Consultor Jurídico em Brasília.
Revista Consultor Jurídico, 27 de abril de 2006
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